Política

21 de março de 2019 07:51

ALE vai convocar Equatorial para explicar aumento na conta de luz e demissões

Diretores da empresa anunciaram medidas no dia em que assumiram antiga Ceal

↑ Davi Maia fez o anúncio da convocação na sessão de terça-feira (19) (Foto: Ascom/ALE)

A direção da Equatorial Energia será convocada pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE) para prestar esclarecimentos sobre o anúncio de aumento da tarifa de energia elétrica em Alagoas. A empresa assumiu esta semana o controle da antiga Companhia Energética de Alagoas (Ceal) após a sua privatização. A convocação foi protocolada pelo deputado Davi Maia (DEM) durante a sessão desta quarta-feira (20).

O deputado Davi Maia fez o anúncio da convocação da Equatorial em aparte ao discurso do também parlamentar, Sílvio Camelo (PV), que usou a tribuna da ALE para tecer críticas ao anúncio feito pelo presidente da empresa em Alagoas, Humberto Soares.

Durante uma entrevista coletiva na última segunda-feira (18), a Equatorial anunciou medidas como um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os funcionários da antiga Eletrobras, e falaram sobre reajuste na conta de energia.

“Muito me alegra esse tema, até porque ontem [terça-feira, 19] eu entrei com requerimento nessa Casa para que a gente faça uma convocação da direção do equatorial aqui na ALE, que ela venha explicar seus projetos e planos”, disse Davi Maia.

O parlamentar explicou ainda que a responsabilidade pelo aumento não pertence a Equatorial, mas à Agência de Energia Elétrica (Aneel). Davi aproveitou ainda para defender o discurso de estado mínimo, ao dizer que não se pode colocar a culpa sempre em alguns setores por serem privatizados e mais uma vez criticou a gestão da Casal.

“A gente não pode colocar nesse discurso que geralmente vem dos sindicatos das classes que por ser privado é mais caro, é pior. Olhe só nossa água, que é estatal e não funciona. Nos últimos quatro anos a água em Alagoas aumentou 60%. O problema não é ser privado, não é ser público, o problema é o serviço oferecido. A gente dá a oportunidade a iniciativa privada e se não der certo tira, derruba o contrato de concessão, desprivatiza, reestatiza novamente.”.

Responsável por iniciar o debate sobre a Equatorial, o deputado Sílvio Camelo (PV) disse, em seu discurso, que o anúncio feito pela empresa em relação à demissão voluntária é preocupante já que maioria das pessoas que trabalham na antiga Eletrobras são de idade avançada e não conseguiriam serem reintroduzidas no mercado de trabalho.

“Para surpresa nossa, no primeiro pronunciamento da empresa já fala em demissão, causando já um problema social maior ainda, porque nós já temos hoje uma grande quantidade de pessoas sem emprego. Lá tem pessoas que faltam pouco tempo para se aposentar. Além disso, ela fala do aumento da tarifa, o que mais se teve no ano passado foi aumento de tarifa de energia, um verdadeiro absurdo, todos nós sofremos no bolso essa questão e no primeiro dia já fala em aumento”, argumentou Silvio durante a sessão na Assembleia Legislativa do Estado.

Sílvio discorda sobre defesa do Estado mínimo

 

O deputado Sílvio Camelo (PV) levantou ainda uma preocupação com a questão que muitos vêm defendendo em relação a estado mínimo. Este é um dos entendimentos do deputado Davi Maia (DEM).

“É preciso se ter cuidado quando se fala em todo tipo de privatização. Em minha opinião, eu acho que apenas a telefonia teve um grande ganho quando se instalou as empresas que teve a livre concorrência e fez com que elas começassem a brigar no mercado e isso o consumidor é quem sai ganhando. Mas na questão da água e da luz não existe a livre concorrência, pois você tem uma única empresa que vai explorar a energia aqui no estado. Então, ao seu livre prazer, ela vai utilizar da força de ser única para ter o sofrimento da população, pagando assim altas tarifas de energia”.

Sílvio Camelo criticou a forma como a empresa foi privatizada (Foto: Ascom/ALE)

Ainda dentro da questão da livre concorrência, Sílvio Camelo destacou que o fato de a Equatorial ter sido a única empresa dentro do leilão da Ceal faz com que ela dite o mercado.

“Por exemplo, as telefonias nós tivemos aqui três, quatro empresas que estão concorrendo diretamente para que vendam seu produto. Agora vai acontecer isso com a Equatorial, sendo ela a única. Esse tipo de privatização está errado porque não tem concorrência”.

Em aparte, o deputado estadual Inácio Loiola (PDT) também se posicionou contra o reajuste de tarifa de energia elétrica anunciado pela Equatorial Energia e disse que a empresa apresentou ‘cartão de visita’ à sociedade alagoana com dois informes negativos: expectativas de aumento de tarifa de energia e demissão de funcionários.

“Custo maior no preço de energia significa mais sacrifício para o nosso povo que já paga por uma energia caríssima. Nos últimos 10/12 anos, a Eletrobras, antiga Ceal, está esvaziada de corpo técnico. Quantos servidores já se aposentaram? Com essa ideia, de programa de demissão voluntária dos servidores vai piorar muito mais a assistência técnica no setor elétrico do nosso Estado”, justificou o parlamentar.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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