Política

5 de maio de 2021 18:40

Sobre Pazuello, Teich diz que ‘seria adequado’ ter ministro com ‘conhecimento’ em saúde

Teich prestou depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (5)

↑ Nelson Teich (Foto: Agência Brasil)

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich disse nesta quarta-feira (5) à CPI da Covid, ao ser questionado sobre a qualificação de seu sucessor, ex-ministro Eduardo Pazuello, para assumir a pasta, que “seria mais adequado” ter alguém com “conhecimento maior sobre gestão em saúde”.

Teich ficou 28 dias à frente do ministério, entre abril e maio do ano passado. Assim como seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, deixou a pasta por divergir com o presidente Jair Bolsonaro sobre medidas de combate à pandemia.

Depois de Teich, Bolsonaro alçou Pazuello, um general da ativa do Exército, ao posto de ministro. Na época, Bolsonaro exaltava os conhecimentos de Pazuello em logística. Diferentemente de Teich e Mandetta, Pazuello não contrariou Bolsonaro sobre o uso de cloroquina e o desprezo pelo isolamento social.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), quis saber de Teich se ele considerava que o sucessor tinha condições de assumir o cargo de “autoridade sanitária máxima no país”.

“Na posição de ministro, acho que seria mais adequado um conhecimento maior sobre gestão em saúde”, afirmou Teich.
Antes de ser ministro, Pazuello foi nomeado como secretário-executivo do ministério, função que o tornou o número dois na hierarquia da pasta, abaixo apenas de Teich.

Em seu depoimento, Teich disse que Pazuello foi indicado por Bolsonaro. Teich disse também que, naquele momento, entendeu que Pazuello poderia ser útil para a pasta, devido ao conhecimento em logística.

“Ele [Pazuello] foi indicado para mim pelo presidente”, afirmou. “Embora ele não tivesse experiência em saúde, eu contava que sob a minha orientação ele executasse de forma adequada o que fosse definido na minha estratégia de planejamento”, disse Teich.

“O fato de tê-lo nomeado, não significa que ele iria continuar se ele não performasse bem. Eu decidi [escolhê-lo] depois de falar com ele, não foi porque o presidente indicou. O presidente até indicou”, completou o ex-ministro.

Cloroquina

Teich disse também que, depois de menos de um mês no cargo, decidiu pedir demissão do ministério ao perceber que não teria a autonomia necessárias para tomar decisões.

Ele citou como exemplo o “desejo” do governo de ampliar o uso da cloroquina como remédio para combater a Covid, o que não tem eficácia, de acordo com estudos científicos. Bolsonaro, no entanto, tem sido um defensor do uso do remédio, desde o início da pandemia.

“O pedido específico [de demissão] foi pelo desejo [do governo] de ampliação do uso de cloroquina. Esse era o problema pontual. Mas isso refletia uma falta de autonomia e uma falta de liderança”, disse Teich.

O ex-ministro afirmou que a convicção pessoal dele, baseada em estudos científicos, apontava que não existia evidência da eficácia da cloroquina.

“As razões da minha saída do ministério são públicas, elas se devem basicamente a constatação de que eu não teria autonomia e liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo. Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação as divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19, enquanto minha convicção pessoal, baseada nos estudos, que naquele momento não existia evidência de sua eficácia para liberar”, completou o ex-ministro.

Imunidade de rebanho por contágios

Durante seu depoimento, Teich disse que é um erro buscar o controle da infecção pelo novo coronavírus por meio da chamada “imunidade de rebanho” por contágios, onde a transmissão da doença seria pequena devido à imunidade desenvolvida pela população através do contato com o vírus.

“Essa tese de imunidade de rebanho onde você adquire a imunidade através do contato, e não da vacina, isso é um erro. A imunidade você vai ter através da vacina e não através de pessoas sendo infectadas. Então, isso aí não é um conceito correto”, disse o ex-ministro da Saúde em resposta aos questionamentos da senadora Leila Barros (PSB-DF).

O presidente Jair Bolsonaro costuma utilizar o argumento para defender o fim de medidas que promovem o isolamento social. Bolsonaro costuma repetir que o novo coronavírus é uma “chuva” e que todos serão atingido pelo vírus.

“O que acabou acontecendo, eu até comentei antes, foi o que você teve nos lugares uma sobrecarga dos sistemas porque você teve muito mais casos do que o sistema podia receber. Isso é mais um item que deixa claro como é importante você já estar preparado gerencialmente para enfrentar uma pandemia. É uma coisa que a gente vai ter que aprender. Mas essa imunidade de rebanho através de infecção não. Isso é um erro”, declarou Teich à CPI.

Fonte: G1

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