Política

17 de janeiro de 2019 09:07

Renan enfrenta a ira de opositores em Brasília

Senadores e integrantes do Poder Judiciário articulam para eleição em voto aberto

↑ Renan Calheiros usa as redes sociais para se contrapor aos adversários (Foto: Edilson Omena/arquivo)

Caso realmente queira se tornar pela quinta vez presidente do Senado, o senador Renan Calheiros (MDB) terá que enfrentar a ira de muitos colegas dentro do parlamento. Após o indicativo de que o parlamentar poderia entrar na disputa pela presidência da Câmara Alta, diversos senadores partiram para o ataque com o intuito de minar a sua candidatura, mesmo com alguns acenos do próprio Renan ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O início se deu no bate-boca entre Renan Calheiros e o seu colega de Senado, Lasier Martins (PSD) ainda no ano passado, especificamente em novembro. O que ficou evidente que daquele período para o atual é que estaria se formando uma frente parlamentar para trabalhar contra a candidatura do senador alagoano.

Durante a discussão com Renan Calheiros, Lasier chegou a dizer que o tempo do colega já havia acabado e que ele não seria eleito presidente do Senado.

Um dia após o entrevero entre eles, foi a vez do senador eleito pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, dizer que vai trabalhar para evitar a eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado. Além dele, outros senadores também se manifestaram contra a candidatura do parlamentar, a exemplo de Tasso Jereissati (PSDB-CE), que deve participar da disputa.

Na última segunda-feira (14) foi a vez do senador cearense eleito Eduardo Girão (Pros) apresentar mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que senadores réus sejam impedidos de concorrer à presidência do Senado.  Desta maneira, tentando afetar diretamente Renan Calheiros, que tem processos em tramitação na Surprema Corte.

Outra figura que tenta atingir diretamente a candidatura de Renan Calheiros é o coordenador da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol. Por meio de suas redes sociais, ele vem fazendo campanha pelo voto aberto para as presidências da Câmara e do Senado. Para o procurador da República, a votação secreta dificulta o andamento de projetos de lei contra a corrupção e favorece o parlamentar alagoano.

Ao saber dos argumentos de Dallagnol, Renan usou a sua rede social para chamá-lo de “possuído e que continua a proferir palavras débeis, vazias, a julgar sem isenção e com interesse político”.

Senador quer acionar o CNMP em fevereiro

 

Em dezembro do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello chegou a ordenar que a eleição para os cargos da Mesa Diretora do Senado fosse por meio de votação aberta. A eleição para presidente da Casa, bem como dos demais cargos diretivos, está prevista para ocorrer no início de fevereiro de 2019, quando o Congresso retomar as atividades.

Decisão esta derrubada pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli. Na opinião de diversos cientistas políticos a decisão favorece Renan Calheiros. Eles explicam que a votação aberta coloca os políticos na mira da opinião pública e sendo determinantes na tomada de decisão.

Novamente usando as suas redes sociais, Renan Calheiros diz que quando fevereiro chegar entrará no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra Deltan Dallagnol, que segundo ele, continua a fazer política com declarações, tweets e retweets.

“Agora, sem os seus parceiros Janot (aposentado) [ se referindo ao ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot] e Marcelo Miller [aprovado em concurso de juiz federal]”.

Já sobre o seu futuro colega de parlamento, Eduardo Girão, Renan disse que o cearense está a mando do também cearense, Tasso Jereissati.

“Trata-se do ex-dono da Ultralimpo, Empal, Ceará, Thompson, Servis, que enganou mais de 40 mil empregados. É o terceiro maior devedor da Previdência do Brasil e o maior do Ceará e deportado dos EUA”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

Comentários

MAIS NO TH