Política
Consuni diploma estudantes que foram perseguidos pela ditadura militar
Ato simbólico aconteceu na manhã desta terça-feira (1º) uma sessão ordinária com a presença dos familiares dos perseguidos

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) realizou na manhã desta terça-feira (1º) uma sessão ordinária do Conselho Universitário (Consuni), que tem entre as pautas, uma demanda histórica. Nesta ocasião, será apreciado o requerimento das conselheiras docentes Emanuelle Rodrigues e Iracilda Moura, propondo a diplomação póstuma de três estudantes da Ufal, vítimas da ditadura militar: Gastone Beltrão, Dalmo Lins e Manoel Lisboa.
Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, natural de Coruripe/Alagoas, ingressou no curso de Economia da Ufal em 1968, classificando-se em terceiro lugar no vestibular. Militante ativa, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN) e recebeu treinamento de guerrilha em Cuba. Foi executada por agentes do DOPS-SP em 1972.
José Dalmo Guimarães Lins, nascido em Maceió, estudou Direito na Ufal, mas foi expulso devido ao seu envolvimento em atividades consideradas subversivas pelo regime militar. Teve formação política em Cuba e na União Soviética e militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Faleceu no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1971, após seis meses de detenção, onde foi torturado por várias vezes, não conseguindo superar as sequelas das atrocidades sofridas.
Manoel Lisboa de Moura, conhecido como "Galego", nasceu em Maceió e foi um dos fundadores do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Participou ativamente do movimento estudantil e foi preso pela primeira vez em 1965. Após ser capturado novamente em 1973, foi torturado e morto sob custódia do regime militar.
O último liberto da ditadura, o sociólogo Edvaldo Caja lembra o sequestro de 12 de maio de 1978.
“Fomos libertos antes da anistia, no sequestro de 12 maio de 1978, debaixo do espancamento, e seguiram cinco sessões de tortura, que só não me levaram à morte por conta da greve da Universidade Federal de Pernambuco {UFPE}, que se espalhou até a Universidade Federal do Paraná {UFP}, e a potente voz da igreja de Dom Hélder, Dom Paulo Evaristo, que botaram para o exterior aquela denúncia, e por isso, as mãos dos torturadores foram atadas e impossibilitadas de prosseguirem às torturas. Mas, assim fiquei mais um ano. A equipe com a mobilização foi a última prisão, o último sequestro do boicote. A partir daquele instante, a mobilização fez com que não mais repetisse prisões organizadas pelo boicote, pelo Exército, a nossa foi pela Polícia Federal.’’, relembra Caja.
Conforme o sociólogo, a cerimônia da Ufal tem um significado muito grande. “É de um significado muito grande poder hoje contar com esta solenidade, que vai fazer uma diplomação póstuma de um herói do povo, de três heróis do povo que lutaram pela democracia, pela liberdade e contribuíram com a sua própria vida. Manuel Lisboa, por exemplo, foi aluno dessa universidade, um homem adiantado no seu tempo, culto, inteligente, mas de uma extrema sensibilidade e de uma solidariedade humana levada ao extremo. Morreu lutando pelo fim da ditadura e pela nova sociedade’’.
Para Iracilda Lima, sobrinha de Manoel Lisboa e conselheira do Consuni, a diplomação é mais uma forma de reparação as vítimas da ditadura militar. ‘’É uma honra poder estar aqui nesse momento, ver o nome dele ser reintegrado com a futura diplomação. Direito a estudar por ter sido expulso da universidade com seus 20 anos na época. Era estudante de medicina e foi expulso do esquadrão da universidade. E a instituição tem esse papel de resistência, né? Ainda mais hoje em dia que existem pessoas que defendem esse tipo de regime. Mesmo a gente contando a história. A importância é justamente pela memória, para que não se esqueça que o povo não esqueça daqueles que lutaram por um país melhor e acabaram sendo vítimas. Sendo vítimas torturados e executados’’.

Josealdo Tonholo, reitor da Ufal, reafirma o compromisso da universidade com a memória, a verdade, a justiça e a reparação. “Este ato simbólico representa um passo significativo na valorização da história e na promoção dos direitos humanos, reafirmando o compromisso da Ufal com os princípios democráticos e a defesa intransigente da liberdade e da justiça social!, declara o reitor.
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