Política

19 de setembro de 2020 08:04

Maceió: eleitores bolsonaristas tendem a se dividir

Análise dos cientistas políticos Luciana Santana e Ranulfo Paranhos também aponta para orfandade de votos à esquerda

↑ Luciana e Ranulfo analisam comportamento dos eleitores à esquerda e à direita em Maceió (Fotos: Sandro Lima / Arquivo)

O eleitor bolsonarista de Maceió tende a se dividir entre os considerados principais candidatos à Prefeitura na eleição deste ano: Alfredo Gaspar (MDB), Davi Davino (PP) e JHC (PSB). Os três possuem características que se aproximam do conjunto de ideias do presidente da República. Essa é a análise dos cientistas políticos Luciana Santana e Ranulfo Paranhos.

Luciana avalia que os três candidatos têm proximidade com pessoas ligadas ao presidente Jair Bolsonaro, mas entende ainda não ser possível dizer como o ex-capitão entraria na agenda de campanha.

“Ao longo da campanha é que a gente vai perceber quem vai se alinhar ao discurso. Eu acredito que esse alinhamento não vai acontecer de forma tão explícita, apesar da proximidade com um ou outro candidato. Não acho que é o voto em Bolsonaro ou voto com sua pauta que irá definir a eleição em Maceió. Acho que as discussões serão mais internas, de continuidade ou de renovação de quadros na Prefeitura, nas políticas desenvolvidas nos quase oito anos”.

Até o momento, o único candidato a prefeito de Maceió que já deu demonstrações de que seguirá a pauta bolsonarista é Josan Leite (Patriota), mas Luciana Santana não o vê, no momento, em condições de arregimentar o eleitorado do presidente por considerar que “essa eleição tende muito ao centro”.

Já Ranulfo Paranhos aponta que a reprodução do discurso bolsonarista se dará em todo o país, mas em Maceió, ele vê no deputado federal Arthur Lira (PP), próximo ao presidente da República, a figura que mais tentará colar a imagem do presidente em seu candidato, no caso Davi Davino.

“Mas a gente não sabe se isso terá resultado positivo. Se começar a dar votos, os outros tentarão copiar o discurso e parte da plataforma. Contudo, quando se vai para o debate é preciso refinar as respostas. E aí esse discurso populista tende a cair. Veja que o Bolsonaro fugiu dos debates, exatamente por falta de refino”, pondera Ranulfo Paranhos.

Mas, para os cientistas políticos, como ficam os eleitores alinhados mais à esquerda?

Esquerda está sem candidatura competitiva, dizem especialistas

Se os eleitores simpatizantes de Jair Bolsonaro têm opções de voto consideradas competitivas nas eleições deste ano em Maceió, o voto mais à esquerda sofre de certa orfandade por não ter mais um candidato eleitoralmente mais forte na disputa deste ano.

O nome com esse perfil seria o do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), mas ele abriu mão de sua candidatura para ser vice de JHC (PSB), devido a um acordo nacional entre  os partidos.

Os demais candidatos à esquerda, até o momento, não têm apresentado competitividade eleitoral. Exceto, ao menos pela sigla a qual pertence, JHC.

Os demais nomes da esquerda são: Ricardo Barbosa (PT), Lenilda Luna (UP), Valéria Correia (PSOL) e Cícero Filho (PcdoB).

Diante dessa situação, Luciana Santana avalia que apesar de Ronaldo Lessa ser um crítico a Jair Bolsonaro, não teria como saber se isso iria agregar na eleição, já que o ex-governador não ocupa cargo eletivo atualmente e, portanto, com menos visibilidade.

“Mas eu acho que a Lenilda Luna, da UP, a Valéria Correia, do PSOL e o Cícero Filho, do PCdoB podem fazer esse contraponto. Eles podem agregar, sim, simpatizantes de uma esquerda mais progressista e crítica ao governo Bolsonaro. Mesmo assim, eu não acredito que isso seja suficiente para fazer o prefeito ou a prefeita da capital. Por ser uma capital mais conservadora, dentre as do Nordeste, é muito complicado você dizer que existe uma representação tão forte de esquerda hoje com capilaridade eleitoral que possa disputar o pleito deste ano de forma competitiva em Maceió. Claro que quem está na disputa, todos podem, potencialmente, vencer. Mas tendo em vista as últimas pesquisas, esse é o diagnóstico que eu posso mencionar”.

Assim como Luciana, Ranulfo Paranhos acredita que os candidatos da esquerda, aqueles que fazem posição ideológica frontal ao presidente da República, não tem espaço histórico dentro de Alagoas.

“Então, ou seja, você vai ter candidato do PSOL, da UP, mas que não são efetivamente competitivos. A competição vai ficar realmente entre Alfredo, JHC, e um terceiro nome”.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

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