Política

31 de outubro de 2020 07:59

Sucessão de Renan Filho já tem debate antecipado

Líder da bancada federal se lança candidato e acredita em vitória na eleição de 2022

↑ Marx Beltrão e Antonio Albuquerque trouxeram o debate sobre as eleições majoritárias à tona mesmo quando o cenário atual se resume ao pleito nos municípios (Fotos: Edilson Omena e Ascom / ALE)

As eleições municipais nem chegaram ao seu final e figuras políticas já começam a lançar seus nomes para a disputa majoritária de 2022. O primeiro a se lançar, inclusive, foi o deputado federal Marx Beltrão (PSD), que está em segundo mandato na Câmara em Brasília e é o atual líder da bancada alagoana. Outro parlamentar, só que estadual, que também já fez referências a uma possível candidatura ao governo foi Antonio Albuquerque (PTB).

Em um vídeo que circula desde o início de outubro e ganhou repercussão estadual por conta da disseminação nos grupos de WhatsApp, o deputado federal Marx Beltrão admite, durante a campanha de seu irmão em Coruripe, que em 2022 será o governador de Alagoas.

“Em 2022, o Maykon [Beltrão] vai ser prefeito e eu vou ser governador de Alagoas. Nós vamos trabalhar em grupo para que a gente transforme este Estado e o nosso município”, antecipa o deputado federal.

Em contato com a Tribuna, eleitores de outros municípios alagoanos e até mesmo políticos com mandato têm dito que o parlamentar vem encerrando as suas participações nas campanhas de seus candidatos a prefeito reiterando que será o sucessor de Renan Filho (MDB) no Palácio República dos Palmares.

DISCURSO NA ALE

Durante um discurso que ganhou repercussão na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), no último dia 20 de outubro, o deputado Antonio Albuquerque chamou a atenção por dois assuntos, mas um deles não ganhou tanta projeção no cenário político eleitoral.

Com sete mandatos consecutivos de deputado estadual, tendo inclusive presidido o Legislativo, Albuquerque, em meio ao discurso que fez na ALE, chamou a atenção para uma discussão eleitoral, com vistas às composições de 2022.

“O que mais me surpreende nesse instante é que nós estávamos discutindo, apenas, as eleições municipais de 2020. Mas, este debate atual aponta para uma discussão de 2022 para o Governo de Alagoas. Modéstia à parte, o meu nome tem figurado entre aqueles que podem, no seu direito livre, soberano e democrático, disputar as eleições majoritárias de 2022, no entanto começam a repetir comigo as perseguições que me foram dirigidas em um passado recente na história do meu Estado”, contextualizou o deputado.

Naquela oportunidade de discurso, o deputado estadual Antonio Albuquerque tratou sobre um suposto complô com integrantes do Tribunal de Justiça de Alagoas, Ministério Público e Segurança Pública para incriminá-lo sobre a morte do acusado de tentar tirar a vida de seu filho, o hoje deputado federal Nivaldo Albuquerque (PTB).

CAMPANHA MUNICIPAL

Mesmo com a antecipação da campanha de 2022 em trato por algumas lideranças políticas, o governador Renan Filho, que está em seu segundo mandato, não vem se manifestado sobre apoios e conjunturas para o pleito de sucessão. Renan Filho vem se empenhando para eleger o ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público Estadual, Alfredo Gaspar (MDB) para prefeito de Maceió.

O governador também está participando de campanhas políticas de prefeitos aliados nos municípios alagoanos, sejam eles do MDB ou de outras legendas partidárias.

Apesar de não haver manifestação pública como a do deputado Marx Beltrão e do indicativo de Antonio Albuquerque, outros nomes aparecem na cota para disputa em 2022. São eles: o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (sem partido), que apoia Alfredo Gaspar na capital, e o senador Rodrigo Cunha (PSDB), que atualmente está na campanha do deputado federal JHC (PSB) à prefeitura de Maceió. Já o governador Renan Filho terá que encontrar um nome para a sua sucessão, já que o vice-governador Luciano Barbosa, expulso do MDB por disputar a eleição em Arapiraca, segunda maior cidade do estado, segue em campanha e, até o momento, rompido politicamente com o governador.

Sobrevivência política é sempre colocada à prova

Sobreviver politicamente e eleitoralmente. Este é o contexto quando há uma análise sobre discursos para antecipação de uma eleição em detrimento de outra. A avaliação é da cientista política e professora universitária, Luciana Santana.

“Existem alguns pressupostos na ciência política de que os políticos estão terminantemente pensando na sua sobrevivência política, e por isso, não é necessária uma situação, um resultado eleitoral para que ele possa externar isso no seu discurso”, ressalta Luciana Santana, em contato com a reportagem da Tribuna.

Luciana Santana acrescenta, ainda, que não existe um problema específico em adiantar uma disputa eleitoral, sobretudo no pleito em que são escolhidos o presidente, governador, deputados federais, senadores e deputados estaduais. No entanto, destaca a cientista política, as estratégias eleitorais precisam ser modificadas.

“O político age na interação com sua base eleitoral. Isso não significa necessariamente uma formalização de candidatura até porque a gente tem mais de dois anos pela frente e os cenários mudam, a conjuntura muda. As estratégias e os arranjos políticos são refeitos. Então, não vejo problema de isso acontecer. É uma sinalização, mas não é um decreto de que a candidatura ocorra. Faz parte do cálculo eleitoral, das estratégias de comunicações com as bases eleitorais, e de alguma maneira, uma forma do nome ser avaliado. Ou seja, o candidato vai jogar o nome para ver se tem adesão ou não; se a rejeição é alta ou não”, explica Luciana Santana.

Inclusive, finaliza a cientista política, ao lançar um nome para uma próxima disputa e que não seja o atual cargo exercido, o político terá que sentir como será o retorno de sua proposta. E nestes próximos dois anos, haverá a necessidade de composições, manter ou ampliar as bases eleitorais para que em 2022 o cenário seja aquele prometido na eleição passada.

Fonte: Carlos Victor Costa/Tribuna Independente

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