Política

26 de maio de 2020 08:25

Alagoas dobrou leitos em combate à covid-19, diz Renan Filho

Governador destacou término de vagas na rede privada de saúde

↑ Governador Renan Filho disse, ainda, que o lockdown em outros estados não está surtindo o efeito esperado (Foto: Sandro Lima / arquivo)

Em entrevista nesta segunda-feira (25) ao canal CNN Brasil, o governador Renan Filho (MDB) falou sobre a pandemia e as medidas de combate ao coronavírus em Alagoas. Um dos principais pontos tocados por ele foi de que não há mais vagas na rede privada hospitalar.

“Alagoas antes dessa crise tinha apenas na rede pública 180 leitos de UTI. Nós mais do que dobramos e um grande problema do Nordeste, diferentemente do Sul e Sudeste, especialmente, percebido também no Centro-Oeste em alguns estados e no Norte, é que nessas regiões mais pobres do país a rede privada de saúde, filantrópica, é menor do que a rede pública, de maneira que aqui já não há mais vagas na rede privada. Enquanto o Sistema Único de Saúde [SUS] passa a ser a única porta para atender praticamente toda a população. Diferentemente do que ocorre no Sul e Sudeste onde a rede pública está mais apertada do que a rede privada”.

Renan Filho destacou que é fundamental que as pessoas contribuam e colaborem com as medidas de isolamento social, porque, segundo ele, somente elas nesse momento são capazes de evitar o adoecimento de muita gente ao mesmo tempo e assim colapsar a rede hospitalar.

“Por ora, nós estamos com a taxa de ocupação em torno de 70%. O estado fez um esforço grande nos últimos 60 dias dessa pandemia. Chegamos a mil novos leitos no último final de semana, dos quais 204 são leitos de UTI e os outros são clínicos, de enfermaria”.

Questionado sobre a possibilidade de decretar lockdown em Alagoas, o governador ressaltou que tem estudado todas as possibilidades. Porém, ele lembrou que as medidas mais duras tomadas em algumas regiões do país não têm demonstrado na prática e não tem sido aferido tecnicamente a elevação do isolamento social.

“O Estado age de duas maneiras nesse momento, por um lado amplia a rede de oferta em saúde, com novos leitos de enfermaria e novos leitos de UTI e por outro lado pede ao cidadão que colabore com as medidas de distanciamento social e exige alguns procedimentos, como por exemplo o uso de máscaras e coisas dessa natureza. Estamos com um percentual importante e significativo da nossa economia com atividades suspensas, o lockdown suspenderia tudo, absolutamente tudo. De maneira que se isso gerasse uma elevação significativa do percentual de isolamento essa medida seria mais efetiva e já estaria em uso em bem mais estados do que está agora, entretanto não se tem verificado isso nos últimos dias”, explicou Renan Filho, acrescentando que Alagoas tem ficado sempre entre os 10 estados com maior percentual de isolamento social no país.

Cloroquina segue utilizada em Alagoas, se tiver recomendação médica

 

O governador Renan Filho falou ainda sobre o procedimento do uso da cloroquina no estado. Segundo o governador, a Sociedade Alagoana de Infectologia estabeleceu um método em Alagoas de ofertar o medicamento para caso de internação hospitalar e não para casos leves.

“Nós já estávamos utilizando a cloroquina aqui em Alagoas antes dessa alteração do protocolo do Ministério da Saúde. Vamos seguir utilizando a cloroquina, seguindo a recomendação médica local e deixando sempre a critério do médico, mesmo que a recomendação seja essa, se o médico prescrever a cloroquina para um paciente com sintomas leves da doença, o estado não vai proibir, o estado não deve proibir o médico de prescrever o medicamento se ele entender que o paciente precisa. Nós vamos disponibilizar, entretanto há uma recomendação da sociedade alagoana de infectologia que recomenda o uso de cloroquina apenas para pacientes em internação hospitalar e no estado nós vamos respeitar a recomendação médica”, garantiu o governador, ainda entrevista à CNN Brasil.

REUNIÃO BOLSONARISTA

O governador de Alagoas também foi indagado sobre a reunião ministerial da presidência da República, divulgado após decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o maior problema da reunião foi não ter sido debatido em nenhum momento a pandemia que o país vem enfrentando.

“O maior problema daquela reunião para o povo brasileiro é que não foi debatido a pandemia, saídas para essa crise, soluções para as diferenças regionais que o país possui. Qual o auxílio que o governo federal vai dá para que as questões de saúde pública e que tenha uma maior eficácia? E que o Brasil não se transforme no polo mundial de mortes por covid-19. Para mim isso foi o que mais chocou porque a gente espera que reuniões de alta cúpula administrativa encaminhe solução para os principais problemas da República e o principal problema da República hoje é sem dúvida a pandemia causada pelo novo coronavírus. Infelizmente ela não esteve presente naquela reunião”, disse.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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