Política

14 de dezembro de 2019 10:36

Comissão garante lutar por reparação a moradores de bairros atingidos por afundamento

Deputados federais mantiveram contatos com as famílias e criticaram a Braskem

↑ Parlamentares acompanharam de perto a situação das famílias que ainda residem nos bairros em afundamento (Foto: Júnior Tigre / Cortesia)

A última sexta-feira (13) para a Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre o afundamento dos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange, em Maceió, foi dedicada a visitas in loco e a uma audiência pública, realizada na Igreja Batista do Pinheiro durante o período da tarde. No encontro entre parlamentares e moradores, o reclame com os poder público foi geral. Além disso, na avaliação de JHC (PSB), que preside a Comissão, a presença nos bairros serviu para verificar a extensão do que ele classifica como tragédia.

“As diligências foram extremamente proveitosas no sentido de verificar presencialmente a extensão da tragédia. De Brasília, na distância, essa análise fica prejudicada, então agora temos ainda mais argumentos para continuar pressionando os órgãos de fiscalização e controle e também a empresa [Braskem]”, comenta o parlamentar.

A visita aos bairros também contou com a presença do senador Rodrigo Cunha (PSDB), do vereador Francisco Sales (PPL), que presidiu a Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Maceió (CMM) sobre o assunto, e o deputado federal Marx Beltrão (PSD), relator da Comissão Externa.

“Na sequência, o relator, deputado Marx Beltrão, irá finalizar o relatório para que possamos dar os encaminhamentos que a Comissão definir. Posso assegurar que esse não é um trabalho “para inglês ver”, até porque já colhemos muitas vitórias, como a realocação de moradores de Mutange e a divulgação do Plano de Ação Integrada”, completa JHC à Tribuna.

Durante a audiência, o deputado federal Marx Beltrão foi categórico: “a culpa é da Braskem”.

“Esse problema não foi causado pelos caranguejos do Mutange. A culpa é da Braskem e ponto final. Não adianta pagar relatório de empresa alemã, se temos no Brasil órgão como a CPRM [Serviço Geológico do Brasil, antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais]”, afirma Marx Beltrão.

“Vamos trabalhar de forma contundente para buscar todas as reparações. O Congresso Nacional está do lado de vocês e não estamos à venda. Todos os órgãos responsáveis sofrerão com nosso relatório. Ele será imparcial, doa a quem doer. Não faltará tinta de caneta para apontar as soluções e os culpados”, completa o relator da Comissão Externa da Câmara dos Deputados.

Vereador por Maceió cita “briga com criminosos”

Já o senador Rodrigo Cunha relembrou como ele tomou conhecimento do caso e de entrevistas que concedeu as quais foram consideradas alarmistas. Ele também ressalta a falha na fiscalização sobre as atividades de mineração de sal-gema e que a Braskem, mesmo sem verbalizar, admite sua falha por ter iniciar o fechamento dos poços.

“Conversei com várias pessoas, comecei a ouvir de órgãos constituídos informações graves. Me reuni com geólogos da CPRM e eles disseram que tinham feitos os estudos e que se tratava de uma tragédia anunciada”, relata. “A falha de fiscalização fez a gente chegar onde estamos hoje. Não é do dia para a noite que aparece uma caverna. O fato de a Braskem querer tapar os poços já é um grande reconhecimento”, completa o senador.

Nas falas da população, as críticas e ataques tanto à Prefeitura de Maceió quanto ao Governo do Estado, como ao Poder Judiciário, dominaram o microfone na Igreja Batista do Pinheiro. O reclame foi geral.

DESCASO

Dúvidas e incertezas. Foram essas as palavras escolhidas pelo vereador Francisco Sales para descrever o sentimento das pessoas que vivem nos locais afetados pelo afundamento durante a visita dos parlamentares na sexta. Ele voltou a condenar o fato de a Agência Nacional de Mineração (ANM) seguir na fiscalização das atividades da Braskem.

“Ninguém aguenta mais tanto descaso. Encontramos na população um sentimento de muitas duvidas e incertezas. Mais uma vez cobrei que a ANM não tem condições alguma de continuar fiscalizando a Braskem”, afirma o vereador de Maceió.

Já durante os trabalhos da CEI, Francisco Sales já aponta a responsabilização da Braskem no afundamento dos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Agora, ele destaca a necessidade de as famílias que residem nesses locais serem indenizadas o quanto antes.

“A gente está brigando com gente criminosa, que está acostumada a comprar todo mundo. Essa empresa tem o DNA da Odebrecht, o DNA dela é o da corrupção”, afirma Francisco Sales.

OUTRO LADO

A Braskem sempre negou ter responsabilidade nos eventos que acometem os bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange, inclusive contestando o relatório da CPRM que a aponta como causadora das rachaduras nos locais. Além disso, a empresa afirma realizar uma série de ações para ajudar a resolver o problema e iniciou o fechamento de poços localizados nos bairros.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

Comentários

MAIS NO TH