Política

13 de janeiro de 2021 08:16

Agentes de saúde podem conscientizar contra a covid-19, diz especialista

Jonas Silveira, do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19, destaca ações que podem ser adotadas por nova gestão na Prefeitura de Maceió

↑ Centro de Maceió (Foto: Ascom Fecomércio/AL)

Logo na primeira semana à frente da Prefeitura de Maceió, JHC (PSB) criou um gabinete para formular e executar ações de combate à covid-19 na capital alagoana. Algumas medidas, inclusive, já estão sendo adotadas, mas para Jonas Silveira, do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19, da Ufal, os agentes de saúde podem atuar como educadores para orientar a população sobre proteção ao contágio pelo novo coronavírus.

Na avaliação do especialista, o aproveitamento dos agentes de saúde é baixo – não só em Alagoas, mas em todo o país.

“Eles têm uma capilaridade nos bairros, aproximação e confiança da população, que eles poderiam atuar em educação em saúde e reforçar a importância do uso das máscaras, da higienização das mãos, alguns cuidados que poderiam minimizar o contágio, mas que também mantivesse acessa uma luz sobre a percepção de risco”, comenta. “Estamos nesse processo de distanciamento social há muito tempo – alguns grupos nem tanto, seja por necessidade de trabalho, seja por desrespeito ao cuidado coletivo – e é importante que a população reconheça que pandemia não acabou, mas há uma luz no fim túnel, que são as vacinas, que passam por processo de validação pelas agências regulatórias no Brasil e no mundo”, completa Jonas Silveira.

O especialista ressalta o papel protagonista que Maceió pode ter no estado por ser referência aos demais municípios.

“A gestão nas políticas de saúde é organizada pelo Ministério da Saúde e pelo Governo do Estado, mas é o Município que implementa. Então, Maceió, por ser a capital e referência aos outros municípios, tem de ter protagonismo na execução das regras, normas e atividades-fim no cuidado da saúde das pessoas”, diz. “O papel de liderança nesse momento é importante, até porque vai envolver em certos setores da população a perda de capital político. Mas a perda política será muito menor agora ao articular tudo isso do que mais adiante, caso a população fique desamparada”, completa o professor da Ufal.

LOGÍSTICA

Outro ponto abordado por Jonas Silveira é a capacidade do Município de Maceió em realizar a vacinação da população. Segundo ele, a nova gestão da Prefeitura precisa checar a capacidade da rede municipal de saúde para receber os imunizantes e de fazê-los chegar à população.

“Maceió teria de se preparar para quando a vacina chegar. Caso a vacina precise de super congeladores, a gente tem isso disponível? Tem seringa e agulhas? Já há organização na rede de saúde para realizar a vacinação? É preciso pensar isso”, questiona. “O Município tem de fazer um plano de quanto tempo a vacina vai chegar, mas se ela chegasse hoje, o que estaria faltando para conseguir implementar essas ações? Todos esses cuidados precisam estar organizados”, completa o membro do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para Enfrentamento da Covid-19.

FISCALIZAÇÃO

Jonas Silveira também aponta problemas em relação à fiscalização do cumprimento das normas de prevenção ao contágio por covid-19 e ressalta a necessidade de mais ações educativas.

“Talvez seja a hora de pensar uma minimização de risco mais responsável, daí a importância da fiscalização, senão a gente cria uma circunstância artificial. São inúmeros os casos de aglomeração e a fiscalização do poder público não acontece”, afirma. “O ponto não é chegar numa perspectiva punitiva, mas, sim, educativa. É chegar e falar ‘muda isso’, não precisa chegar a multar logo de cara, pois é preciso entender o lado dos comerciantes, que precisam ganhar a vida, mas esse tipo de comportamento irresponsável acaba por destruir vidas, uma vez que cria uma cadeia de transmissão que a gente não sabe o que vai acontecer”, completa Jonas Silveira.

 

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