Cooperativas

14 de agosto de 2020 16:45

Reordenamento: “O primeiro passo é não tratá-los como inimigos”, diz Basile

A falha para reincidência problema segundo Basile, estaria na falta de apoio aos pequenos comerciantes do centro da cidade

↑ Basile lamenta situação de mercados públicos de Maceió (Foto: Divulgação)

O Mercado Público da Produção, o maior mercado da cidade, embora um dos mais antigos e tradicionais de Maceió segue ganhando espaço nas páginas de diversos jornais alagoanos. São denúncias e reclamações que vem gerando insatisfações por longas gerações.

Entre os 10 mercados públicos, os problemas se repetem. Restos de verduras cruas, raízes e tudo que não foi vendido acumulam lixo. Os comerciantes coletam o material e jogam em grandes lixeiros que se amontoam no decorrer das pequenas vielas da feira, além da estrutura alagadiça que abre um leque de reclamações, devido a reincidência dos problemas nas estruturas que precisam de manutenções constantes.

O problema já foi discutido ao menos pelos vereadores da cidade, com sugestões até mesmo de privatização do mercado principal, mas muito pouco foi feito desde então. A situação é ainda mais complexa, quando se percebe o desinteresse por parte da prefeitura, para resolver essa situação histórica.
Quando questionado sobre o problema durante entrevista com o jornalista Odilon Rios, o pré-candidato a prefeito de Maceió, Basile Christopoulos (PSOL), se mostrou preocupado com a causa, já que estreitou relações com os comerciantes das feirinhas e do mercado na campanha de 2018, quando conheceu aquela a realidade de perto.

Segundo ele, não existe uma proposta para resolver isso e a possibilidade de venda talvez seja uma alternativa ruim para Maceió, uma cidade que vive em extrema pobreza, com 30% população sem acesso a esgoto sanitário e sem acesso à educação formal.

Basile diz que a visão é de precariedade e abandono, visto que hoje se tem um orçamento bilionário em Maceió, o que viabilizaria a reestruturação total de pelo menos um mercado público por ano. “Estive no Mercado do Tabuleiro várias vezes, antes da campanha, durante a campanha e depois da campanha. A situação não melhorou, só existem promessas. É ainda pior que o Mercado da Produção. Fico pensando, será que custa muito caro organizar as barracas, fazer uma infraestrutura melhor, nivelar calçadas? Uma cidade como Maceió, com orçamento bilionário todos os anos você não ter cinco milhões para resolver um problema histórico?”, lamentou.
Com o desemprego em alta, a problemática piora ainda mais quando o assunto chega no centro da cidade, onde ambulantes se aglomeram em meio às ruas vendendo alimentos. O assunto já gerou protestos e causou indignação coletiva, devido a forma de condução dos comerciantes durante o reordenamento das ruas, considerada por eles como “truculenta”.

O impasse entre ambulantes e prefeitura de Maceió é antigo. Eles ocupam as ruas do centro por um período, a prefeitura realiza uma ação de reordenamento para retirá-los, o calçadão é desocupado, mas depois os ambulantes voltam alegando que não conseguem fazer vendas no novo local destinado a eles.

A falha para tal problema estaria na falta de apoio aos pequenos comerciantes, que buscaram renda com esse segmento, atuando de forma positiva na realidade de várias famílias pobres no estado. ” Essas pessoas são esquecidas, e o estado só mostra o cassetete para expulsar aqueles que dependem daquilo para sobreviver. O que é preciso na verdade é organizar o sistema e os comerciantes para que as pessoas possam circular livremente. O primeiro passo é não tratá-los como inimigos”, ressaltou.

Dizer que um plano já estaria pronto para sanar essa questão seria um erro, segundo Basile, já que ele prefere construir coletivamente junto com os comerciantes, para alinhar diversos interesses. O objetivo seria adequar tudo a uma realidade que ofereça segurança e bons empregos, já que nesse momento a pandemia está destruindo com severidade muitos empregos, boa parte por irresponsabilidade de diversos setores do estado.

“Não foi debatido em Maceió, por exemplo uma renda complementar para pessoas mais pobres, só se fala na reabertura do Comércio, mas não pensam se as pessoas têm recursos para comprar. Qual seria uma alternativa econômica local? Em vários lugares do mundo, já é possível projetar moedas locais para incentivar o consumo na região”, sugeriu Basile.

Vale lembrar que essa realidade já foi aplicada no interior do estado, quando uma cooperativa desenvolveu moeda própria com desconto de 4%, para quem optasse comprar no comércio local com as novas cédulas. Esse, seria um incentivo para que as pessoas mais pobres possam comprar bons alimentos alimentos e produtos mais baratos, para evitar que essas pessoas façam suas compras em supermercados internacionais.

Fonte: Assessoria

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