Política

7 de dezembro de 2019 10:30

Partidos buscam ampliar participação de mulheres

Legendas dominadas por homens precisam ter 30% de integrantes do sexo feminino

↑ Fátima Canuto defende mulheres com mais vigor nas campanhas; Cibele Moura lamenta uso de “laranjas” (Foto: Ascom / ALE)

A cada eleição as mulheres buscam um protagonismo maior dentro da política, mas ainda esbarram em alguns obstáculos, como também em escândalos envolvendo candidaturas laranja, a exemplo das denúncias recorrentes contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, do PSL em Minas Gerais. Em Alagoas, vários partidos têm investido na realização de encontro de mulheres, visando principalmente atingir o mínimo de 30% de todos os filiados, já que no próximo ano terá eleições municipais.

Outro ponto a se destacar é que em diversos desses encontros que são realizados para as mulheres, o protagonismo e a maior participação acabam sendo do homem, como foi visto nos encontros realizados pelo PSDB e pelo PL no estado.

O Partido Liberal (PL) realizou o encontro no final do mês passado em Maceió. O evento era destinado às, mas o que chamou a atenção foi a composição da bancada por maioria de homens, a exemplo do presidente do PL em Alagoas e secretário estadual de Infraestrutura, Maurício Quintella e do deputado federal Sérgio Toledo.

Composição política
Considerando os principais espaços de debate político, o maior índice de participação feminina é na Câmara de Maceió, com cinco vereadoras entre 21 parlamentares. Na Assembleia Legislativa, com 27 assentos, o número de deputadas é o mesmo da Câmara. Já levando em consideração as prefeituras alagoanas, dos 102 municípios, apenas 20 são administrados por mulheres. Alagoas tem apenas uma representante – deputada Tereza Nelma, PSDB –, entre os nove que estão na Câmara Federal. As três vagas no Senado são compostas por homens, mas vale ressaltar que dois deles tem uma mulher como suplente.

O senador Renan Calheiros tem como suplente a vereadora Silvânia Barbosa. Já o senador Fernando Collor tem a ex-prefeita de Santana do Ipanema, Renilde Bulhões.

À reportagem da Tribuna, algumas representantes políticas trataram sobre o assunto com vistas ao protagonismo das mulheres no cenário eleitoral.

Prefeita em Barra de Santo Antônio e mãe de uma das cinco mulheres que compõe o parlamento estadual – deputada Cibele Moura –, Emanuella Moura, destaca que a cada eleição a participação da mulher na política tem avançado.

“Temos ocupado lugares fundamentais nas instâncias de poder político e isso fortalece a política de igualdade e democratiza a política partidária em todo o país. Aqui em Alagoas, temos representantes atuantes nas Câmaras Municipais, prefeituras, na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal”.

Deputadas citam busca por mais espaços
Novata no Legislativo, a deputada Fátima Canuto lembra que faz parte da maior bancada feminina da ALE, mas salienta que é preciso avançar mais e que para isso, enxerga que as mulheres estão se voltando mais para a política, se engajando e querendo fazer a diferença para o país.

Deputada mais jovem do parlamento alagoano, Cibele Moura, se diz contra a questão dos 30% e que as mulheres precisam comemorar as conquistas e buscar cada vez mais espaços dentro da política.

“A gente encontra hoje uma Assembleia composta por cinco mulheres e que representa a maior bancada feminina da Assembleia. É inegável que ainda falta muito. Essa obrigatoriedade que o Estado impõe às candidaturas, aos partidos de colocar 30% de candidatas femininas, faz com que desses 30% infelizmente algumas sejam ‘laranja’ e eu sou contra por ver que não funciona”.

PARTICIPAÇÃO BAIXA
Para a cientista política, Luciana Santana, a participação das mulheres na política ainda é muito baixa e que o resultado é uma representação discrepante em relação ao perfil da população feminina no país.

“A situação já foi bem pior e vem melhorando aos poucos, após a implementação de cotas para candidaturas femininas e a obrigatoriedade da aplicação de 30% de recurso do fundo partidário em candidaturas femininas. Para melhorar a situação atual, muitas outras ações devem ser realizadas, especialmente no âmbito dos partidos e na relação com o eleitorado”.

Vereadoras destacam aumento das bancadas
As vereadoras em Maceió, Simone Andrade e Aparecida Augusta, presidente e vice do DEM Mulher em Alagoas, ressaltam a importância de precisar potencializar o acesso das mulheres nos espaços políticos.

“Sabemos que no Brasil, as mulheres constituem mais que a metade das urnas, porém quem domina os cargos eletivos ainda são os homens e no nosso estado não é diferente. Mas vale ressaltar que na ALE tivemos o aumento de 18,5% e na Câmara de Maceió 11,1%. Apesar do crescimento ainda é muito pequeno e precisamos avançar”, disse Simone.

Já Aparecida destacou que a presença das mulheres no espaço público tem quebrado preconceitos e promovido profundas mudanças nas relações doméstica e social.

“É dessa forma que entendemos que as mulheres têm uma importante contribuição para dar a política. Entretanto, elas permanecem minoria absurda no parlamento, no Executivo e Judiciário. Sinto que quando se trata de mulher, as coisas não são tão abertas como para os homens. O investimento é diferente”.

A vereadora Fátima Santiago (PP), desabafou ao dizer que as mulheres estão cansadas do uso político de seus nomes para compor chapa apenas com objetivo de cumprimento do estabelecido pela lei eleitoral.

“É tão verdade que se diz candidata laranja, fruta cujo caldo representa o suco mais consumido no mundo. Precisamos avançar na questão equidade dentro dos partidos e transformar os 30% de vagas na disputa em 30% de vagas efetivamente conquistadas na composição do parlamento”.

Fonte: Carlos Victor Costa / Tribuna Independente

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