Política

16 de janeiro de 2021 10:21

Secretário da Fazenda diz que Alagoas se prepara para realizar ‘boom’ de investimentos

À frente da Sefaz, George Santoro aponta que 2021 será ano crucial para projetos do governo

↑ George Santoro (Foto: Edilson Omena)

Após cinco anos com a “chave” do Tesouro Estadual nas mãos, o secretário de Estado da Fazenda, George Santoro, conversou com a Tribuna Independente para fazer um balanço de sua gestão. Além de anunciar novos investimentos para este ano, o secretário afirmou que deve continuar no governo até o fim do mandato de Renan Filho (MDB) e descartou a possibilidade de enveredar por caminhos políticos.

Tribuna Independente – Secretário, em cinco anos de gestão, como o senhor avalia o trabalho à frente da Fazenda Estadual?

George Santoro – Quando a gente olha para trás não tem noção da quantidade de coisas que foram feitas. Em 2014, início de 2015, a Secretaria de Fazenda era uma situação muito triste, o grau de deterioração. Os servidores não tinham orgulho de trabalhar aqui e hoje essa mudança é muito clara. Hoje os servidores têm orgulho de trabalhar aqui, os servidores têm um bom ambiente de trabalho e isso é fruto de diversas mudanças que foram acontecendo ao longo desse tempo. A gente teve um trabalho de reestruturação de toda a parte financeira do estado e não foi um trabalho fácil. O estado tinha o 5º maior endividamento do país, sendo que o PIB era menor que a maioria dos estados, era completamente desproporcional o endividamento do seu tamanho. A gente reduziu muito o endividamento do estado. Alagoas devia 177% da sua receita corrente líquida e vai fechar o ano com menos de 70% de endividamento, é um resultado muito expressivo, com caixa bastante alto para poder fazer investimentos. Foram diversas reformas e a gente faz um balanço de muita felicidade da área financeira. Na área de receita a gente evoluiu muito, mas ainda temos muito a evoluir, a gente ainda não presta um serviço ótimo ao contribuinte, a gente está implantando algumas ferramentas para melhorar a vida do contribuinte, mas a gente ainda tem deficiências estruturais muito grandes. A gente está desenvolvendo um projeto chamado Profisco com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que vai iniciar este ano e durar cinco anos, no final, na próxima gestão ele vai entregar para o país uma secretaria completamente moderna na área financeira e na área de receita. Todos os serviços online, de forma mais rápida e acredito que isso vai ajudar muito o ambiente de negócio do estado e o meu balanço é muito positivo desse período todo, a gente tem um reconhecimento nacional, tanto na área fiscal, quanto na área de receita, alguns programas da gente são destaque, são programas de funcionários e a gente tem que continuar com esse ciclo de desenvolvimento aqui no Fisco.

Tribuna Independente – Essa boa avaliação citada motivou a rejeição do convite de administrar um orçamento de mais de R$ 31 bilhões no Rio de Janeiro e permanecer administrando os R$ 12 bilhões de Alagoas? O que motivou a decisão de não aceitar o convite de assumir a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro?

George Santoro – A gente tem ainda um compromisso com o governador de terminar o mandato com ele, assumi esse compromisso lá atrás e não gosto de mudar compromisso. Para eu mudar teria que ser acordado com ele, ou
seja, de fazer mudanças de projeto e eu não acho que esteja na hora de mudar, preciso concluir ainda. Esse ano vai ser importante para concluir vários projetos na Fazenda, não vi o momento para isso. Além disso, minha família está muito bem ambientada em Alagoas, vai ser muito difícil a gente sair daqui do Estado. Esse foi o motivo de não aceitar a proposta, não foi apenas uma, foram várias em vários momentos que a gente não aceitou e essa se tornou pública, acabou sendo divulgada pela imprensa. E que causou uma dor de cabeça enorme, dois dias de ligações para mim, mas foi bom, é um reconhecimento do trabalho e acho que isso é importante para o Estado, dá um peso maior, faz as pessoas olharem ainda mais para o estado.

Tribuna Independente – Ficar em Alagoas significa que tem pretensões políticas no estado, se acha ambientado o suficiente para isso?

George Santoro – Nunca tive pretensão nenhuma política. Nem penso nisso. Muito pelo contrário. Minha visão é sempre de fazer um bom trabalho. A questão política a gente convive, e todos nós participamos disso. Acho que o brasileiro precisa cada vez mais se envolver com questões políticas, porque no final é a política que melhora a vida das pessoas. Mas no final eu não tenho nenhuma pretensão de carreira política, nenhuma, zero. Mas isso não quer dizer que eu não queira continuar em Alagoas.

Tribuna Independente – Quando o senhor chegou a Alagoas, ainda em 2015, houve uma certa desconfiança em torno de sua nomeação, um questionamento até da própria sociedade sobre um secretário vir de fora do estado. Essa avaliação mudou a seu respeito?

George Santoro – É normal haver desconfiança sobre o que vem de fora, o que é diferente. Eu acho que há gestores muito qualificados em muitas partes do país. Nós temos vários exemplos, aqui no Nordeste, no governo de Eduardo Campos ele trouxe pessoas inclusive estrangeiras para trabalhar no governo dele. Acho importante a gente trazer valores para Alagoas para a gente treinar a mão-de-obra em Alagoas, essa troca de experiências não só do Brasil como do mundo… A gente trouxe vários projetos com instituições multilaterais. Esse ano, vamos iniciar um novo projeto, de um secretariado de dentro do FMI [Fundo Monetário Internacional] que vai treinar nossas equipes, planejamento, em gestão e finanças públicas. O programa da ONU Habitat, nós já ganhamos três prêmios internacionais, fruto do trabalho dos alagoanos, mas quem viu o trabalho dos alagoanos se a gente não fizesse a
interação internacional? O mundo é globalizado então a gente precisa ter essas pessoas de fora participando no nosso dia-dia. Fomos em Medelín fazer uma visita com o governador e as equipes técnicas do governo. Este ano vamos iniciar a construção de parques lineares nas grotas, trouxemos o arquiteto colombiano que fez o projeto para discutir com nossos arquitetos, engenheiros. Mas é natural haver essa preocupação. Mas eu acho que essa troca de informações é muito importante. Como temos alagoanos que trabalham fora em outros estados, em instituições Brasil afora.

Tribuna Independente – Em relação a benefícios fiscais, de que forma eles influenciaram na economia do estado, na arrecadação?

George Santoro – A gente tinha um cenário de que quase não havia benefício fiscal novo. A maior parte a gente reformou, tornando-os mais transparente, simples de fiscalizar e mais fáceis para o contribuinte. A gente tinha benefícios fiscais que tinham 60 mil alíquotas diferentes para um contribuinte grande do atacado. Quem aguenta isso? E o custo burocrático para fiscalizar isso? A gente simplificou, desburocratizou e colocou o controle na Nota Fiscal eletrônica que a gente implantou aqui no estado. Hoje, praticamente todos os cupons fiscais do estado são digitais. E eu tenho todos os acessos de controle e temos colocado tudo de forma transparente na internet. Temos um site onde a gente coloca todos esses benefícios e as empresas beneficiadas e isso dá um controle social muito grande. Quando o benefício é bem feito, bem desenhando, atrai boas empresas, porque o “cara está vindo para cá” para investir, gera empregos. A gente pegou um período muito ruim da economia brasileira, onde o PIB caiu dois anos seguidos, um desempenho muito ruim e mesmo assim nós trouxemos várias novas empresas e o setor hoteleiro explodiu em Alagoas, inclusive com redes internacionais. Isso faz com que o estado tenha uma agenda muito positiva. Uma Natura para vir para cá foram quase quatro anos de negociações. Não é uma coisa simples de benefício, é como se fosse um namoro, tem que conhecer ver se está tudo funcionando, se a convivência vai ser boa, se o que eu estou prometendo realmente eu vou cumprir. Então isso leva tempo para ter essa relação de confiança. A gente conseguiu isso, isso é muito positivo para o estado. O Nordeste não está perto dos grandes centros consumidores e a gente tem os benefícios fiscais com esse papel, de atrair os investimentos.

Tribuna Independente – Apesar da pandemia, o estado manteve investimentos importantes em vários segmentos, principalmente em obras e alguns com recursos próprios. A que se deve?

George Santoro – A gente fez um planejamento em 2015 de arrumar as contas do estado para a gente conseguir ter pelo menos um investimento de 10% da sua receita corrente líquida porque o estado não investia nada com recursos próprios. E a meta era conseguir até o fim do primeiro mandato do governador conseguir investir isso, a gente conseguiu, e até um pouco mais do que isso, e acho que é um ciclo que deve permanecer em Alagoas investir pelo menos 10% da receita corrente líquida, o investimento permanente é que faz que haja desenvolvimento econômico consistente em longo prazo. Para este ano temos uma expectativa de investimento muito maior, de 25%. Esses ajustes que fizemos, cada centavo é importante, cada programa mal construído e mal desenhado que a gente reviu, redesenhou e aplicou melhor tem repercussão. É um trabalho que eu chamo de sangue e suor, é um trabalho de dia-a-dia, de pequenos resultados que somam-se a viram grandes resultados, como a sobra de caixa que nós da capacidade de fazer investimentos grandes. Quem imaginava que teríamos seis novos hospitais em Alagoas, o estado que tinha a pior relação de leitos por habitantes do país, era tão pior que o segundo pior tinha o dobro do da gente. Quando a gente consegue construir esses hospitais a gente sai de uma pandemia mais leve, a gente conseguiu dar resposta a sociedade, se não tivesse esses hospitais como ia ser? Hoje a gente tem uma rede hospitalar bastante razoável, vai construir mais, mais UPAs, clínicas da família, num sistema que hoje é integrado. A Secretaria de Saúde hoje consegue saber onde tem leito, até na rede privada. Esse poder de coordenação é puramente gestão, gasto mínimo de um sisteminha para coordenar leitos e evitar mortes, e mortes é capital humano que é inestimável a perda.

Tribuna Independente – Considerando o momento vivido no país e no mundo, quais as perspectivas para o cenário econômico local em 2021? Existem setores mais sensíveis que exigem uma maior preocupação?

George Santoro – Eu estou com uma expectativa muito boa. Temos muitos empreendimentos que vão abrir já em 2021 e outros no início de 2022. Anúncio de novas cadeias hoteleiras vindo para o Estado, os voos internacionais aumentando, voltando da Argentina, isso é uma expectativa para o estado como um todo, mas a vacina é um fator que dá a ponderação de risco nosso. Se a gente vai atrasar muito, se não vai. Parece que vamos começar a vacinar no país a partir de janeiro, se isso acontecer temos um cenário muito positivo para 2021. A vacina é um fator de risco nosso. Fora isso, estou com uma expectativa muito grande.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel

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