Política

13 de agosto de 2019 09:29

Ufal só tem como pagar as contas até setembro

Reitora, Valéria Correia ressalta que cortes em 30% do orçamento prejudicam as instituições

↑ Valéria Correia destaca que a Ufal tem mantido os cursos e serviços em funcionamento, mas a situação pode se complicar (Foto: Sandro Lima)

O orçamento previsto para o custeio das universidades federais para 2019 era de R$ 6,25 bilhões, mas em abril o Ministério da Educação (MEC) bloqueou 30% desse recurso, no que chamou de “contingenciamento”. Com isso, as instituições de ensino já alertaram – ainda em maio – que só funcionarão até o mês de setembro. Com a política de menos dinheiro ainda em voga, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também só possui capacidade de funcionamento pleno até a data de suas congêneres.

De acordo com a reitora Valéria Correia, “A Ufal não foge à regra geral das outras 63 universidades. Muitas já fecharam seus serviços, seus R.U’s [Restaurante Universitário], por exemplo. Algumas com cursos que já pararam de funcionar. Nós ainda mantemos, sim, até setembro, se o desbloqueio não acontecer”, diz a reitora da Ufal em contato com a reportagem da Tribuna Independente.

Ainda segundo ela, a Reitoria mantem um monitoramento dos serviços com possibilidade de paralisação, cujas informações estão sendo repassadas ao Ministério Público Federal (MPF), que acompanha o caso. A Procuradoria Geral da República (PGR), inclusive, tem um procedimento investigativo aberto para apurar o corte de verbas nas instituições federais de ensino.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) impetrou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) na qual pede a suspensão do bloqueio dos recursos das instituições federais de ensino.

Quando foi anunciada a restrição, o ministro da Educação Abraham Weintraub disse que a redução de recursos não afetaria as atividades, se os reitores fizessem economia e melhor gestão dos recursos.

Das 63 federais do país que adotaram medidas para cortar gastos, com revisão de contratos e mudança em procedimentos internos, mas mesmo assim dizem que o valor que ainda têm para receber do MEC é insuficiente para todas as despesas.

Eleição reitoria

Maria Valéria Correia concorreu, na última semana, à reeleição para o cargo de reitora, no entanto ela ficou em segundo lugar com 32,1% do total de votos. Em sua avaliação, a conjuntura política do país teve influência no resultado eleitoral dentro da instituição.

“Estamos num momento de retrocessos, de ataques às universidades. Uma candidatura que se coloca na contramão dessa realidade, resistindo, com todos os princípios próprios da universidade, na contramão do que o programa ‘Future-se’ coloca porque a gente entende que a universidade precisa ser financiada com recursos públicos porque ela é pública”, comenta. “Mas nossa gestão continua até 21 de janeiro. Vamos buscar fortalecer os projetos que iniciamos e vamos fazer uma transição tranquila, respeitando o resultado da consulta”, completa Valéria Correia.

A atual reitora diz só ponderar o uso de fake news na campanha. Segundo ela, de maneira “indiscriminada”.

Após vitória nas urnas, Tonholo defende discurso acadêmico

Eleito em primeiro turno – com 55,2% – na consulta à comunidade acadêmica da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para assumir a Reitoria da instituição, Josealdo Tonholo aponta a volta de um discurso mais acadêmico como fator destacado para o resultado.

O reitor-eleito venceu nos três segmentos da comunidade acadêmica: estudantes, professores e técnicos-administrativos.

“A comunidade da Ufal disse, claramente, que quer mudança e o resgate de um discurso mais acadêmico na universidade. E há uma clareza – porque tinha outras propostas além da nossa – de que a nossa foi a mais adequada e que envolve mais princípios, mais pragmatismo de gestão e que o fazer acadêmico é preponderante”, comenta.

“O que se quer é uma Universidade focada em resultados e que a gente possa ter nossos estudantes – da graduação e da pós – se destacando no cenário nacional e, do ponto de vista dos docentes e técnicos, que eles possam fazer parte de uma Universidade com pertencimento e com poder de decisão, com empoderamento”, completa Josealdo Tonholo.

Ele diz que a vitória nos três segmentos era esperada. Na consulta para a Reitoria da Ufal, cada segmento tem peso de 1/3 do total de votos. Algo não muito comum entre as universidades federais, já que em boa parte delas essa proporção é de 70% para professores e 15% para estudantes e 15% para técnicos-adminsitrativos.

“A gente esperava esse resultado, até porque estávamos trabalhando há quatro anos em nossa proposta. O plano de trabalho foi elaborado com muitas mãos, com técnicos, docentes e estudantes. Todos nós conhecemos muito bem a Universidade e estamos suscetíveis àquilo que acontece atualmente. Era visível o desacordo da Ufal com a proposta que a conduzia”, diz Josealdo Tonholo, que obteve 55,7% dos votos entre os técnicos; 60,6% entre os professores; e 49,2% entre os estudantes. Dando 55,2% do total geral dos votos.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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