Política

12 de abril de 2019 08:14

Lailson Gomes entrega cargo a Renan Filho

Diretor-presidente da Arsal envia carta ao governador comunicando sua decisão; motivo é acomodação da base de apoio

↑ Lailson Gomes (Foto: Assessoria)

O atual diretor-presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos (Arsal), Lailson Gomes, colocou o cargo à disposição de Renan Filho (MDB) na última quarta-feira (10). Segundo ele, para facilitar a garantia de espaços para a base de apoio do governador.

À Tribuna, Lailson Gomes destaca a redução de espaços do PDT, seu partido, no governo Renan Filho. Ele entregou uma carta ao governador comunicando sua decisão e um relatório de sua passagem à frente do órgão, desde janeiro de 2018. Hoje, os trabalhistas também ocupam a Secretaria de Agricultura, com o ex-governador Ronaldo Lessa.

“Tenho mandato na Arsal até 2021, mas por conta de o PDT estar na Secretaria de Agricultura e o governador ter me dito que precisava do espaço para discutir com outras forças políticas, resolvi deixá-lo à vontade e colocar o cargo à disposição. Estou à espera da resposta”, relata Lailson Gomes.

Ele afirma ter assumido o órgão com estrutura funcional viciada e que buscou corrigir tudo junto à Procuradoria Geral do Estado (PGE).

“Encontramos um órgão sem servidores concursados, só com comissionados e terceirizados, que são quem realmente tocam tudo. Mas eles eram contratados por uma cooperativa de Salvador, na Arsal há 14 anos, mas sem nenhuma licitação e em 2016 e 2017 sequer apresentou certidão negativa. Mesmo assim, vinha renovando contratos de forma ilegal. Tudo foi encaminhado para a PGE, que nos orientou a contratar outra empresa de forma emergencial e convocar uma licitação”, diz Lailson Gomes.

Ele ressalta que só deixa o posto após o rito de indicação de seu substituto estiver concluído: escolha do governador e sabatina na Assembleia Legislativa Estadual (ALE).

A reportagem contatou a assessoria do governador Renan Filho para saber se ele aceitou a demissão de Lailson Gomes e se já teria escolhido seu substituto, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.

RONALDO LESSA

O ex-governador Ronaldo Lessa, presidente estadual do PDT, divulgou vídeo nas redes sociais do partido na quarta-feira para explicar aos trabalhistas a situação da legenda no governo Renan Filho. Ele ressalta a perda de espaço político devido à derrota eleitoral em 2018 e reclama da falta de nomeações.

“Ele [Renan Filho] disse para escolher uma secretaria e foi a Agricultura. Então, começamos a migração da Sedetur [Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo] para a Agricultura e a Arsal deveria ser entregue ao governo. Nós teríamos um espaço menor, mas que compensaria a perda da diferença entre a Sedetur e a Agricultura, que é menor. Mas o governo não nomeia ninguém. Estamos sem fiscalização na Arsal e, se isso permanecer, fica difícil para nós porque seremos responsabilizados por isso. Até agora só tiveram 7 nomeações na Agricultura, enquanto na Sedetur e na Arsal as pessoas estão exoneradas”, diz o pedetista.

Ronaldo Medeiros diz não ter recebido convite para assumir a Arsal

 

Um dos nomes mais cotados para assumir o comando da Arsal é o ex-deputado estadual Ronaldo Medeiros (MDB). Líder de Renan Filho na ALE no primeiro mandato do governador, ele aventa com a possibilidade, desde que haja condições para realizar algum trabalho. Contudo, ele afirma não ter recebido nenhum convite para ocupar o comando do órgão.

“Terei uma reunião com o governador na próxima semana, na terça ou quarta-feira. Só aí veremos [ocupação ou não de cargo no governo]. Vou conversar sobre muitas coisas”, pontua. “A Arsal hoje acabou, está na UTI, paralisou. Mas vamos ver se é a Arsal, se o governo me convida ou não”, comenta Ronaldo Medeiros.

Ronaldo Medeiros (Foto: Sandro Lima/arquivo)

Ele ressalta que para aceitar comandar a Arsal é preciso garantir alguma condicionantes de trabalho, devido ao estágio que o órgão se encontra e a gama de serviços que a Agência presta.

“A Arsal é um trabalho que, hoje, não é só transporte. Ali regula gás; energia, não sei se o convênio ainda está ativo; água… É um pool de serviços, mas hoje não está regulando nada porque não tem estrutura. Os contratos foram acabando e não foram renovados. Ali é um trabalho técnico e o que se tem de fazer para hoje é reconstruir. Se der condição de fazer [posso aceitar]. Isso depende muito do governo, mas falo em hipóteses, pois não tem nada de concreto e pode ser que o governo tenha outro nome”, diz. “Teria que ter um mínimo de estrutura. Não vou colocar meu nome, nem ninguém vai, sem ter condição de desenvolver trabalho”, completa o ex-líder de Renan Filho na ALE.

Ronaldo Medeiros compara a situação da Arsal a do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o qual ele assumiu a superintendência de Alagoas por oito anos.

“Foi meu trabalho lá o que me levou para a política. Era um órgão destruído, não tinha nada”, diz o ex-deputado estadual.

DENÚNCIAS

Em agosto de 2018, o Ministério Público Estadual (MPE) pediu o afastamento de Lailson Gomes da Arsal por uma suposta contração, no valor de R$ 2 milhões em caráter emergencial, de uma empresa de fachada. A ação foi motivada por uma denúncia anônima.

Ainda este ano, em fevereiro, o MPE abriu investigação por uso irregular de diárias de cinco funcionários da Arsal.

Contudo, tanto Lailson Gomes quanto Ronaldo Lessa afirmam que as denúncias se mostraram infundadas. Para o atual diretor-presidente do órgão, as mudanças que promoveu gerou “desconforto em muita gente”.

“Tinha sindicato que não pagava requerimento na Arsal de filiados seus, mas eu mandei cobrar porque assim a lei determina. Do mesmo modo que queriam que eu só recebesse seus sindicalizados e só permitisse que estes atuassem no transporte. Eu não fiz isso”, ressalta Lailson Gomes.

 

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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