Política

16 de outubro de 2021 10:45

Bolsonaristas têm interesse no PP

Lideranças apoiadoras de Jair Bolsonaro adiantam que podem seguir o presidente caso ele se filie ao partido de Arthur Lira

↑ Cabo Bebeto, deputado estadual, pode avaliar nova filiação, condicionado às suas chances de reeleição (Foto: Ascom ALE)

PPHá dois anos sem partido, o presidente Jair Bolsonaro pode aterrissar no PP, legenda que comanda a Câmara dos Deputados com Arthur Lira e o bloco de partidos conhecido como “centrão”. Este movimento político gerará desdobramentos, muitos devem sair da legenda, outros ingressar nela para acompanhar o chefe do Poder Executivo nacional. Em Alagoas, os dois parlamentares locais mais ligados ao presidente acenam com interesse de migração para o PP.

O deputado estadual Cabo Bebeto (PTC) pondera que não acompanha o presidente da República ao PP se isso reduzir as chances de sua (re) eleição em 2022.

“Essa é uma decisão do presidente, que vai avaliar a melhor opção e eu devo acompanhá-lo, sim. A não ser que a chapa aqui fique inviável para minha eleição. Esse é o único motivo que fará com que eu não fique no mesmo partido que ele”, afirma o parlamentar.

Cabo Bebeto ressalta que se a mudança de partido inviabilizar sua candidatura em 2022, ele irá ao encontro do presidente para apresentar as razões de sua não filiação ao PP.

“Se esse for caso, vou a Brasília para explicar a situação daqui. Minha intenção é ir para onde ele for e acredito que se ele for para o PP, eu ingresso também porque acredito que dá para ficar aqui”, adianta o parlamentar à reportagem da Tribuna Independente.

Já o vereador em Maceió, Leonardo Dias (PSD), ressalta que o apoio a Jair Bolsonaro independentemente de partido e que este ano não há “janela partidária” para vereadores.

“Meu apoio ao presidente Jair Bolsonaro independente do partido. Sigo apoiando o presidente por comungarmos das mesmas ideias em muitas pautas e isso não tem relação com o partido. Quanto a mim, não há janela para que vereadores possam mudar de legenda. Então, há a questão da fidelidade partidária”, diz o vereador da capital alagoana.

A “janela partidária” para os vereadores só ocorre em meados de 2024. Contudo, as regras eleitorais recém-aprovadas permitem que parlamentares troquem de legenda, sem perda do mandato, caso haja concordância da direção da sigla.

Outra hipótese é a alegação de que o partido agiu contra seu programa eou estatuto.

Outro bolsonarista destacado é Flávio Moreno, vice-presidente do PSL em Alagoas.

Ele não comenta sobre deixar a legenda para se filiar ao PP, mas defende unidade da direita em torno da candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro.

“Sou favorável que exista uma grande aliança da centro-direita, da maioria dos partidos que votam majoritariamente nas pautas do presidente Bolsonaro no Congresso, o que inclui o PP, União Brasil, PTB e outros. Isso dará musculatura a candidatura do presidente Bolsonaro”, diz Flávio Moreno.

O policial federal ressalta que definições sobre este tema devem surgir nos próximos períodos.

“A tendência é que aqueles que defendem o presidente Bolsonaro estejam nos partidos que formam a base do governo, inclusive para onde ele for. Até março teremos definições”, completa à Tribuna.

SEM COMENTÁRIOS

A reportagem da Tribuna Independente procurou saber a opinião de três das principais figuras do PP em Alagoas: o deputado federal Arthur Lira; o vereador em Maceió Davi Davino; e o deputado estadual Davi Filho.

Por meio de suas assessorias, os três disseram que preferem não comentar o tema “por enquanto”.

Mesmo presidente da República, pode haver dúvidas se o ingresso de Jair Bolsonaro é bom para o PP, devido a sua rejeição.

Rejeição não afetará crescimento da legenda, diz cientista política

De acordo com as últimas pesquisas de intenções de voto, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro tem crescido. Mesmo assim, sua filiação ao PP não afetará o crescimento do partido, segundo avaliação da cientista política Luciana Santana à reportagem da Tribuna Independente.

“Não acho que o partido perca algo. Pelo contrário, acho que o partido ter um candidato que disputa a eleição majoritária, e com chance na competição, mesmo com a rejeição, é interessante porque faz com que você possa puxar nomes pra os cargos proporcionais. O partido tem mais a ganhar do que perder”, avalia. “De qualquer forma vem o ônus com essa rejeição, mas como no âmbito subnacional, as eleições têm uma outra dinâmica, isso pode não interferir tanto. O PSL foi favorecido na última eleição. Então acredita-se que isso poderia pode acontecer novamente”, completa Luciana Santana.

Entretanto, a cientista política destaca o histórico de filiação partidária do presidente.

“A gente também sabe do histórico do presidente em partidos. Ele não é fiel às legendas e quer um partido para chamar de seu. No PP, ele vai tentar impor algumas composições no âmbito subnacional [nos estados]. Vai ser um desafio grande para o PP”, comenta Luciana Santana à reportagem da Tribuna.

SEM UNANIMIDADE

O ingresso de Jair Bolsonaro no PP não é consenso na legenda nem no entorno do presidente. Ele já foi filiado ao partido por 11 anos.

No partido, a entrada do presidente deve estimular o crescimento da legenda nas regiões Sul e Sudeste, mas deve gerar conflitos no Nordeste, região de onde vêm os principais expoentes da legenda: Ciro Nogueira, do Piauí e ministro da Casa Civil; e Arthur Lira, de Alagoas e presidente da Câmara dos Deputados.

Na Bahia, o vice-governador João Leão é do PP, numa aliança com o governador petista Rui Costa. Já em Pernambuco, o PP é base do governo do PSB, que já teria se acertado com o ex-presidente Lula para apoio em 2022. O próprio Ciro Nogueira se elegeu senador em 2018 numa aliança com o PT e fez campanha para o candidato do partido Fernando Haddad. Ciro chegou a dar declarações de que Jair Bolsonaro era “fascista”.

As recentes pesquisas eleitorais mostram Lula bem à frente de Jair Bolsonaro nas intenções de voto para 2022. No Nordeste, essa diferença se amplia ainda mais. A última pesquisa Datafolha mostra que na região o petista teria 61% dos votos contra 16% do presidente. Além disso, 70% dos nordestinos disseram não votar em Jair Bolsonaro de jeito nenhum. Nacionalmente, este índice é de 59%.

Entre os aliados mais próximos de Jair Bolsonaro, há quem defenda seu ingresso em legendas como o PTB ou o PL.

FUNDO ELEITORAL

O PP foi o quarto partido que mais recebeu recursos do Fundo Eleitoral em 2020, com R$ 140.669.215,02. Já o PTB recebeu R$ 46.658.777,07. Essa diferença gera a dissenso entre os aliados próximos de Jair Bolsonaro.

Fonte: Carlos Amaral

Comentários

MAIS NO TH