Política

22 de outubro de 2019 08:36

Para Aldo Rebelo, crise no PSL abala governabilidade

Ex-presidente da Câmara dos Deputados avalia atual cenário político do país

↑ Aldo Revelo diz, ainda, que governo atua para acirrar os ânimos (Foto: Fotos Públicas)

A Confusão no PSL compromete a governabilidade de Jair Bolsonaro. A avaliação é do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, em visita a Maceió para palestrar no Congresso Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários.

À Tribuna, ele ressalta que a divisão interna do PSL está muito radicalizada e que tem imobilizado o governo.

“A situação é preocupante porque a crise no partido do presidente compromete a própria governabilidade. É uma divisão muito radicalizada, disputa muito grande pelo controle do partido. Destituição de líderes na Câmara, no Congresso. Disputa com o próprio presidente da legenda. Isso gera imobilismo dentro do governo, na própria base do governo, os partidos ficam intimidados com essa disputa”, afirma Aldo Rebelo.

Ainda de acordo com o ex-parlamentar, a crise do PSL também afeta o mercado, que rejeita ambientes políticos de insegurança e, para piorar, segundo Aldo Rebelo, o governo atua para acirrar os ânimos.

“O mercado também olha com desconfiança porque o mercado, os agentes econômicos precisam de um ambiente de segurança. De sinalização de que o governo está funcionando, mas todos os sinais que vêm são de que as coisas estão muito difíceis, fragmentadas, com muita disputa”, diz. “O problema é que o atual governo foi eleito num processo de divisão do país. Você pode até colher um resultado eleitoral favorável quando aposta na divisão do país, calculando que pode ficar com a maior parte. O problema é que dividindo o país se pode vencer uma eleição, mas torna-se difícil governar um país dividido e reunificá-lo se fez sua campanha apostando nessa divisão”, completa.

PODERES

No sistema político de pesos e contrapesos, os poderes se equivalem e garantem certo equilíbrio para manutenção da normalidade institucional. Porém, para Aldo Rebelo, Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) também vivem maus momentos.

“O Congresso está fragilizado, enfraquecido. O Supremo também está sendo muito assediado por críticas. As instituições que fazem o país funcionar, que são os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo convivem essa insegurança. Aí, o país fica submetido a esse grau de incerteza, insegurança e instabilidade”, avalia o ex-presidente da Câmara dos Deputados.

Eleições de 2020 terão mesmo ambiente de 2018

 

Em 2020 serão realizadas as eleições municipais e com elas se começam os rearranjos partidários, inclusive com vistas para 2022, ano das próximas eleições gerais. O que para muitos poderia ser uma oportunidade de rearrumação do cenário político e construção de um ambiente de maior segurança institucional, para Aldo Rebelo isso não ocorrerá.

Na opinião do ex-presidente da Câmara dos Deputados, um dos fatores para isso é o fato da manutenção da aposta governamental em um país dividido, acirrado.

“O pior cenário é que esse governo ganhou a eleição apostando nessa divisão e governa mantendo a aposta. Acha que pode governar mantendo o país dividido. Isso cria um ambiente de muita insegurança e instabilidade na política, no Congresso, nos partidos, no mercado, nos investidores. Todo mundo fica com receio do que pode acontecer”, comenta. “Elas [eleições, 2020] serão com a mesma fragmentação de 2018, mesma divisão. Olha para as capitais e não tem nenhum candidato que se diz que será o eleito. Muitas candidaturas e partidos muito divididos”, completa Aldo Rebelo.

IMPEACHMENT

Mesmo diante da crise atual, o ex-parlamentar não acredita que Jair Bolsonaro passe por um processo de impeachment.

“Até quando isso [crise] vai durar não se pode ter certeza. O presidente passará por um processo de impedimento? Eu acho improvável porque acabamos de ter um processo de impeachment. O país melhorou depois disso? Acredito que não”, argumenta Aldo Rebelo.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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