Política

29 de abril de 2020 07:57

Arthur Lira nega ter negociado cargo com Jair Bolsonaro

Segundo parlamentar, informação de que o presidente lhe ofereceu o comando do Banco do Nordeste é 'mentira deslavada'

↑ Câmara dos Deputados vem tratando da reforma eleitoral e presidente Arthur Lira garante que o debate ainda não avançou (Foto: Sandro Lima/arquivo)

O deputado federal Arthur Lira (PP) classificou como “mentira deslavada” as informações de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em tratativas para se aproximar do chamado “centrão” no Congresso Nacional, teria lhe oferecido o comando do Banco do Nordeste.

Segundo parlamentar, tudo não passa de armação de adversários políticos. À Tribuna, ele afirma que tudo não passa de uma “mentira deslavada e desnecessária nesse momento, montada por adversários políticos. Não tratamos sobre isso”.

Arthur Lira também reclama da postura de parte da imprensa ao abordar as movimentações dos partidos do chamado “centrão”, termo, aliás, desaprovado por ele.

“Quando votamos matérias que alguns meios de comunicação aprovam somos ‘centro’ quando não somos ‘centrão’. Interessante, não é?”, questiona o parlamentar.

Na última sexta-feira (24), veículos de comunicação, tendo como primeiro a Revista Veja, por meio da coluna Radar noticiaram que Jair Bolsonaro ofereceu o comando do Banco do Nordeste a Arthur Lira. Em troca, segundo as reportagens, o chamado “centrão” passaria a jogar peso na Câmara dos Deputados para anular seu presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O “centrão” possui 200 deputados.

O deputado acionou judicialmente Robson Bonin, autor na nota da coluna Radar que originou as reportagens sobre a tratativa.

ANÁLISE

A aproximação do presidente Jair Bolsonaro com os partidos do “centrão”, em especial com o deputado federal Arthur Lira, não é positiva para Alagoas. A avaliação é a cientista política Luciana Santana. Segundo ela, entre os fatores, está a relação conflituosa entre o Palácio do Planalto e os governadores do Nordeste.

“Não vejo as aproximações como positivas porque, em meu ver, seria algo mais individual, centrado na base eleitoral do Arthur Lira e, consequentemente, prefeituras e candidatos a prefeito poderiam ser beneficiados. Não vejo como Alagoas possa ser beneficiada de uma relação bastante problemática, tanto porque Bolsonaro, declaradamente, se posiciona com críticas fortes aos governadores do Nordeste e tem boicotado suas iniciativas”, comenta a cientista política.

Em relação ao Congresso Nacional, Luciana Santana ressalta que a movimentação do presidente em direção ao “centrão” busca apoio mínimo para eventual processo de impeachment.

“Essa aproximação é extremamente ocasional e está relacionada com o fato de o Bolsonaro não ter apoio nenhum dentro do Congresso. Ou que tem é muito pequeno. Essa aproximação seria para ele conseguir o mínimo de governabilidade e também que um eventual processo de impeachment possa ser barrado. Mas esses deputados do não são uma base fiel e a pressão popular pode influenciá-los”, analisa.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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