Política

19 de junho de 2021 13:58

Fechamento de agências do Banco do Brasil gera prejuízos em Alagoas

Municípios alagoanos terão a oportunidade de tratar e apresentar dados sobre o fechamento dos bancos em 10 localidades

↑ BB é um das principais locais para pagamento nos municípios alagoanos e suas agências estão sob risco (Foto: Edilson Omena)

Após a intervenção da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), membros da comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados estarão em Alagoas até o final deste mês para realizar visita técnica às agências do Banco do Brasil que foram fechadas em algumas cidades do estado.

A Comissão também já aprovou a realização de audiência pública para debater o fechamento de agências do Banco em diversos municípios do país. Em Alagoas, pelo menos 10 municípios terão suas agências ou postos de atendimento do Banco do Brasil fechados.

“Eles [deputados da Comissão] visitarão alguns municípios e também realizarão audiência pública com a presença do superintendente do Banco do Brasil em Alagoas e outras instituições relacionadas ao Banco. Agradeço a bancada alagoana e a Confederação Nacional dos Municípios [CNM] que abraçaram essa luta que foi iniciada pela AMA e hoje tomou proporções nacionais. Vamos continuar trabalhando para evitar novos fechamentos, como também reabrir as agências que foram fechadas”, destacou o presidente da entidade alagoana, prefeito Hugo Wanderley (MDB).

A diretoria nacional do Banco do Brasil ainda não comunicou oficialmente quais serão as agências e postos fechados, mas um levantamento da AMA com os prefeitos identificou que as agências de alguns municípios já haviam sido rebaixadas para Postos de Atendimento, já outros municípios terão os serviços completamente fechados nos próximos dias. Dentre os municípios estão Coité do Nóia e Pão de Açúcar.

Para o prefeito de Coité, Bueno Higino (PP), o fechamento da agência do município acarreta um problema econômico, visto que o cidadão precisa se deslocar para a cidade de Arapiraca, que é o maior centro econômico que existe próximo ao município para que se retire, faça seu saque, pague as suas contas.

“Toda essa logística fará a população já gastar o dinheiro que for sacar, devido ao deslocamento e outros gastos. Isso é um problema econômico, gera social. Durante a pandemia isso se agrava bastante, porque se aglomera filas e filas na frente dos bancos para buscar o benefício de um saque, né? Algo que é simples e que deveria ser de direito da população. Na administração do meu pai a gente conseguiu o benefício da agência para o nosso município e doze anos se passaram e a gente hoje vê o município retroceder nessa questão e perder a única agência que possuía”.

Já o prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas (PSDB), disse que a informação que tem é de que a agência do município não vai fechar e vai servir de referência para municípios que fazem divisa, como por exemplo Porto da Folha e Glória, que ficam em Sergipe.

“Então, a informação é essa, que a agência não fecha, não é? A não ser que haja um posicionamento novo, mas se fechar é um desastre para a cidade, com certeza”.

Um dos parlamentares federais que estão à frente na luta para que as agências do Banco do Brasil não fechem nos municípios alagoanos é o deputado Marx Beltrão (PSD). Ele esteve recentemente em reunião com a presidência da AMA e membros da diretoria nacional do Banco do Brasil (BB).

“Sou contra e vou lutar contra este fechamento de agências do Banco do Brasil, especialmente em Alagoas e no interior do estado, que já é muito carente de atendimento bancário. A realidade hoje é de filas quilométricas, agências lotadas, pessoas passando horas na espera pelo atendimento. Banco do Brasil, e também a Caixa Econômica, são bancos que cumprem uma importante missão social. Se 15 agências do BB forem fechadas em nosso estado, são menos 15 postos de atendimento na linha de frente para solucionar problemas da população, de empresários, de agricultores. O governo federal não pode permitir isso e a bancada está articulada contra este fechamento”, disse Marx Beltrão.

Mudanças fazem parte de plano de reorganização

A coordenadora da bancada federal, deputada Tereza Nelma (PSDB), informou que fez reunião em abril com o gerente executivo do Banco do Brasil, Gustavo Berti, que disse que a mudança faz parte do plano de reorganização do Banco do Brasil para mais eficiência e otimização.

Segundo ele, a preocupação social do Banco permanece e por isso serão abertas, no lugar das agências, as lojas Mais BB.  A deputada Tereza Nelma destaca que essa medida pode prejudicar a questão social.

“Me preocupa a questão social, o impacto que isso pode gerar para a agricultura familiar, por exemplo. O Banco do Brasil é responsável por 79,2% do financiamento rural na região Nordeste. Eu acredito que podemos modificar essa decisão. A bancada alagoana está abrindo uma frente de mobilização para comprovar que esse não é o momento para o fechamento das agências” argumenta a líder da bancada federal alagoana.

O presidente do sindicato dos Bancários e Financiários de Alagoas, Márcio dos Anjos, ressaltou, em entrevista à reportagem da Tribuna Independente que a entidade fez o que pode para evitar esses fechamentos e essas transformações meses antes do fato se consumar.

“Batemos em várias portas e buscamos conscientizar a população do fato que seria ela mais afetada. O governo federal está promovendo um verdadeiro desmonte da coisa pública como um todo, entre elas os bancos públicos e é óbvio que as alegações não são procedentes, mas infelizmente esse projeto que aí está é lamentavelmente fortalecido pelo silêncio também da grande mídia que se omite. Os trabalhadores bancários têm acesso às suas carreiras através de concurso público, portanto, não ficarão sem emprego e todos aqueles afetados pela desestruturação imposta ao Banco do Brasil já foram remanejados”.

ABRANGÊNCIA

De acordo com o Banco do Brasil, 95,5% dos Municípios do país contam com algum tipo de serviço do banco.

O Conselho Político da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) destacou que é por meio do Banco do Brasil que os servidores locais recebem seus salários, além de ser por meio da instituição financeira que são repassados recursos, com destaque, por exemplo, para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

“Nesses municípios em que as agências do Banco do Brasil serão fechadas, temos uma população envelhecida, que frequenta igreja e que gosta de ter contato com o banco. Os nossos gestores locais estão sofrendo uma pressão absurda por parte da sua população”, destaca a CNM ao receber informações das entidades que defendem o municipalismo.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

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