Política

12 de junho de 2021 10:07

Presidente segue com discursos infundados

Cientistas políticos avaliam que a narrativa de Jair Bolsonaro sobre a confiabilidade das urnas é cortina de fumaça para 2022

↑ Urna eleitoral continua sendo alvo de ataques por parte do presidente (Foto: Edilson Omena)

Na última quarta-feira (9), em Goiás, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a afirmar ter havido fraude nas eleições de 2018, a qual foi eleito para o cargo que ocupa. Mais uma vez, as palavras do ex-capitão do Exército foram ditas sem a apresentação de provas. Para os cientistas políticos Ranulfo Paranhos e Luciana Santana se trata de algo sem fundamento.

“Bolsonaro usa essa narrativa porque tem uma base eleitoral que ‘compra’ esse discurso. Mas são cortinas de ferro e problemas falsos. Se a urna tem problema, por que ele aceitou a sua própria eleição em 2018? Se tivesse ocorrido fraude, ele não seria eleito. É bastante controverso defender de forma seletiva resultados eleitorais. Infelizmente, esse tipo de discurso causa o caos e a insegurança política no país”, crava Luciana Santana.

Durante seu discurso em Goiás, Jair Bolsonaro afirmou que a suposta fraude o jogou para o segundo turno das eleições de 2018. “Eu fui eleito [em 2018] no primeiro turno, eu tenho provas materiais disso, mas o sistema, a fraude que existiu, sim, me jogou para o segundo turno”.

Já Ranulfo Paranhos ressalta que a insistência nesse discurso prejudica o sistema democrático do país e reforça a narrativa da necessidade do haver voto impresso.

“Isso é muito ruim para o nosso sistema democrático e para o nosso sistema eleitoral por dois motivos. Você coloca em xeque o sistema eleitoral que, até então, não tem nenhum registro de fraude. E se coloca em xeque exatamente no momento em que parlamentares discutem o voto impresso, que, inclusive, aumenta os custos eleitorais em R$ 2 bilhões. O ministro Roberto Barroso [presidente do Tribunal Superior Eleitoral, TSE] criticou esse custo a mais para investir numa implantação de impressora nas urnas eletrônicas, mas não tem dinheiro para fazer o Censo”, comenta.

“Não tem a menor prova da fraude e o a gente só tem a perder, por todos os lados porque não é qualquer pessoa que faz essas ilações, é alguém que ocupa o principal cargo do Poder Executivo e que gerencia a maior fatia dos recursos da nação e é, inclusive, é responsável diretamente de leis econômicas. É como se o Estado estivesse tentando agir contra si”, completa Ranulfo Paranhos.

Ele ainda lembra o histórico de estudos sobre a urna eletrônica brasileira.

“Desde as eleições de 1996, desde os primeiros testes com as urnas eletrônicas, não existe registro de nem erro nem fraude eleitoral. O erro seria aquilo que o Aécio Neves levantou suspeita em 2014 e pegou muito mal até hoje. A fraude é quando alguém, deliberadamente, muda os dados, no caso, na urna eletrônica”, explica. “Ao fazer isso, o presidente planta mais uma polêmica sem prova. Eu, às vezes, acho que alguém falou isso para ele e ele acreditou nessa conversa. Daí, fica falando em apresentar provas, mas as tais provas nunca aparecem”, completa.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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