Política

16 de junho de 2021 17:17

Witzel diz à CPI que Bolsonaro deixou os governadores ‘à mercê da desgraça que viria’

Ex-governador do Rio afirmou ainda que estratégia do presidente foi transferir aos estados impacto do combate ao vírus

↑ Wilson Witzel também reclamou de 'discurso de perseguição' a governadores (Foto: Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado)

O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel disse nesta quarta-feira (16) à CPI da Covid que o presidente Jair Bolsonaro “deixou os governadores à mercê da desgraça que viria”.

“O presidente deixou os governadores à mercê da desgraça que viria. O único responsável pelos [mais de] 400 mil mortes que tem aí tem nome, endereço e tem que ser responsabilizado”, afirmou o ex-governador.

O ex-governador era aliado de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. Mas ao longo do mandato entrou em atrito político com o presidente, que se agravou na pandemia. Bolsonaro sempre atacou as medidas de isolamento social recomendadas pelas autoridades sanitárias e adotadas por governadores para conter o vírus. Em abril, Witzel sofreu impeachment, acusado de crime de responsabilidade na gestão de contratos na área da Saúde durante a pandemia, o que nega.

O ex-governador disse à CPI que Bolsonaro adotou a narrativa de empurrar o ônus das necessárias medidas de distanciamento social para os governadores.

Ele argumentou que o presidente adotou a narrativa de forma estratégica, para se livrar de responsabilidade sobre as consequências econômicas da pandemia.

“O governo federal, para poder se livrar das consequências do que viria na pandemia, criou uma narrativa estrategicamente pensada”, argumentou Witzel.

“O que ficou claro é que a narrativa construída pelo governo federal foi para colocar os governadores em situação de fragilidade, porque os governadores tomaram as medidas necessárias de distanciamento social, porque isso tem consequências econômicas”, continuou.

Ele disse que Bolsonaro criou um “discurso de perseguição ao governadores” e de que os governadores “aproveitaram a pandemia para roubar”.

Witzel foi afastado do mandato e depois sofreu impeachment no ano passado. Ele é réu em processo que apura corrupção e lavagem de dinheiro. O caso tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Falta de diálogo

Witzel também reclamou da falta de diálogo do presidente com os governadores na pandemia.

“Não tínhamos diálogo com o presidente. O presidente não queria dialogar comigo”, disse.

Fonte: G1 / Texto: Marcela Mattos, Beatriz Borges e Sara Resende

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