Política

31 de julho de 2020 08:51

Empresa que permitiu cavalo para Bolsonaro em aeroporto recebe placa do Exército

Aglomeração causada pelo presidente, que montou em um cavalo na área de desembarque do Aeroporto de São Raimundo Nonato, no Piauí, contraria protocolo da Anac sobre o coronavírus

↑ (Imagens: Reprodução)

Esta quinta-feira (30) foi marcada por uma cena peculiar: o presidente Jair Bolsonaro, ao desembarcar no aeroporto internacional de São Raimundo Nonato, no Piauí, montou em um cavalo na área externa do aeroporto, tirou a máscara e provocou forte aglomeração.

Na noite de quarta-feira (29), a Esaero, empresa que administra o aeroporto, fez uma postagem em seu perfil do Instagram anunciando a chegada do presidente. “Tudo pronto no Aeroporto Serra da Capivara, para receber o Exmo Presidente da República”, escreveu a companhia na legenda de um vídeo que mescla fotos do avião presidencial e do aeroporto, com uma música de tom épico.

Após a passagem de Bolsonaro pelo aeroporto, o perfil da Esaero no Linkedin fez uma postagem falando sobre a chegada do presidente, relatando que foi uma “situação atípica” e dizendo que passou “a semana se preparando pra essa visita, e deu todo suporte necessário para a equipe oficial do Presidente”.

(Imagens: Reprodução)

Na postagem, foi exibida a foto de uma placa de agradecimento do Exército Brasileiro, assinada pelo tenente coronel Gustavo Luiz de Lima Correia, agradecendo à empresa pelo “destacado apoio prestado” na recepção de Bolsonaro.

O “apoio” prestado pela Esaero, no entanto, não respeitou um protocolo da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), publicado em 19 de maio, que institui como medida para a prevenção do coronavírus a distância mínima de 2 metros entre as pessoas em aeroportos. As dezenas de pessoas que se aglomeraram na área de desembarque do aeroporto para recepcionar Bolsonaro encostaram umas nas outras, inclusive no próprio presidente.

Grande parte das pessoas presentes no aeroporto não utilizava máscara de proteção, o que contraria decreto do estado do Piauí que instituiu uso obrigatório do acessório em espaços públicos, sob pena de multa de R$ 500 a R$ 1000. O próprio Bolsonaro, em determinado momento, já montado no cavalo, retirou sua máscara.

Sobre a presença do cavalo na área de desembarque do aeroporto, Fórum tentou contato com a Esaero para obter um posicionamento da empresa. Sem sucesso por telefone, a reportagem enviou um e-mail para a empresa questionando se a presença deste tipo de animal na área externa do aeroporto é permitida e se houve algum tipo de autorização.

Também foi questionado que medidas a empresa que administra o aeroporto vem tomando para evitar aglomerações como a que foi observada nesta quinta-feira.

Até a publicação desta matéria a Esaero não havia dado retorno.

Fonte: Revista Fórum / Ivan Longo

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