Política

19 de julho de 2019 08:50

Defesa vai à Justiça para anular cassação de Gilberto Gonçalves

Ex-prefeito teve seu mandato cassado em Rio Largo na última quarta-feira (17)

↑ Gilberto Gonçalves (Foto: Assessoria)

A defesa do agora ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves (PP), vai recorrer ao Judiciário para tentar anular a cassação sofrida por ele nesta última quarta-feira (17). Por 10 votos a um, os vereadores riolarguenses acataram denúncias contra o gestor e o afastaram do cargo. Quem assumiu no lugar foi Cristina Gonçalves, então vice-prefeita e esposa de Gilberto.

Cristina foi eleita pelo PEN, hoje Patriota.

O advogado de defesa do ex-prefeito, Henrique Vasconcelos, não deu maiores detalhes dos próximos passos a serem tomados, mas garantiu à Tribuna que vai à Justiça para tentar reverter a decisão da Câmara Municipal de Rio Largo.

“Estamos analisando quais serão os próximos passos que, por questão de estratégia de defesa, não posso adiantar nada agora, só quando eles forem dados. O recurso pode ser feito ao Tribunal de Justiça ou ao juízo de primeiro grau. Por ter algumas alternativas, vamos exaurir todas as possibilidades”, explica o advogado. “Vamos resguardar o direito dele, de exercer o mandato. Ficou claro no próprio processo que não há qualquer irregularidade por parte dele, nem há indícios de irregularidade. Foi um processo meramente político, uma vontade dos vereadores de cassá-lo e essa vontade prevaleceu sobre os fatos”, completa Henrique Vasconcelos.

Ainda de acordo com ele, a defesa agirá sem pressa, mas não deverá demorar para acionar o Judiciário.

“Não tem pressa, embora seja necessária a manifestação junto ao Judiciário o quanto antes devido à grave fraude cometida em relação à usurpação do mandato do prefeito”, comenta o advogado que reafirma não haver prova de que Gilberto Gonçalves cometeu algum crime à frente da Prefeitura de Rio Largo. “Não há qualquer fato comprovado de cometimento de crime, muito diferente do que se tem dito na imprensa, de que ele cometeu atos de improbidade. Não existe nenhuma ação penal movida sobre isso, o que existe é um processo de motivação política-administrativa”, afirma Henrique Vasconcelos.

ACUSAÇÕES

As acusações contra Gilberto Gonçalves foram as de nomear uma filha como secretária com 18 anos, idade inferior ao mínimo exigido pela Lei Orgânica Municipal; nomeou outros filhos como secretários, mas que seriam sócios-administradores de empresas, o que também não é permitido por lei; e teria usado um caminhão da  Prefeitura para transportar gado de corte para a empresa Mafrips Matadouro Frigorifico e Prestação de Serviço.

Apenas Ismael Ferreira (PRTB) votou contra a cassação do mandato.

Histórico recente de Rio Largo é de gestores municipais cassados

 

Todos os prefeitos eleitos em Rio Largo desde o ano 2000 foram afastados dos cargos, seja por decisão judicial, seja por cassação na Câmara Municipal.

Em 2000, Maria Eliza – então no PFL, hoje DEM – se elegeu prefeita, mas foi afastada pela Justiça por improbidade. Vania Paiva, então sua vice, assumiu em seu lugar.

Em 2004, Vania Paiva – então pelo PMDB – se elegeu prefeita, mas em junho de 2008, ela foi afastada da Prefeitura de Rio Largo por desvios de recursos. Em seu lugar assumiu Marcos Vieira. Detalhe é que Gilberto Gonçalves, recém-cassado pelos vereadores, concorreu nesta eleição.

Em 2008, o eleito foi Toninho Lins – então no PSB –, mas ele foi afastado, dando lugar à Drª Fátima, sua vice. Mesmo assim, ele se reelegeu em 2012, também pelo PSB, e teve como vice Maria Eliza, que foi prefeita e afastada do cargo anos antes. Ela voltou a assumir a função porque Toninho Lins foi novamente afastado do cargo e chegou a renunciá-lo.

Este ano foi a vez de Gilberto Gonçalves ser cassado, desta vez pela Câmara Municipal.

CRISTINA

Ao tomar posse nesta quinta-feira como prefeita de Rio Largo, Cristina Gonçalves afirma que tudo vai seguir do mesmo jeito.

“O compromisso continua. O trabalho continua, porque Rio Largo não pode parar”, diz a nova prefeita da cidade, esposa do antecessor. Com o plenário da Câmara lotado, o ato de posse de Cristina Gonçalves durou cerca de 40 minutos.

“Rio Largo não pode mais retroceder, novo povo não aguenta mais atraso. Precisamos estar de mãos dadas, de paz”, afirma. “Pegamos uma cidade pós-guerra, sem estrutura em parte alguma e hoje rio largo é um canteiro de obras”, completa Cristina Gonçalves.

Na solenidade de posse, os vereadores cobraram ações em suas bases eleitorais e tentaram demonstrar gestos de colaboração. Inclusive, isso foi ressaltado pelo vereador Thales Diniz (PDT), presidente da Câmara Municipal, ao encerrar a sessão desta quinta.

Embora a solenidade de posse já tenha ocorrido, a nova prefeita ainda precisa apresentar uma declaração de bens nos próximos dias. Isso ainda não foi feito por causa do pouco intervalo entre a cassação de Gilberto Gonçalves e a posse de Cristina.

A nova prefeita de Rio Largo é natural de Pernambuco.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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