Política

6 de fevereiro de 2019 09:25

Alagoas registra 133 casos de dengue em janeiro

Dado apresenta queda em relação ao mesmo período de 2018, mas surto da doença no estado não está descartado

↑ Acúmulo de lixo está entre os três maiores criadouros do Aedes aegypti em Alagoas, aponta Ministério da Saúde (Foto: Edilson Omena)

De acordo com um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), Alagoas registrou em janeiro deste ano, 133 casos de Dengue, 15 casos de chikungunya e nenhum caso de zika vírus. No mesmo período de 2018 foram 157 casos de dengue, 13 de chikungunya e nove de zika.

Apesar da diminuição nos casos de dengue e zika, o risco do estado ter um surto das doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti ainda é grande segundo levantamento do Ministério da Saúde (MS), onde aponta que por aqui, 59 cidades estão em situação de alerta ou risco de surto. Os dados são do Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa)  divulgado em dezembro de 2018.

Desse total, 48 estão em alerta e 11 em risco de surto das doenças. Outras 43 estão em situação satisfatória. A capital do estado, Maceió, está em situação satisfatória. Em Alagoas, a maior parte dos criadouros foi encontrada em depósito de água (777), seguida de depósitos domiciliares (192) e lixo (23).

Na capital, em 2019 foram registrados até o dia 5 de fevereiro 35 casos de dengue e 12 de chikungunya, em 2018 foram 51 e 20, respectivamente, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que informa que ainda não há dados consolidados sobre o zika.

Ainda segundo a SMS, após o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado de 7 a 10 de janeiro, o índice geral de infestação foi de 1,3%, o que caracteriza Maceió como de médio risco para epidemias por dengue, zika e chikungunya.

No bairro do Pinheiro, onde há uma preocupação da população e dos órgãos, a SMS disse que ainda não há registros de casos em 2019. Já em 2018 foram nove de dengue, e um de chikungunya. No bairro, o índice de infestação foi de 0,9%, no último ciclo de 2018, realizado de 5 a 8 de novembro. Em 2019 no primeiro ciclo realizado de 7 a 10 de janeiro foi de 1,8%.

AÇÕES

Tanto a Sesau quanto a SMS esclarecem que a forma mais eficaz de evitar o aumento dos casos de dengue é investir no combate ao mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, além da zika e chikungunya. “Por esta razão, além do cuidado que cada cidadão deve adotar em sua residência, evitando manter expostos recipientes com água limpa e parada, limpando quintais, calhas e caixas d’água e descartando garrafas de plástico ou qualquer recipiente que possa acumular água, a Sesau tem prestado assistência técnica aos 102 municípios, para que os agentes de endemias executem as ações de campo de forma eficaz, resultando na redução de casos da doença, a exemplo do que ocorreu no ano passado.”

A Sesau ressalta ainda que para evitar o aumento de casos nos próximos meses, o órgão prevê também a distribuição de larvicida e inseticida, disponibilizando o carro fumacê para os municípios que apresentarem aumento da infestação do vetor, além de capacitar os novos agentes de endemias, promovendo campanhas educativas para conscientizar a população e programa ações de orientação durante os projetos Governo Presente e Vida Nova nas Grotas.

Já a SMS explica que visando reduzir os índices de infestação está sendo desenvolvidas visitas nas localidades com maiores índices, promovendo a eliminação dos criadouros, tratamento de reservatórios de água com larvicida, e realizando orientação aos moradores quanto a importância de eliminar os focos em suas residências.

“Pode haver mais casos que no ano passado’’

 

“Geralmente, no Verão, os casos aumentam, por causa do aumento do calor e das chuvas de verão, que fazem aparecer muitos criadouros em potencial para o Aedes aegypti (copos, pneus, garrafas etc)”, comenta o infectologista Fernando Andrade.

O infectologista confirma que o estado pode ter um surto. “Estamos observando que pode haver mais casos que no ano passado, tanto de dengue quanto de Chikungunya.”

Andrade esclarece ainda que a dengue tipo 2 é uma preocupação porque esse soro tipo  pode levar a forma  mais grave da doença. “É o que está mais ligado à forma mais grave da doença os chamados dengue hemorrágica ou dengue com complicações. Você olhando para o paciente não tem como identificar porque os sintomas na maioria são semelhantes, agora quando o paciente adquiri infecção pelo soro tipo 2 e já por outro soro tipo aumenta as chances de desencadear para uma forma mais grave, por isso a preocupação. Vale ressaltar que a pessoa que já teve a doença pode ter novamente. Então o cuidado deve ser redobrado”, explica.

Os cuidados permanecem os mesmos. “Não deixar recipientes em locais que possam acumular água da chuva, não acumular lixo, descartar corretamente copos, pneus, garrafas; verificar com frequência locais onde pode haver acúmulo de água. Em caso de suspeita de dengue, hidratar-se bem e procurar um médico”, destaca o especialista.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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