Política

12 de novembro de 2019 12:15

PEC ataca os mais pobres, diz economista

Governo Bolsonaro encaminhou ao Congresso proposta que impede reajuste do salário mínimo acima da inflação por dois anos

↑ Cid Olival diz que o projeto atinge em cheio a classe trabalhadora (Foto: Divulgação)

No último dia 5, o governo Jair Bolsonaro (PSL) encaminhou ao Congresso Nacional um conjunto de PECs, entre elas uma que aponta para reajuste do salário mínimo abaixo – ou no mesmo nível – da inflação por dois anos. O “pacote” foi batizado como “Plano Mais Brasil”, mas para o economista Cid Olival, a proposta vai engessar a economia brasileira.

“Não teremos recuperação da atividade econômica”, crava. “Fica demonstrado, mais uma vez, que o projeto do governo Bolsonaro é atingir a classe trabalhadora e os mais pobres”, completa Cid Olival.

Ele destaca que a proposta atual é antagônica ao modelo de reajuste do mínimo adotado pelos governos do PT, quando estabeleceram que o valor do salário seria reajustado considerando-se o índice inflacionário do ano anterior e taxa do PIB de dois anos antes.

“As pessoas passaram a adquirir bens e serviços que não consumiam antes, mas o governo Bolsonaro quer fazer exatamente o oposto. Ao propor reajuste abaixo da inflação, ele traz empobrecimento à sociedade brasileira. Com nível de renda e poder de compra menor, as pessoas precisarão escolher que bens e serviços retirar de seu consumo. Os indicadores de pobreza vão, indiscutivelmente, aumentar”, afirma Cid Olival.

ALAGOAS

No caso de Alagoas, o economista aponta para situação mais agravante devido à influência do salário mínimo na econômica local.

“É mais dramático porque o estado apresenta dependência elevada ao salário mínimo. Não vamos ter mais nível de consumo – ou aumento da atividade econômica – induzido pelo consumo como aconteceu durante o a primeira década de 2000”, explica.

BANCADA

A reportagem procurou parte da bancada alagoana no Congresso, cujo líder, Marx Beltrão (PSD), defende reajustes do salário mínimo acima da inflação.

Marx Beltrão defende maior debate (Foto: Edilson Omena/arquivo)

“Sou defensor do reajuste anual do mínimo com ganhos reais para a classe trabalhadora. No Congresso, vamos aprofundar o debate sobre a proposta do governo, mas sempre defendendo os assalariados do Brasil. Precisamos garantir solidez fiscal para o país sim, mas esta garantia não pode ser sinônimo de arrocho nos salários dos que recebem o mínimo no Brasil”, afirma Marx.

JHC (PSB), por meio de sua assessoria, disse ainda analisar a PEC. Os demais procurados não responderam até o fechamento desta edição.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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