Política

18 de janeiro de 2020 13:49

 PT está aberto ao diálogo com partidos

Em busca de se fortalecer no processo eleitoral, a legenda pretende eleger um ou dois vereadores na capital alagoana

↑ Marcelo Nascimento, presidente do PT em Maceió (Foto: Sandro Lima)

O PT está longe de reproduzir a influência política que exerce no Brasil como maior partido de esquerda do país. Em Maceió, a legenda sempre encontrou dificuldades em eleger seus candidatos, tanto para o parlamento, quanto para a prefeitura. Este ano, o horizonte partidário é o de eleger ao menos um vereador, além de apresentar candidatura própria para a prefeitura da capital alagoana. Contudo, segundo o presidente municipal do PT, Marcelo Nascimento, sem abrir mão do diálogo com os partidos que fazem oposição ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso Nacional, inclusive com o PSB, do deputado JHC, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

 

Tribuna Independente – O PT possui duas pré-candidaturas à Prefeitura de Maceió, a de Ricardo Barbosa e a de Luciana Caetano, mas o partido sempre que avaliou necessário abrir mão de candidatura, o fez. Este ano, um nome do PT para a prefeitura é irreversível?

Marcelo Nascimento – Pela conjuntura nacional, há uma polarização entre o governo Bolsonaro e o PT, por ser o principal partido da oposição no país. Então, a orientação da direção nacional do partido é que, principalmente nas capitais, a gente apresente nomes para fazer o debate com a sociedade, discutir o projeto de país que queremos. Só para se ter ideia, o PDT adota estratégia parecida com a nossa, lançando candidaturas nas 50 maiores cidades do país. Nacionalmente, o PT também discute candidaturas em cidades estratégicas – além das capitais – no país. Onde a gente percebe a possibilidade de fazer uma frente antifascismo, de oposição, caso do Rio de Janeiro, onde o PT discute a possibilidade de apoio ao Marcelo Freixo (PSOL). Isso está bem avançado lá. Em São Paulo, o PT discute, inclusive, a possibilidade de apoio à Marta Suplicy, ou mesmo o Márcio França do PSB. Enfim, a grande estratégia nossa em nível nacional, e que acaba tendo repercussão local, é desafiar o governo Bolsonaro e suas políticas de retrocesso contra os trabalhadores. Aqui em Maceió, por ser o maior colégio eleitoral de Alagoas, o PT, desde maio do ano passado numa reunião do diretório municipal, decidiu que terá candidato à prefeitura. Hoje, temos dois nomes colocados, o da professora Luciana Caetano e do advogado Ricardo Barbosa, mas isso não será empecilho para que a gente possa ter uma frente mais robusta aqui.

Tribuna Independente – O senhor cita o fato de o PT em outros estados conversar com outras forças políticas e exemplifica o caso do Márcio França, do PSB. Há algum diálogo com o PSB local, já que o deputado JHC lidera as pesquisas de intenção de voto em Maceió?

Marcelo Nascimento – O PSB local procurou o PT para conversar. Estamos abertos para conversar com todos os partidos, principalmente aqueles que estão formando um bloco de oposição no Congresso Nacional, PSB, PDT, o próprio PV – que localmente já temos relação de parceria –, o PSOL. A ideia é dialogar com todo mundo e não descartar nenhuma possibilidade de aliança. Agora, a gente entende que cada partido tem seu projeto eleitoral e que isso repercute na chapa de vereadores. Se não for possível num primeiro turno se consolidar um arco de alianças, mas pelos que a gente possa até às vésperas das eleições ter uma frente antifascismo, antirretrocesso, com os partidos que estão unidos no Congresso Nacional.

Tribuna Independente – Em relação à chapa proporcional, que este ano não há a possibilidade de coligação, o PT apresentará novos nomes ou somente a militância mais tradicional?

Marcelo Nascimento – Já temos 25 nomes elencados. Lideranças, inclusive, já testadas nas urnas, que já foram candidatos a vereador e deputado. Temos uma chapa competitiva e vamos trabalhar para que o PT eleja de um a dois vereadores, dependendo da sobra eleitoral. Mas o fato é que temos uma chapa concreta para eleger ao menos um vereador. O segundo vai depender do esforço e dedicação dos candidatos na campanha. Temos nomes como o Othoniel Pinheiro, Gustavo Pessoa – que se filiou recentemente ao PT –, professora Sandra Lúcia, Gino César, Élida Miranda e vários outros nomes que são candidaturas com potencial, incialmente até mil votos, mas há com potencial de até 2 mil votos. Na soma se chega a cerca de 20 mil votos, e o quociente eleitoral, com o aumento das vagas na Câmara Municipal, deve ficar em torno de 17 mil. Então, o PT, com certeza, atinge o quociente eleitoral, elege um vereador e deixa de ser órfão na Câmara Municipal de Maceió. Hoje, não temos um interlocutor naquela Casa e isso é muito ruim para o partido. Nenhum partido de esquerda tem, atualmente, um interlocutor na Câmara Municipal de Maceió. Isso reflete, por exemplo, na fragilidade da representação de classe quando os governos, a exemplo de Rui Palmeira, quando tentou retirar direitos históricos dos servidores, não tínhamos um representante na Câmara.

Tribuna Independente – Maceió é uma cidade politicamente conservadora. O Lula, por exemplo, só venceu no segundo turno de sua reeleição em Maceió, que foi uma das três capitais do Nordeste em que Jair Bolsonaro venceu, além de que pesquisas de avaliação apontam que os maceioenses aprovam seu governo. Como o PT pretende superar essa barreira ideológica, digamos assim, ainda mais com a fragmentação dos partidos do campo mais à esquerda?

Marcelo Nascimento – Acho que o fato de o Lula estar solto – ele não está livre porque os processos ainda correm na Justiça –, isso coloca para a gente um plus a mais no processo eleitoral, que é ter a principal liderança política do PT fazendo campanha 24 horas. Além de colocar o partido em evidência, pois uma vez que ele está solto, dando entrevistas, participando de comícios, o PT se diferencia diante dos demais partidos de esquerda, ou progressistas. Em minha avaliação, o PT consegue ter um desempenho maior, sobretudo, em cidades como Maceió, que tem um eleitorado bastante conservador, no sentido de que a gente possa apresentar alternativa para a cidade. O grande desafio nosso é ligar a candidatura majoritária a prefeito de Maceió com o projeto nacional, o discurso de Lula e do PT, e, a partir daí, ter reflexo na chapa de vereadores. O voto de legenda do PT sempre oscilou em Maceió entre 3 mil e 5 mil votos. Acreditamos que além do quociente eleitoral de 17 mil votos, o voto de legenda também deve beneficiar o PT nesse processo eleitoral.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Amaral

Comentários

MAIS NO TH