Política

26 de março de 2020 07:58

Parlamentares de AL no Congresso e representantes comerciais divergem de Bolsonaro

Governador Renan Filho e prefeito de Maceió Rui Palmeira mantiveram medidas de isolamento social

↑ Renan Filho garante que Governo do Estado segue firme na proteção às pessoas e enfrentamento ao Covid-19 (Foto: Sandro Lima/arquivo)

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a pandemia de coronavírus (Covid-19) de terça-feira (24), no qual ele defende o fim do isolamento social – exceto para idosos e enfermos –, repercutiu entre os chefes do Poder Executivo do Estado, Maceió, bancada federal e do comércio de Alagoas. Alguns parlamentares preferiram não comentar a fala na contramão do mundo do ex-capitão, mas os que fizeram se posicionaram contra o ocupante do Palácio do Planalto.

A deputada federal Tereza Nelma (PSDB) classificou a fala de Jair Bolsonaro como imoral.

“Provocações não minimizarão os graves impactos que o país enfrenta hoje e vai enfrentar nos próximos meses. Estou horrorizada com seu posicionamento, não compactuo com essas ações”, afirma a parlamentar em suas redes sociais.

O deputado federal Paulão (PT) afirmou que o pronunciamento “é um desrespeito à ciência e aos profissionais de saúde que recomendam medidas preventivas contra o coronavírus. Esse sujeito tem que ser interditado. É uma aberração contra a democracia”.

Já JHC (PSB), sem citar o presidente diretamente, defende a manutenção das medidas adotadas pelos governadores. “Até que haja um plano objetivo de confinamento vertical, com compensação às pessoas e empresas que participarão desse processo, a sociedade deve continuar seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde [OMS] e do próprio Ministério da Saúde do Brasil”.

Também contrário à fala de Jair Bolsonaro, o deputado federal Severino Pessoa (Republicanos) ressalta a preocupação com a economia, mas “o momento é priorizar as vidas das pessoas. Sou a favor do isolamento social sim, visto que essa determinação partiu da OMS, de profissionais de medicina de todo o mundo, inclusive do Brasil, e até do próprio ministro Mandetta. O Brasil não pode seguir uma determinação que vai na contramão de todos os países do mundo”.

A reportagem contatou os demais deputados federais e os três senadores de Alagoas, por assessoria ou diretamente, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

EXECUTIVO

Ambos os chefes dos poderes Executivo de Alagoas e de Maceió, governador Renan Filho (MDB) e prefeito Rui Palmeira (sem partido), se manifestaram publicamente sobre a fala de Jair Bolsonaro. Ambos apelaram à população para ficarem dentro de suas casas.

“A orientação é para os cidadãos permanecerem em casa. É um momento grave que estamos vivendo no nosso país e no mundo, e reforçamos a necessidade de as pessoas só saírem de casa em situações de extrema necessidade”, diz Rui Palmeira.

Já Renan Filho, reafirmou que “apesar do pronunciamento do presidente da República na noite de terça-feira, que vai de encontro à recomendação da Organização Mundial da Saúde, manteremos com firmeza e serenidade nossas ações, lastreadas em estudos científicos e ouvindo as nossas melhores mentes que estão conosco permanentemente reunidas”.

FECOMÉRCIO

As medidas de isolamento social adotadas por governadores de todo o país têm gerado incerteza entre empresários, diante de prejuízos pro estarem com as portas fechadas. Entretanto, para Gilton Lima, presidente Federação do Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio), defende que a saúde das pessoas é mais importante.

“Enfrentamos um momento delicado e que traz impactos para as empresas do comércio e para a sociedade, pois vendas paradas representam o desaquecimento da economia e, como consequência, o desemprego. Porém, compreendemos que é preciso pensar no coletivo e respeitar as medidas sanitárias recomendadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde, bem como cumprir a determinação legal imposta pelo Governo Estadual. Não poderemos reerguer a economia se não cuidarmos de nosso capital humano”, afirma Gilton Lima.

DIVISÃO

Já a Associação Comercial de Maceió, por meio de sua assessoria de comunicação, diz que não vai se pronunciar, “por enquanto”, sobre o pronunciamento de Jair Bolsonaro. Contudo, uma fonte próxima à direção da entidade revela haver divisão entre seus diretores.

“Uma parte quer reabrir seus estabelecimentos, outra quer seguir com as medidas do Governo do Estado. Não há consenso lá dentro, exceto sobre o desastre da fala do presidente”, diz a fonte que adianta que um grupo da direção quer pedir ao governador Renan Filho que ele não renove o decreto que instituiu a quarentena em Alagoas.

PÓS-FECHAMENTO

Após o fechamento da edição desta quinta (26) da Tribuna Independente, a assessoria do senador Rodrigo Cunha enviou seu posicionamento, publicado aqui pelo portal Tribuna Hoje.

“Governantes do mundo todo concordam que a melhor forma de conter o alastramento do coronavírus é por meio do isolamento social, inclusive é esta a recomendação do Ministério da Saúde. Então, qualquer orientação diferente desta vai na direção contrária do que orientam o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, e coloca a saúde das pessoas em risco. O momento não permite que percamos tempo com críticas políticas que só contribuiriam para aumentar a polarização. A hora é de concentrarmos todos os nossos esforços e energias para as ações de enfrentamento ao coronavírus”, diz o senador.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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