Política

30 de junho de 2021 08:03

Luís Miranda: Ricardo Barros ofereceu propina para não atrapalhar compra de Covaxin

Em vídeo, Carla Zambelli faz cara de choro e pede orações depois de denuncia de propina das vacinas

↑ Luis Miranda em depoimento à CPI da Covid (Foto: Pedro França/Agência Senado)

As denúncias de propina contra o governo de Jair Bolsonaro não param. O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) foi chamado para duas reuniões, nas quais recebeu oferta de propina milionária para parar de atrapalhar a compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde, de acordo com reportagem de Patrik Camporez, no Crusoé.

Segundo a matéria, no dia 31 de março, ou seja, 11 dias depois de ter se reunido com Bolsonaro, junto com seu irmão, Luis Ricardo Miranda, para alertar o presidente dos indícios de irregularidades no processo de aquisição da vacina indiana, Luis Miranda foi convidado por um conhecido lobista de Brasília para participar de uma reunião em uma mansão no Lago Sul, em Brasília.

Figura conhecida da Polícia Federal (PF) por envolvimento em esquemas de corrupção e homem de confiança do líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros (PP-PR), Silvio Assis queria conversar pessoalmente com Miranda, que aceitou o convite.

Assis teria dito que nada poderia dar errado na compra da Covaxin e tentou fazer de Miranda aliado. Pediu para o deputado interceder junto ao irmão do Ministério da Saúde, para que ele não criasse problemas para o negócio.

Em certo momento, afirmou que Miranda poderia ser recompensado, caso aceitasse ajudar. Sem mencionar valores, afirmou que, se tudo desse certo, a reeleição do parlamentar estaria garantida. O deputado saiu da reunião sem que a conversa avançasse.

Em maio, pouco mais de um mês depois da primeira reunião, ocorreu novo encontro, no mesmo local. Desta vez, Silvio Assis estava com o próprio Ricardo Barros.

VALORES

O tema foi o mesmo. A certa altura, Assis, que demonstrava falar em nome da Precisa Medicamentos, a empresa brasileira intermediária do negócio da Covaxin com o Ministério da Saúde, disse a Luis Miranda que ele poderia ser muito bem recompensado caso aderisse ao acerto.

Desta vez, a conversa envolveu valores. Assis, em nome de Barros, teria prometido a Luis Miranda uma participação sobre cada dose da vacina vendida ao Ministério da Saúde: 6 centavos de dólar. Caso aceitasse, poderia ganhar 1,2 milhão de dólares, o equivalente a 6 milhões de reais.

VOZ DE PRISÃO

O deputado afirma que, nos dois encontros, rejeitou com veemência a proposta do lobista amigo e Barros. Disse, inclusive, que, em uma das oportunidades, teria ameaçado dar voz de prisão a Silvio Assis.

O parlamentar afirmou não crer que a oferta de propina que recebeu tenha alguma relação com a conversa que teve, dias antes, com Bolsonaro para alertar sobre irregularidades no processo de compra da vacina.

Miranda teria relatado à Crusoé que não quer se manifestar a respeito dessas conversas com o lobista e o líder do governo. Ele destacou, ainda, que prefere falar para a Polícia Federal, caso seja chamado.

Carla Zambelli faz cara de choro e pede orações depois de denúncia de propina das vacinas

 

Carla Zambelli faz cara de choro antes de pedir orações a Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Olhando para o alto, com cara de que estava segurando o choro, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), uma das mais ferrenhas defensoras de Jair Bolsonaro (Sem Partido), gravou um vídeo de mais de oito minutos, publicado em suas redes sociais no fim da noite desta terça-feira (30), em uma tentativa desesperada de defender o governo em meio às denúncias de corrupção e de pedido de propina para compra da vacina AstraZeneca.

Em uma narrativa confusa, em tom de desespero, Zambelli justifica uma entrevista dada à Folha com o objetivo de “sair da bolha” que defende Bolsonaro e afirma que “às vezes a gente vê que fora dessa bolha parece que a gente tá só apanhando”.

“Tudo que você faz tá errado. Você apanha da imprensa, você apanha da oposição, você apanha de uma CPI na qual o presidente e o relator são dois inomináveis. Vocês sabem o que acho do relator e do presidente. Já tomei porrada pra caramba e tô apanhando por causa disso”, diz a deputada.

Segundo ela, a tentativa é “destruir o presidente e quem quer esteja ao lado do presidente”. Por fim, Carla Zambelli se diz “cansada”, que não pode falar “o que pensa porque tem 11 ministros do Supremo que pensam que são deuses” e, volta novamente os olhos para o alto, pede orações a Bolsonaro.

“Eu peço por último oração. Porque quem sabe Deus possa nos ajudar. Quem sabe Deus possa nos indicar um caminho. Porque tem horas que é difícil, que a gente olha e não enxerga um caminho. Mas, a gente olha para cima e diz: meu Deus do céu me dê forças para eu seguir somente mais um dia, só mais um. E assim a gente tem vivido há meses”, diz a deputada, antes de dar um “boa noite a todos”.

Fonte: Revista Fórum / Lucas Vasques e Plinio Teodoro

Comentários

MAIS NO TH