Política

27 de novembro de 2021 11:16

Municípios aguardam sinalização dos governos

Gestões municipais já organizam as festas de Carnaval, no entanto condicionam a realização da festa mediante autorização do Estado e União

↑ Renan Filho já deixou claro que é necessário um posicionamento do governo federal para embasar estados e municípios sobre o Carnaval em 2022 (Foto: Edilson Omena)

Com a possibilidade de mais uma onda da doença e o aumento de casos de Covid-19 na Europa, a realização do Carnaval no Brasil ainda é uma incógnita. Em Alagoas, alguns municípios estão analisando a possível suspensão das festividades. Outros confirmaram a realização das festas, mas que aguardam posicionamento do Governo do Estado.

O governador Renan Filho (MDB), confirmou que a realização do Carnaval em Alagoas ainda é incerta e disse que está aguardando uma decisão do Governo Federal.

“Não sou daqueles que vai trabalhar no contrafluxo. Alguns estados muito importantes estão sinalizando que não terão Carnaval, como a Bahia e Pernambuco. E eu sinto que o alagoano não quer ficar no contrafluxo de uma decisão dessa natureza, até porque o nosso Carnaval não é na proporção desses outros. Se os maiores estão discutindo não ter Carnaval por precaução, acho que não devemos ficar no contrafluxo, mas vamos aguardar as próximas semanas e continuar vacinando as pessoas para tomar a decisão adequada”.

O presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Hugo Wanderley (MDB), também se manifestou sobre o tema, em vídeo divulgado nas redes sociais ele pede “prudência” aos prefeitos para a realização das festas carnavalescas. “A pandemia ainda não acabou, nós estamos acompanhando dados técnicos. Outros países já enfrentam mais uma onda de Covid. Mas claro, [estamos] com a vacinação ainda avançando e temos de avançar ainda mais”.

Hugo Wanderley também adiantou que após a Associação estiver de posse de mais dados técnicos, emitirá um parecer sobre a realização ou não de festas de rua durante o Carnaval de 2022. Em 2021, 100% dos municípios alagoanos cancelaram as festas carnavalescas, após sugestão da AMA aos gestores.

PRUDÊNCIA MUNICIPAL

Em Maceió, a estrutura das tradicionais prévias já está montada, segundo a Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió (FMAC).

A Prefeitura de Jequiá da Praia informou que estuda a possibilidade de realizar o Carnaval 2022 no município, tendo em vista que a tradicional festa gera empregos formais e informais, aquecendo a economia local. Mas reiterou que aguarda o posicionamento dos órgãos Estadual e Federal de Saúde, para tomar a melhor e mais segura decisão, e que hoje se sente mais confortável na realização de eventos, tendo em vista que há 93 dias nenhum novo caso de Covid-19 foi confirmado no município.

A Prefeitura pontuou ainda que, em um período de 90 dias antes do Carnaval, em dezembro deste ano, irá convocar uma reunião com as autoridades de saúde e sanitárias do município, junto à equipe que promove eventos, para discutir a viabilidade das festas carnavalescas.

A Prefeitura de Paripueira disse que está aguardando as orientações do Ministério da Saúde sobre as festas carnavalescas e que a realização, ou não, dependerá da situação da doença no Brasil e do decreto vigente.

“A gestão pretende realizar a tradicional festa de Carnaval do município e está confiante com o avanço da vacinação e a redução do número de casos, mas vai seguir o que for estabelecido pelos órgãos de saúde”.

A assessoria de Delmiro Gouveia também confirmou que está aguardando como o Estado irá proceder e, também, o comportamento da doença e que com isso ainda não há nenhuma definição se terá ou se será cancelado.

Em Coruripe, a informação da assessoria é de que o município não registrou mais casos de Covid e com número de atendimentos bem reduzido. A assessoria disse ainda que foi iniciada a dose de reforço para maiores de 18 anos. Entretanto, ainda não tem uma definição sobre a realização do Carnaval.

ORIENTAÇÃO VIGENTE

O Ministério Público do Estado (MP/AL) está acompanhando de perto o enfrentamento à pandemia, mantendo reuniões semanais com os órgãos de saúde.

A instituição destaca que vai orientar os municípios a seguirem as regras vigentes no momento.

E vai acompanhar se as prefeituras irão respeitar o que está disposto em seus próprios decretos e no decreto que está em validade no estado.

Para infectologista, é precoce fazer prognósticos sobre a Covid-19

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em Alagoas já foram aplicadas mais de 4,1 milhões de doses de vacina contra a Covid-19. Cerca de 2,3 pessoas foram vacinadas com a primeira dose, enquanto cerca de 1,7 milhão com a segunda. Cerca de 150 mil pessoas já receberam a dose de reforço de imunizantes.

Em inúmeras reportagens da Tribuna Independente, infectologistas têm demonstrado preocupação com a realização das festas carnavalescas. Na edição de 16 e 17 de outubro da Tribuna, o presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia, Fernando Maia, comentou a necessidade do avanço da vacinação em Alagoas.

“Neste momento não há como fazer uma previsão exata de como a gente estará no carnaval. Espero que a gente já esteja bem melhor e que a vacinação ande bem para a gente poder fazer essa liberação com mais tranquilidade. Para haver carnaval tem que ter vacinação, então é imprescindível que a vacinação avance bem para que a gente possa controlar a circulação do vírus e a pandemia e assim voltar a nossa vida normal”.

De acordo com a médica Luciana Pacheco, ainda faltam quatro meses para o Carnaval e é muito precoce fazer previsões sobre o momento epidemiológico quando se fala sobre a Covid, porque têm ocorrido muitas surpresas ao longo da pandemia com as variantes do vírus.

“Podemos fazer alguma previsão com intervalos de um mês apenas, então é prematuro e inseguro qualquer previsão neste sentido. Considerando a situação atual, as medidas de prevenção, como uso de máscaras, vacinação e testagem frequente da população para terem acesso aos eventos seria o recomendado. Ainda não temos nem metade da população brasileira, incluindo a alagoana, completamente imunizada. Vemos muitas pessoas sem a segunda dose da vacina e ainda outras resistentes à vacinação, então é precoce imaginar grandes eventos seguros”.

Fonte: Tribuna Independente

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