Política

25 de junho de 2019 10:10

Vereador cobra encontro de Rui Palmeira e Renan

Francisco Sales preside a CEI da Braskem e ressalta que a reunião precisa ter a tônica de soluções conjuntas aos bairros

↑ Francisco Sales diz que Rui e Renan estão sendo “desrespeitosos” (Foto: Edilson Omena/arquivo)

Anunciada no último dia 11, o tão esperado encontro entre o prefeito de Maceió Rui Palmeira (PSDB) e o governador Renan Filho (MDB) para discutir ações nos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange – afetados por rachaduras e afundamento – ainda não ocorreu e segue sem data para ser realizado. Para o vereador Francisco Sales (PPL), presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre o problema na Câmara Municipal, os gestores não respeitam os moradores dos três bairros.

“É inquestionável que o governador e o prefeito têm de conversar sobre toda essa problemática. Acredito que chegue a ser um desrespeito a forma que eles estão lidando com essa situação. Eles têm de sentar, conversar e encontrar uma solução em conjunto”, diz.

“Nossas autoridades precisam se posicionar de forma mais altiva diante desses problemas. Por mais que digam estar atuando, agindo, a população está cobrando mais ação. Ela quer resultados. As pessoas que estão nas áreas de risco precisam saber quando e de que forma vão sair desses locais. Cadê o plano de ação, que até hoje ainda não veio?”, questiona o parlamentar.

À reportagem da Tribuna Independente, a Prefeitura de Maceió diz que a reunião segue sem data, mas deverá ocorrer. A Secretaria de Comunicação (Secom) enfatiza ter buscado o Governo do Estado para discutir o assunto por diversas vezes.

“A Prefeitura enviou ofícios através da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Governo solicitando alguns apoios; não houve resposta. O prefeito cobrou diretamente ao governador através de outro ofício; o governador ligou e ensaiou um encontro com o prefeito, mas na semana que haveria essa reunião houve desencontro de agendas. De lá para cá o governador não procurou mais o prefeito e nem o Governo respondeu aos ofícios. O prefeito continua trabalhando no que compete ao Município e na hora que o governador achar que deve, o prefeito está à disposição”, afirma a Prefeitura de Maceió.

O município destacou que o prefeito Rui Palmeira vem atuando, celeremente, para que a população dos três bairros não fique desamparada.

Até o fechamento desta edição, não houve resposta do Governo do Estado.

Comissão pode atuar durante recesso na Câmara

 

A CEI na Câmara de Maceió que apura as causas das rachaduras nos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange pode seguir atuando mesmo durante o recesso do parlamento. Segundo seu presidente, vereador Francisco Sales, o grupo ainda vai ouvir a Braskem – pela segunda vez – e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea).

“Para fechar os trabalhos vamos ainda ouvir a Braskem mais uma vez – decidimos após ouvir a CPRM – e o Crea. Para tentar concluir tudo”, relata. “A Câmara entra em recesso esta semana, mas nada impede que a CEI continue atuando”, completa Francisco Sales.

Mesmo ainda com os trabalhos inconclusos, o parlamentar ressalta que o apurado pela CEI aponta para a responsabilidade – dolo – da Braskem nas rachaduras e afundamento dos bairros Pinheiro, Bebedouro e Mutange, assim como dos órgãos de fiscalização.

“ANM [Agência Nacional de Mineração] e IMA [Instituto do Meio Ambiente de Alagoas] são, talvez, tão responsáveis do mesmo jeito que a empresa. Por não terem fiscalização de forma devida a extração da sal-gema pela Braskem, são tão culpados quanto a empresa”, afirma Francisco Sales.

A Braskem, desde o início das investigações sobre as causas das rachaduras nos bairros, tem negado ter responsabilidade e afirmado estar atuando na busca por soluções.  Tal postura também é criticada pelo presidente da CEI. “A empresa já devia ter ido ao encontro das soluções, mas, a partir do momento que não admite culpa, a gente fica só adiando as coisas”, diz.

Tanto ANM quanto IMA se eximem de culpa e alegam que a Braskem lhes forneceu dados incorretos sobre a exploração de sal-gema em Maceió. Sonares estão sendo colocados nos poços de sal-gema – não estudados pela CPRM – para identificar suas condições.

“Estamos cobrando fiscalização sobre os sonares. Quem está fiscalizando isso?”, ressalta Francisco Sales.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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