Política

31 de outubro de 2020 07:43

Marcelo Victor sem adversários na Assembleia

Eleição para presidente da ALE e membros da Mesa Diretora que seria em janeiro está marcada para ocorrer na terça-feira (3)

↑ Deputado estadual Marcelo Victor (Foto: Ascom / ALE)

Na próxima terça-feira (3), o deputado Marcelo Victor (Solidariedade) deverá ser reconduzido à presidência da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) para mais um biênio. Agora, sem qualquer indício de oposição a seu nome para comandar a Casa de Tavares Bastos.

Em fevereiro de 2019, quando se elegeu para presidir a Casa, o parlamentar já contou com 26 dos 27 votos possíveis. Inclusive, em sua chapa havia deputados tanto da oposição ao governo Renan Filho (MDB) quanto de sua base de apoio. Na terça, isso deverá se repetir.

À Tribuna Independente, o deputado estadual Galba Novaes (MDB), afirma que “a maioria dos parlamentares entendeu que a Mesa da Assembleia Legislativa criou uma oxigenação nos últimos anos, nas ações legislativas. Então, os parlamentares decidiram realizar a eleição na próxima semana, entendendo que o que está dando certo não se deve mudar. O presidente Marcelo Victor tem se mostrado um grande líder de seus pares, pelo respeito e interação com todos, inclusive valorizando a Casa, com o resgate de documentos e eventos históricos de sua existência centenária, para conhecimento da sociedade”.

E o deputado Davi Maia (DEM), oposição ao governo Renan Filho, adota tom semelhante ao do colega governista.

“Apoio, sim, a reeleição do presidente Marcelo Victor. Marcelo reúne as condições políticas para o bom desempenho legislativo da Casa e sempre respeitou as Prerrogativas dos Deputados, o que é muito importante para mim que faço parte da menor bancada da Assembleia, a bancada da oposição”, diz Davi Maia.

A condição de candidatura única foi, inclusive, confirmada pelo líder do Palácio República dos Palmares na Casa, o deputado Sílvio Camelo (PV).

“Marcelo Victor deverá encabeçar uma chapa única”, resume o parlamentar à Tribuna.

A eleição da Mesa Diretora da ALE deveria ser realizada só em fevereiro de 2021. Nos bastidores, há quem aponte que a antecipação é uma resposta às críticas do candidato palaciano à Prefeitura de Maceió, Alfredo Gaspar (MDB) à Casa.

Para cientista político, parlamentares ganham com a reeleição

Melhor custo-benefício. Em outras palavras, esse é o principal motivo para a recondução de Marcelo Victor à presidência da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), sem candidatura de oposição, na avaliação do cientista político Ranulfo Paranhos.

“Como ele conseguiu essa força? Existe nos grupos de elite política um processe de acomodação das forças e é nisso que um conjunto de parlamentares na ALE entende que o Marcelo Victor é o que melhor consegue conduzir a Casa. Eleição, disputa, briga por espaço de poder gera custos e desgastes. Então, é natural que – em qualquer processo – se eu optar pelo mais fácil, eu reduzo custos. É mais fácil racionalmente, se gasta menos capital político”, comenta. “O que os parlamentares observam que eles ganham mais com o Marcelo Victor porque se observa que ele faz política com espírito de corpo e isso permite que se consiga avançar”, completa Ranulfo Paranhos.

Ainda de acordo com sua avaliação, o próprio Governo do Estado já contava com a reeleição de Marcelo Victor.

“Essa previsão de sua reeleição já havia sido feita pelo próprio Governo do Estado, que não conseguiu frear esse processo. Isso está diretamente ligado à situação do Luciano Barbosa em Arapiraca, à possível desincompatibilização de Renan Filho em 2022 para se candidatar ao Senado. Ou seja, toda preocupação do governo em relação a 2022 diz respeito a esse movimento político do Marcelo Victor”, afirma o cientista político à Tribuna.

Ranulfo Paranhos ainda traça um paralelo entre o entendimento dos parlamentares e a decisão do vice-governador Luciano Barbosa em romper com os Calheiros.

“Olha o custo transacional do Luciano Barbosa em sair do governo e enfrentar esse grupo político organizado [MDB, dos Calheiros], ele vai ter de formar um novo grupo e custo disso é muito alto, tem de ter recursos político e econômicos, alcançar apoios em diferentes esferas da sociedade. Os parlamentares observam o baixo custo transacional. É uma escolha racional [reconduzir Marcelo Victor]”, analisa.

Se Renan Filho decidir concorrer ao Senado em 2022, Marcelo Victor poderá assumir o governo.

Fonte: Carlos Amaral/Tribuna Independente

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