Política

21 de setembro de 2019 09:19

“Unidade da esquerda é improvável”

Ranulfo Paranhos aponta diferenças entre partidos e analisa cenário nesse espectro político para as eleições de 2020 em Maceió

↑ Ranulfo Paranhos aponta hegemonismo da esquerda como um dos fatores que impedem alianças (Foto: Sandro Lima / Arquivo)

Num cenário de avanço do conservadorismo, eleitores de viés mais progressista cobram unidade dos partidos de esquerda. Contudo, isso não deve acontecer. Ao menos essa é a avaliação do cientista político Ranulfo Paranhos.

Ele ressalta que desde a reabertura democrática na década de 1980, partidos como o PT ou o PDT lançam candidaturas próprias. “Eles entendem que fazer aliança é ter um fim do que se almeja, e acha que o único dono deste fim é cada um no poder. Se perguntar ao PT, eles são os únicos protagonistas e capazes a governar o país. Se perguntar ao PDT eles vão dizer a mesma coisa. São esquerdas, no plural”, afirma.

Ainda de acordo com Ranulfo Paranhos, as alianças são possíveis num cenário para a composição das chapas e para plano de governo só entre os mais próximos. Em sua opinião, os partidos não têm um plano unificado, são destoantes e, por vezes, contrários. “Eles têm dificuldades de agenda que os impendem de fazer uma aliança”, afirma.

Ele cita Ciro Gomes (PDT), ex-ministro de FHC e Lula e candidato à Presidência em 2018, que não conseguiu fazer aliança com partidos de esquerda.

Para Paranhos, não há bandeira única que faça os partidos de esquerda se aliarem estrategicamente. Isso também se dá nos movimentos sociais, que conta com a participação de vários partidos de esquerda, e é onde eles deveriam se aproximar para intervir na realidade. “Os movimentos sociais estão conectados com os partidos políticos, mas isso acontece de forma invertida. O movimento social é muito mais ligado à agenda do partido do que o contrário”.

MACEIÓ

Em Maceió, Paranhos aponta pelo menos três forças políticas capazes de aglutinar os partidos e as alianças. Uma no entorno do prefeito Rui Palmeira e os partidos PSDB e DEM; outra entorno do governador Renan Calheiros (MDB) e os partidos que já fazem parte de seu governo e de sua base política, como PT e PCdoB. E a terceira com JHC e Rodrigo Cunha, mesmo sendo do PSDB, com nomes também ligados a famílias tradicionais da política alagoana.

“De um lado o grupo do Rui, aliança com Nonô e Bui de Lira. Renan pai e Renan filho, com muito recurso e prefeituras, e também muitos parlamentares. Ronaldo Lessa e Cicero Almeida estão em situação delicada, pois não têm mandato. Quem corre por fora são JHC e Rodrigo Cunha. Fizeram campanha conjugada em 2018 e a imagem deles é ligados à politica tradicional”.

Rodrigo Cunha sempre tem reafirmado à imprensa não ser candidato em 2020.

Ricardo Barbosa, Gustavo Pessoa e Lindinaldo Freitas adotam tom parecido sobre união da esquerda (Foto: Sandro Lima e Edilson Omena / Arquivo)

Alianças dependem de programa, afirmam dirigentes partidários

Para os dirigentes partidários ouvidos pela Tribuna, as alianças dependem do programa eleitoral e de governo a ser montado. Contudo, as formas de como isso deve se materializar demonstram as dificuldades da unidade dentro da esquerda, apesar dos discursos semelhantes.

Ricardo Barbosa, presidente do PT em Alagoas, argumenta ser necessária a formação de uma frente ampla, com partidos de centro inclusos como o MDB, “desde que defendam a democracia, os direitos humanos e todas as conquistas da classe trabalhadora. Nós não podemos ficar neste debate maniqueísta de direita e esquerda. Isto só está vendando os olhos da população. Nesta divisão perde a esquerda. Precisamos tirar o ódio do debate político e dentro deste bloco cabe tudo porque há várias possibilidades táticas. Tudo é possível dentro deste campo, desde que o foco seja a reconquista dos espaços democráticos”, completa o petista.

Já para Lindinaldo Freitas, presidente do PCdoB em Alagoas, é preciso elaborar um programa voltado aos problemas reais da cidade. No caso, Maceió.

“Trabalhamos para lançar nosso programa para Maceió e estamos amadurecendo o lançamento de uma candidatura à Prefeitura”, comenta. Ele afirma não ser negativo o fato de os partidos de esquerda terem seus pré-candidatos. “O PT tem candidato e o PSOL têm candidatos, a esquerda no geral tem candidatos e isso é bom porque significa que terão de elaborar projetos e ouvir a população”, completa o comunista.

Gustavo Pessoa, que preside o PSOL em Alagoas, tem linha de pensamento semelhante aos demais, de elaboração de programa e construção de frente ampla.

“Precisamos ter unidade entre nós. O campo conservador terá seus candidatos e ainda contam com o poder econômico. Queremos discutir uma politica de alianças ampla”, afirma. “Não vamos fazer uma frente, uma aliança de esquerda por fazer. A gente que discutir um programa para Maceió. A gente tem que discutir na verdade, uma aliança que possa fortalecer uma oposição ao governo federal e a destruição que ele vem fazendo no Brasil. Antes de discutirmos nomes, precisamos discutir um programa”, completa Gustavo Pessoa.

A reportagem contatou JHC (PSB), mas ele não quis dar entrevista. Já Ronaldo Lessa (PDT) não atendeu às ligações nem respondeu as mensagens de texto até o fechamento desta edição.

Fonte: Tribuna Independente / Jairo Silva - Colaborador

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