Política

21 de janeiro de 2021 12:48

Somente Paulão e Tereza são a favor do impeachment

Tem crescido na Câmara dos Deputados a pressão de bancadas para que Rodrigo Maia (DEM-RJ) aceite o pedido de impedimento

↑ Paulão argumenta que são diversas violações e por isso o Congresso Nacional deveria abrir o processo (Foto: Sandro Lima/arquivo)

Devido à crise de saúde por conta da covid-19 e últimos acontecimentos em Manaus, onde pessoas hospitalizadas têm morrido por falta de oxigênio estocado nas unidades locais, vêm se intensificando as movimentações em torno de viabilizar a votação de um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em meio a isso, apenas dois dos nove deputados que compõem a bancada alagoana na Câmara Federal já se pronunciaram favoráveis ao afastamento: Paulão (PT) e Tereza Nelma (PSDB).

Os deputados Arthur Lira (PP), Pedro Vilela (PSDB) e Sérgio Toledo (PL) são contra o processo de impeachment. Os demais: Severino Pessoa (Republicanos), Isnaldo Bulhões (MDB), Marx Beltrão (PSD) e Nivaldo Albuquerque (PTB) ainda não se manifestaram, mas devido a posicionamentos anteriores a tendência é de que também sejam contrários ao impedimento do presidente.

À Tribuna Independente, o deputado Paulão (PT) disse ser a favor do impeachment e justificou seu posicionamento destacando que já vem tramitando na mão do presidente da Câmara mais de 30 requerimentos de impeachment contra o Bolsonaro por vários partidos, individualmente, de forma coletiva e todos eles com justificativa, colocando cada pauta onde o presidente infringe a legislação e viola a Constituição.

“Por tudo isso, já que tem várias violações à nossa legislação já tem justificativa para solicitar o impedimento desse presidente. Até porque a gente teve casos recentes que foi o da presidente Dilma e o argumento era só dá pedalada fiscal e felizmente não foi comprovado nada até agora. A presidente Dilma não responde a processo nenhum. Na realidade foi um argumento político”.

De acordo com Tereza Nelma, desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, até agora, não foi apresentado nenhum projeto da autoria do governo federal para melhorar a situação econômica e social da população. Ao contrário, suas propostas sempre visam tornar ainda mais difícil a vida dos que mais precisam.

“Nos últimos dias, a liberação de impostos para importação de armas, e o estabelecimento de impostos para importação de agulhas e seringas, é a síntese de maldades desse governo. Como em vários outros casos, coube ao Supremo Tribunal Federal proibir a anomalia”.

Deputada cita que país convive diariamente com um genocídio

Para Tereza Nelma, necessidade do país também passa pela segurança democrática e desenvolvimento (Foto: Edilson Omena / Arquivo)

Para a deputada federal Tereza Nelma (PSDB), a manutenção de recursos para pessoas com deficiência, e mesmo os auxílios emergenciais para combater os efeitos da pandemia da Covid-19 só foram realizadas por decisão do Congresso Nacional.

“Como disse um influente ex- ministro do STF, além de uma quantidade de violações à Constituição, pelo “conjunto da obra”, o presidente Bolsonaro já teria de responder por crime de responsabilidade. O governo também criou situações insustentáveis na política externa, isolando o país do resto do mundo, ao defender políticas mofadas da época da guerra fria, e de agressão ao meio ambiente. As devastações ilegais e as queimadas na Amazônia estão entre os males feitos de um governo que estimulou as derrubadas da floresta e reduziu a fiscalização sobre crimes ambientais”.

Ela ressalta ainda que, como se não bastasse, o país sofre um verdadeiro genocídio com o coronavírus, tendo um ‘presidente irresponsável’ estimulando a violação diária às medidas recomendadas pela ciência, e acatadas por governos e organismos internacionais em todo o mundo.

“Precisamos de paz e segurança democrática para retomar o desenvolvimento. Assim, chegou a hora de retirar da gaveta da mesa da Câmara dos Deputados os quase 60 pedidos de impeachment e começar os procedimentos legais para livrar o Brasil de tanta insanidade”.

A reportagem da Tribuna consultou a cientista política Luciana Santana para que ela fizesse uma avaliação sobre a possibilidade de ocorrer o impeachment de Jair Bolsonaro. Segundo ela, a abertura do processo de impeachment ainda é possível, mas depende da disposição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de acatar antes da eleição da mesa.

“Considero o timing um pouco desconexo por causa da finalização do mandato e também por causa da pandemia, mas condições e motivos há. Outra possibilidade é a eleição de Baleia Rossi (MDB-SP). Isso possibilitaria a abertura ainda este ano. A eleição da Câmara está indefinida e o voto secreto contribui para a incerteza. Se a pressão pelo impeachment permanecer, Baleia Rossi ganha força”.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

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