Política

29 de maio de 2020 08:07

Pistoleiros aterrorizam trabalhadores rurais em Atalaia

MST denuncia tentativa de crime em Atalaia e acusa ex-deputado de ser mandante

↑ Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra informou que os pistoleiros chegaram intimidando numa Hilux (Foto: Divulgação / MST)

Manhã de quarta-feira, 27 de maio, Fazenda Santa Tereza, em Atalaia, interior de Alagoas. Pistoleiros chegam ao local numa caminhonete Hilux, de placa ORL 8800 efetuando disparos com pistolas e espingardas calibre 12. Além dos tiros, trabalhadores rurais também foram agredidos fisicamente. Isto é parte do relato de 150 famílias que ocupam o local há cerca de 8 anos, cujas agressões teriam iniciado há 15 dias.

Ainda de acordo com as famílias, tratores destruíram parte da produção de alimentos do local. Estes foram abastecidos por um caminhão com identificação da Usina Santa Clotilde. Toda essa violência é para forçar a saída destas famílias da área. A Fazenda Santa Tereza pertence ao empresário e ex-deputado federal João Lyra.

Atualmente, as 150 famílias possuem ligação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas ocuparam o local bem antes disso. De acordo com Margarida da Silva, dirigente nacional da organização, “Elas pediram nossa ajuda após o início das ameaças e vamos ajudá-las a conquistar essa terra, pautando isso junto ao Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]”.

Ainda de acordo com Margarida da Silva, a suspeita é que os pistoleiros sejam ligados ao ex-tesoureiro da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) e ex-deputado estadual Nailton Felizardo, envolvido na famigerada Operação Taturana, em 2007. Em nota, o MST aponta para notícias de que a investida para a retirada das famílias da Fazenda Santa Tereza tem o envolvimento de personagens com poder político e econômico na região.

“Repetindo o histórico de envolvimento em consórcios para fazer o enfrentamento direto contra a luta pela terra no município de Atalaia, que nas últimas décadas já assassinaram três lideranças no campo de Atalaia”, diz o MST.

Já na manhã de quinta-feira (28), as famílias que ocupam a Fazenda Santa Tereza registraram Boletim de Ocorrência na delegacia de Atalaia e também acionaram o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh).

“Acompanhados de advogado, e Superintendente de Direitos Humanos e da Secretária da Semudh, Maria José, os trabalhadores prestaram depoimento relatando todos os desdobramentos das ameaças na região, além de exigir que o caso seja acompanhado pelas autoridades competentes do poder público”, relata a nota do MST.

A reportagem tentou contatar a assessoria do ex-deputado federal João Lyra, mas sem sucesso. Também não foi possível contatar o ex-deputado estadual Nailton Felizardo.

Em nota, a Semudh destaca sua atuação junto ao caso como articuladora para que tudo seja apurado.

“As famílias residentes no acampamento relataram o uso de violência por parte das pessoas que tentaram por força própria uma reintegração de posse – que é ilegal. Inclusive, até as reintegrações de posse judiciais estão suspensas, dado o estado de pandemia que estamos vivendo. Sendo assim, acompanhamos as vítimas durante a abertura de inquérito policial e notificaremos outras forças competentes para o caso, como o Ministério Público Estadual”, diz a Secretaria.

Fonte: Tribuna Independente

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