Política

16 de fevereiro de 2019 09:39

Legislativo terá atuação voltada ao bairro do Pinheiro

Kelmann Vieira destaca que foi um erro a Braskem ter sido instalada na entrada de Maceió e aguarda posição do MPE

↑ Kelmann Vieira não descarta disputar a prefeitura de Maceió, mas tudo depende de acordo partidário l Foto: Sandro Lima

Com retorno dos trabalhos legislativos, a Tribuna Independente foi entrevistar o presidente da Câmara de Vereadores de Maceió, Kelmann Vieira, que afirmou tratar a situação do bairro do Pinheiro como pauta principal neste início de ano. Ele também falou do seu futuro político, revelando que há o interesse em disputar a prefeitura de Maceió em 2020, mas que isso depende do futuro do seu partido e da decisão do grupo. Agora, a decisão é do atual presidente do PSDB em Alagoas, o prefeito Rui Palmeira, já que a sua permanência à frente da legenda será o termômetro para a continuação de Kelmann ao lado dos tucanos.

Tribuna – A Câmara de Maceió inicia o ano com alguns temas polêmicos envolvendo a capital, a exemplo da situação no bairro do Pinheiro. O MCCE [Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral] defende que a Câmara instale uma CEI para investigar a Braskem? O presidente concorda com essa prática? Existe a necessidade de criar uma CEI?

Kelmann Vieira – O problema do bairro do Pinheiro é muito complexo e que requer um olhar diferenciado aos moradores da região. Na conversa com alguns parlamentares, nós entendemos que a Câmara precisa agir, mas não podemos ser apenas mais um, e por isso estamos tendo esta cautela. Hoje, o que nos preocupa, enquanto Câmara de Vereadores é: “daqui a seis meses quando o governo federal não mandar mais estes recursos, onde estas pessoas vão morar? Vai ter um programa de moradia para estas residências que são condenadas? E quando o aluguel social acabar, onde estas pessoas ficarão?” Há quem defenda a CEI, existem também aqueles que defendem a realização de audiências públicas para debater com os órgãos responsáveis e outros querem realizar uma sessão ordinária no bairro. Enquanto presidente da Câmara, vou ouvir a todos, mas o meu discurso e preocupação é que a gente chegue em um consenso para ajudar de alguma forma, não ficando apenas no debate vazio.

Tribuna – A Braskem tem sido apontada como responsável pelos problemas causados no bairro do Pinheiro. O Ministério Público já defendeu que é um risco a empresa continuar funcionando na região do Pontal da Barra. Qual avaliação que o presidente da Câmara faz do funcionamento da Braskem na entrada da cidade?

Kelmann Vieira – Nós tivemos uma reunião na Casa da Indústria e ouvimos a preocupação da Federação das Indústrias com relação a esta situação que atinge não apenas a Braskem, mas também as outras indústrias que dependem dela e que geram empregos diretos e indiretos. Mas, nem por isso, nós vamos aceitar se houver um risco comprovado de que a empresa pode causar danos à população, sobretudo com a vida das pessoas. Se o Ministério Público Estadual [MPE] tiver um laudo que comprove que há um risco iminente à população, não tenho dúvida nenhuma que a Câmara irá ficar ao lado do MPE. Eu acho que foi um erro a Braskem ter se instalado ali e se houver mecanismos para que ela continue e preserve a vida das pessoas, acho que este é um caminho a ser apontado. Por isso, temos que ter muito cuidado e não sair penalizando porque não existem laudos conclusivos que apontem as causas do problema no bairro.

Tribuna – A situação do Pinheiro tende a ser o caso mais importante a ser resolvido este ano em Maceió?

Kelmann Vieira – Todos os órgãos estão debruçados sobre o assunto e o movimento mostra que estão todos unidos deixando de lado a questão política. Penso que as Casas Legislativas do Estado e Municipal irão voltar este ano com o debate desta questão, buscando encontrar uma solução para esta população que não tem pra onde ir.

Tribuna – Qual a expectativa para mais um ano de trabalho no Legislativo?

Kelmann Vieira – Acredito que será um ano muito produtivo, abrindo a Casa cada vez mais para que a população venha discutir conosco com a realização de muitas audiências públicas e discutindo as pautas importantes do governo porque este é o papel do parlamento: legislar, discutir e ouvir a população.

Tribuna – Kelmann, você acabou de sair de uma eleição como o vice do Collor ao governo estadual. Sua próxima investida na política é concorrer ao cargo de prefeito de Maceió?

Kelmann Vieira – A experiência de disputar a eleição ao lado de um ex-presidente da República é motivo de muito orgulho porque tive o meu nome lembrado sendo um novato na política. O Poder Executivo tem a celeridade que muitas vezes não encontramos no Legislativo, e existe sim a possibilidade de abrir esta discussão para o ano de 2020. Eu tenho sim esta vontade, contudo, esta não é uma candidatura decidida apenas pela minha vontade e sim por decisão de um grupo. Se for a vontade do grupo para que o meu nome vá à disputa, estou preparado para enfrentar este desafio.

Tribuna – O senhor contaria com o apoio do PSDB, caso fosse candidato?

Kelmann Vieira – O presidente do partido, que é prefeito Rui Palmeira, é meu amigo e eu já disse que não tomaria qualquer decisão sem consultá-lo. Eu tenho que aguardar o futuro do partido. Eu tenho conversado com outros partidos e o diálogo tem sido positivo com outras lideranças partidárias, mas vou aguardar um posicionamento do prefeito Rui Palmeira quanto ao PSDB.

Tribuna – Existe a possibilidade da troca de partido?

Kelmann Vieira – Convites acontecem e isso é normal. No entanto, a legislação não permite a mudança de partido agora. Como filiado do PSDB, durante a campanha, não me senti satisfeito com algumas declarações que foram dadas, afinal de contas o vice era do PSDB e grandes lideranças, exceto do Rui, além de não marchar conosco, ainda criticaram duramente a candidatura do presidente Collor e esqueceram que o vice era do PSDB. A depender de quem vem assumir a presidência do PSDB, caso o Rui deixe, há sim a possibilidade de sair do partido.

Fonte: Tribuna Independente / Luciana França

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