Política

Portaria para mitigar perdas do tarifaço não contempla Alagoas

Medidas do governo federal destinada a produtores não beneficiam setor da cana-de-açúcar, um dos principais afetados pelos EUA

Por Emanuelle Vanderlei - colaboradora / Tribuna Independente 26/08/2025 08h15
Portaria para mitigar perdas do tarifaço não contempla Alagoas
Em Alagoas, o setor sucroalcooleiro (açúcar e etanol) é o principal exportador para os Estados Unidos - Foto: Edilson Omena

Uma portaria interministerial publicada na última sexta-feira (22), concretizou algumas das promessas do Governo Lula (PT) de tomar medidas para mitigar as perdas sofridas por produtores e pessoas jurídicas exportadoras afetadas pelas tarifas adicionais de importação aplicadas pelos Estados Unidos da América. Como havia sido previsto na semana passada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea-AL), José Carlos Lyra, a produção alagoana não foi contemplada e permanece em situação preocupante.

Em Alagoas, o setor sucroalcooleiro é o principal exportador para os Estados Unidos. No entanto, essa produção não é mencionada na lista de produtos elegíveis à aquisição excepcional publicada na portaria. Os produtos que constam são açaí, água de coco, castanha de caju, manga, mel, pescados e uva. A medida incentiva a compra emergencial, por parte do poder público federal, estadual e municipal, da produção que deixou de ser exportada por conta do tarifaço.

No dia 4 de agosto, o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar), Pedro Robério de Melo Nogueira, enviou ofício ao Governo do Estado solicitando apoio tanto na intermediação com o Governo Federal quanto através de medidas de incentivo fiscal. Até o final da tarde de ontem (25), tudo permanecia igual, e “não houve resposta do governo”, informou o Sindaçúcar.

Dados repassados pelo Sindaçúcar, contabilizam que as exportações de açúcar de Alagoas para os Estados Unidos correspondem a 15% do total das exportações em volume, e 20% do valor total. O presidente mencionou que, se não houver mudança no tarifaço nem apoio governamental, pode haver queda drástica nos 85 mil postos diretos de trabalho e na circulação da renda nos 54 municípios ligados à cana.

De acordo com Júlio Cézar, secretário de Estado de Relações Federativas e Internacionais em Alagoas, “o governador Paulo Dantas (MDB) tem feito todo esforço necessário junto à Secretaria da Fazenda e às outras secretarias, para minimizar isso, para que Alagoas não tenha esse impacto negativo, para que a economia não possa sofrer com as consequências das sanções impostas ao governo brasileiro”.

Focando na solução diplomática, o secretário fala em paciência. “Não é hora de desespero, não é hora de entrar em pânico, a hora é de sentar à mesa e conversar. O Governo Federal tem trabalhado com a embaixada americana e com o Itamaraty junto ao governo americano, inclusive com o ministro Haddad. Então acho que a hora é de aguardar, ter um pouco de paciência e tudo se resolve”.

Júlio Cézar não detalha medidas a serem tomadas pelo Governo, mas defende a continuidade dos trabalhos.

“A gente vai acho que continuar nessa pegada de produzir mais, preservar os empregos, investir, buscar investidores, a gente não pode baixar a cabeça, diante da dificuldade. A gente tem que buscar superação, e o governador Paulo Dantas é muito resiliente a tudo isso, então o setor pode contar com o governo, pode contar com o governador Paulo Dantas, e a gente vai politicamente, administrativamente, do ponto de vista institucional, claro, ajudar até onde for possível e necessário”.