Política
Renan Calheiros prefere JHC candidato ao Senado
Senador e presidente do MDB-AL ressalta que prefeito de Maceió tem feito grande trabalho e mantém adversidade a Arthur Lira

Levantando mais perguntas do que respostas, o senador Renan Calheiros (MDB), que preside a legenda em Alagoas, fez declarações públicas que inspiram polêmicas sobre o cenário eleitoral. Em entrevista à Rádio CBN Maceió, ele falou diretamente sobre os planos para 2026, negou que exista qualquer acordo envolvendo o MDB, mas destacou a atuação pública do prefeito de Maceió, JHC (PL), em mais uma clara demonstração de proximidade entre as famílias Caldas e Calheiros, que até pouco tempo eram rivais.
Em uma avaliação pessoal, Renan visualiza para o próximo ano ter preferência por JHC como candidato ao Senado, ao invés de uma disputa contra o ex-presidente da Câmara Federal, o deputado Arthur Lira (PP).
“Nós não participamos de acordo. Nós não defendemos acordo, nem avalizamos acordo nenhum envolvendo nomes para o Senado ou para o governo. Se algum setor do governo fez acordo, fez acordo sem nos consultar, o que é uma desconsideração e, como você sabe, rasga os próprios manuais mais elementares da convivência política. Portanto, nós não participamos de acordo em Brasília”, afirmou o senador.
Mesmo sem acordo oficial, ele “ignora” que o nome de JHC vem sendo cotado para o Governo de Alagoas, o que geraria confronto direto com seu filho, e manifesta apoio à candidatura do prefeito ao Senado, considerando que isso seria uma escolha entre ele e Arthur Lira.
“Se eu tiver que escolher entre JHC e Arthur Lira, quem deve preferencialmente ser o nosso aliado e eu puder escolher, escolherei, sem dúvida nenhuma, o prefeito de Maceió, pelo muito que ele tem realizado. Se ele for candidato e eu puder ajudar, se essa for exatamente a vontade do grupo político a que eu integro, a que eu pertenço, eu sem dúvida nenhuma que olharei a candidatura dele em comparação com a candidatura do Arthur Lira diferentemente”, disse o senador.
Os elogios foram associados à ressalva, de que não se trata do posicionamento do partido, e sim de uma opinião individual. “Isso é um posicionamento meu como senador, como cidadão, não é um posicionamento do presidente do MDB em Alagoas, é um posicionamento meu, não é um posicionamento, por exemplo, conversado com o governador [Paulo Dantas, MDB], conversado com o Marcelo Victor [presidente da Assembleia Legislativa, MDB]”.
Alagoas vive desde o dia 10 de julho, sob forte especulação sobre o que havia sido discutido em Brasília, onde com portas fechadas o presidente Lula (PT) reuniu lideranças de campos opostos dos principais grupos políticos do Estado, e em seguida assinou a indicação de Marluce Caldas para ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nas fotos que circularam amplamente, sabe-se que estavam presentes o prefeito de Maceió, JHC (PL), o deputado Arthur Lira, o ministro dos transportes, Renan Filho (MDB), e o vice-prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos).
A primeira tese que veio a público, foi sobre um acordo em que JHC teria se comprometido a sair do PL para algum partido da base aliada de Lula, e de que não disputaria as eleições de 2026. O prefeito tem evitado se pronunciar, mas até agora não trocou de legenda e, após a bem sucedida sabatina de Marluce no Senado, já em agosto, teria declarado a aliados que será candidato a governador.
REELEIÇÃO E INDEFINIÇÕES
Sobre as eleições 2026, Calheiros reafirmou os planos do partido para o governo. “O MDB entende o que sempre entendeu, pela gestão que fez, pela avaliação que teve o seu governo pelo reconhecimento dos alagoanos, pelos avanços que possibilitou ao Estado de Alagoas pelo seu governo, com investimentos na infraestrutura, na saúde, na educação, que o ministro Renan Filho, que o senador Renan Filho, deva ser o candidato do MDB ao Governo do Estado. É evidente que essa não é ainda uma decisão tomada. As convenções acontecerão apenas a partir do final do mês de abril. Portanto, muita coisa ainda vai acontecer, mas é natural que o MDB acene no sentido da candidatura do ex-governador, do atual ministro dos Transportes, Renan Filho, ao governo do Estado”.
Candidato natural à reeleição ao Senado, ele confirma que esse é o plano. “Eu estou exercendo o meu quarto mandato como senador, representando o povo de Alagoas no Congresso Nacional, e para postular um quinto mandato, é evidente que eu considero que seja natural em função das eleições seguidas que nós tivemos, mas isso é uma coisa que fundamentalmente vai depender da vontade popular. Se for necessária a minha candidatura, eu estou pronto”.
Por via das dúvidas, já está em ritmo de campanha. “Neste final de semana mesmo, eu visitei cinco municípios, fizemos uma cruzada e vou fazer isso praticamente a partir de agora em todo final de semana, ou seja, eu vou fazer aquilo que me dá mais satisfação, mais prazer na política, que é visitar os municípios, conversar com as pessoas, ouvir os problemas, e aqui em Brasília trabalhar pelas suas soluções”.

Declaração impacta no PT e prefeito mantém alianças com a direita
O entendimento pessoal do presidente do MDB em Alagoas, Renan Calheiros de que o prefeito de Maceió, JHC (PL), tem a sua preferência pela disputa de uma das duas vagas de senador no próximo ano aponta para um embaraço no xadrez político. Na última terça-feira (26), o governador Paulo Dantas (MDB), disse que o deputado federal Paulão (PT), continua como aliado do governo, e que se o parlamentar “desejar” disputar o Senado, terá a sua “solidariedade”.
O deputado petista não esconde de ninguém que pretende sair em campanha no próximo ano para ser senador. O parlamentar garante que só declinará da ideia em caso de pedido do presidente Lula.
Por outro lado, JHC segue sinalizando que mantém boas relações com a direita. A entrevista de Renan Calheiros foi ao ar na Rádio CBN Maceió na manhã da última quarta (27). Na tarde do mesmo dia, JHC publicou foto ao lado do ex-deputado estadual Davi Davino (Republicanos), uma das apostas da direita para fazer frente aos Calheiros.
Davi Davino também tem pretensões de disputar o Senado, assim como fez em 2020, perdendo a eleição por muito pouco para o ex-governador, Renan Filho, que está licenciado do cargo e assumiu o Ministério dos Transportes no governo Lula 3.
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