Política

25 de janeiro de 2020 08:57

Mesmo em crise, Ufal evitou evasão de alunos

Prestes a deixar o comando da universidade, Valéria Correia faz balanço das ações

↑ Valéria Correia conseguiu manter obras importantes em andamento (Foto: Edilson Omena)

Primeira assistente social eleita para reitora na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e primeira do Brasil, a professora pós-doutora em Serviço Social, Valéria Correia construiu a sua gestão a partir de dois pilares: a integração social e a assistência estudantil.

Oriunda dos movimentos sociais e egressa do curso de serviço social da Ufal, a gestão de Valéria Correia é marcada por índices positivos de desempenho acadêmico dos universitários e a abertura da universidade para a comunidade local.

Segundo dados obtidos no Portal da Transparência da Ufal, em 2019 a universidade possuía 30 mil alunos matriculados e 3.500 servidores efetivos. Empresas prestadoras de serviços, como conservação, limpeza e segurança somavam quase 1.000 trabalhadores dentro da universidade.

Uma nota técnica emitida pela reitoria em março de 2019, apontava que o orçamento anual da Ufal para aquele ano era de R$ 848.502.231,00. Em termos de comparação, este orçamento se aproxima do orçamento da cidade de Arapiraca para 2020, a segunda maior cidade de Alagoas. Administrar estes valores, dialogar com a comunidade acadêmica e a sociedade alagoana exigiram de Valéria Correia uma gestão mais próxima dos estudantes da Ufal, dos parlamentares alagoanos e da população em geral.

Ainda segundo a nota técnica, “mesmo frente a esta conjuntura que já se mostrava adversa desde 2015 e que se agravara em 2019, a Ufal mostra evolução na qualidade do atendimento a sua comunidade e à sociedade. Em 2018, a Ufal, realizou a SBPC com legados para a universidade em equipamentos e infraestrutura; através de política ‘nenhuma obra parada’ assumimos o compromisso em 2016 de finalizar as obras em andamento, apesar da queda anual dos recursos em investimento”, aponta a nota.

Para Valéria Correia, após o afastamento oficial da gestão universitária, a qualidade acadêmica dos estudantes hoje é resultado desta política de permanência dos alunos na universidade.

“Dados de uma pesquisa recente apontam que 80% dos estudantes da Ufal têm renda per capita de 1 e 1/2 salário mínimo e que 38% de estudantes com renda per capita de meio salário mínimo.”, aponta a professora que segue no cargo até o dia 31/01.

MEC voltou a credenciar ações da universidade

Com foco da gestão na assistência estudantil, Valéria Correia afirma que entende como as condições sociais implicam no processo de ensino-aprendizagem dentro da universidade.

“Se não tiver o restaurante funcionando, o auxílio-moradia, ou bolsa estudantil, as famílias não conseguem manter os estudantes dentro da universidade. Sem esta proteção, os estudantes desistem do curso superior. Esta foi uma decisão da nossa gestão desde o início. Passamos por

33 processos de avaliação e foi a primeira vez em 20 anos que a universidade foi recredenciada ao MEC [Ministério da Educação] para uma avaliação como um todo. A universidade foi muito bem avaliada e o grande problema detectado foi à descontinuidade dos recursos públicos para manter a instituição”, avalia a professora.

Dados divulgados durante a gestão da reitora Valéria Correia demonstraram que a opção de priorizar a assistência estudantil, através de programas como a residência universitária, restaurante universitário, bolsa permanência e bolsa de pesquisa fizeram a diferença na qualidade acadêmica da Ufal nos últimos quatro anos.

Um dos dados que chama a atenção é a presença da Ufal no World University Rankings (WUR), divulgada em outubro de 2019, que é o ranking das principais universidades do planeta. Realizada há 15 anos pela revista inglesa Times Higher Education (THE), a Ufal foi citada entre as melhores universidades, estando entre as mil melhores universidades do mundo, classificadas entre 1001 a 1396.

Cursos voltaram a funcionar regularmente

A reitora da Ufal, Valéria Correia, informou também que seis cursos que estavam com protocolo de compromisso (funcionando precariamente) foram regularizados e também implementos dois novos cursos: de Engenharia Elétrica e Agroecologia.

“Um dos índices que mais me orgulha é a diminuição da evasão estudantil, pois isto quer dizer que os recursos públicos estão sendo bem investidos. Destaco aqui a participação da pró-reitoria estudantil neste processo, já que a permanência dos estudantes é fundamental para alcançarmos estes índices”, afirma Valéria Correia.

OBRAS PARADAS FORAM CONCLUÍDAS

Um dos pontos definidos pela gestão de Valéria Correia, ainda em 2017 foi a de dar prosseguimento às obras de expansão da Ufal que já estavam iniciadas e não começar novas obras, já que no ano anterior o cenário era de contenção de despesas na educação superior. Um dos destaques nas obras entregues pela gestão da professora Valéria Correia é a do complexo esportivo universitário, o maior do estado de Alagoas.

NOMEAÇÃO

Para a professora Valéria Correia, agora reitora honorária da Ufal, o importante de todo o processo de consulta e escolha para reitor foi a participação democrática.

“Nós respeitamos a autonomia universidade e o resultado da consulta. Ficamos felizes e aliviados pela nomeação por parte do governo Bolsonaro do professor Tonholo [mais votado] na semana passada, pois isso garantiu a autonomia universitária e também o estado democrático. Sabemos que a realidade em algumas universidades no Brasil não é esta, com a nomeação de interventores ou do terceiro colocado”.

Fonte: Tribuna Independente / Jairo Silva – colaborador

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