Política

16 de julho de 2019 08:20

Quatro chapas concorrem à Reitoria da Ufal

Atuais reitora e vice concorrem em chapas diferentes; consulta à comunidade acadêmica da Ufal será realizada em 7 e 8 de agosto

↑ Valéria Correia registrou a sua chapa para concorrer a mais um mandato à frente da Universidade Federal de Alagoas; mais três estão no páreo (Foto: Sandro Lima/arquivo)

No próximo mês, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) vai votar para a Reitoria, nos dias 7 e 8 de agosto; se houver segundo turno, nos dias 14 e 15. No sistema de consulta, estudantes, professores e servidores técnicos-administrativos decidem, paritariamente, quem ocupará o cargo a partir de 2020 e por quatro anos.

Na disputa há quatro chapas, uma encabeçada pela atual reitora Valéria Correia; outra pelo professor Josealdo Tonholo; uma pelo atual vice-reitor, José Vieira; e a quarta por Alexandre Toledo.

À Tribuna, a professora Joelma Albuquerque, uma das coordenadoras da campanha à reeleição de Valéria Correia, destaca que a reeleição visa manter a defesa da Universidade como um patrimônio público e socialmente referenciada.

“O grupo assume a gestão em 2016 e com um projeto claro de atuar em defesa da universidade pública e gratuita, e com qualidade acadêmica e referência social forte. E nesses três anos e meio, passamos por três governos diferentes. Essas mudanças se expressaram na ponta, no caso, na Universidade”, pontua. “A nossa perspectiva é manter os projetos e iniciativas que tomamos. Conseguimos concluir 26 obras, entre elas dois restaurantes universitários, mesmo com o enorme corte de recursos”, completa.

A Tribuna contatou o professor César Nonato, da coordenação de campanha de Josealdo Tonholo, mas ele não pôde dar entrvista por estar em sala de aula. Contudo, o material já divulgado da chapa critica questões voltadas ao convívio do dia-a-dia na Ufal. Até o fechamento desta edição, não foi possível o contato com representantes das outras chapas.

BOLSONARO

A eleição para as reitorias das universidades federais do país têm caráter apenas consultivo. A partir das disputas internas nas unidades, uma lista tríplice é montada com a indicação do nome mais votado por estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Desde a redemocratização do país, apenas Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) indicaram pessoas que não foram os escolhidos na consulta perante a comunidade acadêmica.

Fernando Henrique nomeou o segundo mais votado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Henrique Vilhena, no final da década de 1990. Jair Bolsonaro, em poucos meses de mandato, já interferiu em três universidades: Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) – não é a UFRJ – e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

Na UFGD, o presidente indicou Mirlene Damázio; na Unirio, Ricardo Silva Cardoso; e na URTM, Luiz Resende dos Santos Anjo.

Não há uma lei que obrigue o presidente da República a nomear os mais votados nas consultas nas universidades. Portanto, há a possibilidade de a consulta na Ufal não servir de nada e o presidente indicar seu escolhido.

Também não há lei que determine o critério das consultas, se paritária entre os segmentos – estudantes, professores e técnicos – ou com outro peso na soma de votos. Na maioria das instituições, professores contam como 70% do total e estudantes e técnicos, 30%.

No último dia 11, Jair Bolsonaro criticou a autonomia das universidades. Segundo ele, “coisas absurdas têm acontecido dada a autonomia” e os nomes das listas são de partidos de esquerda.

ANDIFES

De acordo com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Federais de Ensino Superior (Andifes), três instituições ainda aguardam a nomeação de seus reitores: a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), o Cefet-RJ, e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Em nota, divulgada logo no início deste ano, a Andifes afirmou  que “não respeitar a indicação de um primeiro lugar não é simplesmente fazer um juízo contrário à qualidade administrativa ou às posições políticas de um candidato ou candidata, mas, sim, desqualificar a comunidade universitária”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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