Política

4 de junho de 2019 08:17

Pesquisa aponta semelhanças entre manifestantes pró e contra Bolsonaro

Grupo que estudou perfil de participantes de ato do dia 26, fez o mesmo no contra o presidente e encontrou resultados parecidos

↑ Estudantes, trabalhadores da educação e professores voltaram às ruas contra os cortes do governo federal no ato realizado em 30 de maio (Foto: Edilson Omena)

Tirando os lados da disputa política mais geral, os manifestantes pró e contra Jair Bolsonaro (PSL) possuem algumas características semelhantes. O mesmo grupo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), coordenado pelo professor Cristiano Bodart, realizou pesquisa de perfil no ato de 30 de maio, em Maceió, chamado pelo movimento estudantil e contra os cortes – ou contingenciamento – de recursos da educação. Entre elas, a insatisfação com a democracia e o apoio a que um grupo tome o poder em situação de crise.

Na pesquisa realizada na manifestação do dia 26 de maio – pró-Jair Bolsonaro – 84,8% dos entrevistados afirmaram considerar a democracia a melhor forma de governo em qualquer situação, mas 49% defenderam intervenção militar em caso de crise. Já no ato de 30 de maio, 89,6% disseram que a democracia é a melhor forma de governo, 47,8% responderam ser favoráveis à tomada do poder pelos movimentos sociais em caso de crise. Em caso de partido de esquerda, 52,2%.

“Isso foi um ponto que chamou a atenção. Ambos os grupos têm uma visão parecida sobre democracia. Ambos a defendem como melhor sistema de governo, mas em caso de crise defendem que seus grupos, ou instituições que estejam em seu espectro político, assumam o poder”, comenta Cristiano Bodart.

Na avaliação do professor da Ufal, o impeachment de Dilma Rousseff (PT) ajudou a dificultar mais o entendimento do que seja democracia.

“Independentemente do debate se foi golpe ou não, mas o impeachment da Dilma ajudou a confundir o que venha a ser democracia para muita gente. Como o clima de instabilidade política segue no país, vale a autodefesa. Veja, desde a saída dela, a palavra impeachment está sempre por aí. Quando o Michel Temer [MDB] assumiu se fala em impeachment e agora com o Jair Bolsonaro já tem gente falando nisso”, diz Cristiano Bodart.

No dia 30 de maio, 58,8% dos entrevistados se disseram insatisfeitos com a democracia; no dia 26 – pró-Bolsonaro – foram 43,3%.

A desconfiança com as instituições – Senado, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal (STF) – são similares. No dia 30, 67,0% disseram não confiar na maior Corte do país; dia 26 foram 89,4%. Com o Senado, 76,9% dos entrevistados do dia 30 disseram não confiar; dia 26 foram 88,5%. Câmara dos Deputados: Dia 30 – 76,9% não confiam; dia 26, foram 89,4%.

“Nenhum dos grupos representa o povo alagoano”, diz pesquisador

 

O perfil social dos manifestantes – tanto do dia 26 quanto do dia 30 – possui características diferentes da maioria da população alagoana e de Maceió. Dados com renda média e escolaridade destoam da realidade geral de Alagoas e dos maceioenses.

Segundo Cristiano Bodart, “em nenhuma das manifestações, podemos dizer que era o povo que estava na rua. Nenhum dos grupos representa, efetivamente, a sociedade alagoana. Em ambos os protestos temos um percentual muito grande de pessoas com curso superior, o que não é realidade na sociedade. Temos uma renda média bastante elevada se comparada com a renda de Maceió ou de Alagoas”.

No dia 26, o percentual de pessoas com renda familiar acima de R$ 7 mil foi de 49%; na manifestação de 30 de maio, 44%.

“Embora no dia 30 tivéssemos boa presença de professores universitários, cuja a renda é nessa mesma faixa”, comenta. “Dia 26 é, na maioria, de homens, brancos, renda muito acima da média da realidade alagoana e uma manifestação inseridos no trabalho. Enquanto, como já era esperado, no dia 30 não, pois boa parte era de estudantes e, portanto, não inseridos no mercado”, completa Cristiano Bodart.

PARTICIPAÇÃO

No dia 30, apenas 3,3% disseram estar num ato de rua pela primeira vez. Já no dia 26, esse índice foi de 76,9%.

“O fenômeno Bolsonaro consegue, em certa medida, impulsionar novos sujeitos para a arena política, enquanto que os cortes na educação – motivo predominante da manifestação do dia 30 – não foi suficiente para inserir novos sujeitos. Bolsonaro mobilizou mais sujeitos novos que a causa do dia 30”, analisa Cristiano Bodart.

RELIGIÃO

Em relação à religião, no dia 30 de maio, 45,6% disseram não ter uma; no dia 26 esse percentual foi de 5,8%. Entre os de religião cristã – católicos, evangélicos e espíritas –, o dia 30 registrou 43,9%; dia 26, 90,4%. De Matriz africana, dia 30 – 5,5%; dia 26 – sem registro, “outros” foi de 3,8%.

 

Acesse a íntegra da pesquisa no link abaixo

Perfil manifestantes dia 30_

 

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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