Política

23 de janeiro de 2019 08:44

Bancada sindical na Câmara dos Deputados perde espaço após eleições

Levantamento foi realizado pelo Diap e também considera as entidades patronais

↑ Deputado federal Paulão é um dos representantes sindicais que conseguiu mais um mandato (Foto: Sandro Lima/arquivo)

O movimento sindical brasileiro perdeu representação na Câmara dos Deputados após a eleição de outubro de 2018. Parlamentares sindicalistas – ou ligados a sindicatos – serão, a partir de 1º de fevereiro, em 35 pessoas. Na legislatura anterior, que se encerra agora, são 51. O levantamento foi realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A “Bancada Sindical” será a menor dos últimos trinta anos e a “Empresarial” segue sendo a maior com 193 deputados federais. A segunda maior é a de parentes; parlamentares eleitos por terem ligação com políticos, com 174. Em terceiro está a bancada evangélica, com 85. Como são bancadas consideradas informais, é possível que um deputado esteja na conta de mais de um segmento.

O que o Diap classifica como “Bancada Sindical” não se limita apenas a sindicatos de trabalhadores, mas também patronais.

Entre os parlamentares ligados a sindicatos, cinco são agricultores/pecuaristas; advogados, economistas e agricultor familiar são três cada; bacharéis em Direito, bancários, líderes religiosos, médicos, professores e servidores públicos possuem dois cada; e ainda há um delegado e um industriário na bancada. Bahia e São Paulo foram os estados que mais elegeram deputados federais ligados a sindicatos: sete cada.

Entre os partidos, o com mais parlamentares ligados ao movimento sindical é o PT, com 19; em seguida estão o PCdoB e o PSB, com quatro cada; PR tem dois; e SD, PDT, PODE, PSC, PSOL e PSL tem um deputado federal cada. Dos 35 que comporão a “Bancada Sindicalista” a partir de fevereiro, 27 foram reeleitos; sete são novatos e um retorna à Câmara. Dos reeleitos, treze vão para o 3º mandato; seis para o 5º; e três para o 2º; assim como para o 7º mandato na Câmara.

De Alagoas, apenas Paulão (PT) – em terceiro mandato – está nesta bancada,  segundo o Diap.

Militância tradicional perdeu espaço

 

A redução do número de parlamentares ligados a sindicatos é reflexo de fatores que vão desde o enfraquecimento do perfil tradicional de militância política a criminalização das organizações de trabalhadores. A análise é da cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

“[A redução] tem a ver com o enfraquecimento dos sindicatos nos últimos anos, principalmente depois da reforma trabalhista, onde se pôs fim à obrigatoriedade da taxa sindical. Além de toda a conjuntura, perdeu espaço a militância tradicional e se deu lugar a esses novos movimentos. E também houve criminalização dos sindicatos. Há aí um problema de representação porque os sindicatos têm papel efetivo na sociedade”, analisa.

Os parlamentares ligados a sindicatos sempre foram em número menor que os empresariais. De acordo com Luciana Santana, o motivo é que a diferença de recursos para as campanhas, em menor volume entre os sindicalistas.

PREVIDÊNCIA

A redução de sindicalistas na Câmara dos Deputados pode facilitar o caminho para a reforma da previdência. Contudo, a cientista política pondera que é preciso esperar a posse dos novos parlamentares e a proposta que o governo Jair Bolsonaro (PSL) irá fazer acerca do tema.

“Os partidos de esquerda ainda têm uma representação importante, mas resta saber se vão conseguir bater de frente com outros interesses e fazer valer questões relevantes para a população na reforma da previdência. Isso ainda não está muito claro, a meu ver”, diz.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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