Política

“Impacto do 7/9 deve ser pequeno”, diz cientista política

Luciana Santana ressalta que discurso de Jair Bolsonaro em atos no DF e RJ repetiu bolhas bolsonaristas

Por Tribuna Independente 09/09/2022 06h55
“Impacto do 7/9 deve ser pequeno”, diz cientista política
Bolsonaro durante solenidade do 7 de setembo em Brasília - Foto: Alan Santos

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) usou as comemorações pelos 200 anos da Independência do Brasil como palanque eleitoral. Ele usou as manifestações para atacar adversários políticos e – de maneira mais indireta – o sistema eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF). Para a cientista política Luciana Santana, os atos em apoio ao presidente devem ter pouco impacto eleitoral.

“Realmente seria importante termos nova pesquisa para afirmar que houve impactos na situação atual do presidente na corrida eleitoral. Eu considero que o impacto será pequeno, tanto intenção de votos, quanto rejeição, pois manifestantes que foram às ruas já votariam no presidente independente de qualquer coisa”, comenta Luciana Santana à reportagem da Tribuna Independente.

Segundo ela, o discurso de Jair Bolsonaro repetiu o que repercute nas bolhas bolsonaristas e que a reação dos demais candidatos pode resultar em algum impacto no cenário eleitoral.

“Todas as falas do presidente já eram narrativas que sua bolha reproduz há muito tempo. As reações dos candidatos que são seus adversários, assim como as suas estratégias nesses dias pós-evento eleitoral do presidente no 7 de setembro é que podem alterar algo, mas para isso é preciso aguardar mais alguns dias”, afirma Luciana Santana.

Jair Bolsonaro usou a solenidade oficial pelos 200 anos de Independência do Brasil em Brasília como comício eleitoral, repetindo o discurso que já vem fazendo desde antes de a campanha, propriamente dita, começar.

Do Distrito Federal, ele seguiu para o Rio de Janeiro e aumentou o tom do discurso, dirigindo ataques diretos ao ex-presidente Lula (PT), que lidera as pesquisas de intenção de votos para presidente da República.

O caso ganhou repercussão, inclusive internacional, especialmente pela palavra de ordem puxada por Jair Bolsonaro ainda em Brasília: “imbrochável”.

Após o ato no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro foi ao Maracanã para acompanhar um jogo do Flamengo pela Taça Libertadores da América. No estádio, ele foi alvo de repulsa, com a maioria dos presentes o vaiando e repetindo um “vai tomar no c*”.

Em resposta aos ataques, Lula publicou vídeo no qual questiona a postura de Jair Bolsonaro e como se deu a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo, num valor total de R$ 26 milhões.

PESQUISA

De acordo com a última pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira (7), Lula lidera as intenções de voto com 44%. Jair Bolsonaro aparece em segundo com 34%, sendo seguido por Ciro Gomes (PDT), 7%; e Simone Tebet (MDB), 4%.

A pesquisa da Quaest foi realizada entre os dias 1º e 4 de setembro. Foram entrevistas 2.000 pessoas presencialmente e sua margem de erro é de 2%. O nível de confiança é de 95% e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00807/2022.