Política

11 de setembro de 2018 09:02

Collor usa aeronave de empresário suspeito de venda irregular de terreno

Candidato tem percorrido municípios de AL em helicóptero de 8,9 mi de dólares

↑ Helicóptero utilizado por Fernando Collor está em nome da empresa Agropecuária Vale do paraíso Ltda, que tem "Maranhense" como sócio.

O senador Fernando Collor (PTC) gosta de conforto. Em Brasília, desfila em sua Lamborghini Aventador LP 700-4 Roadster avaliada em R$ 3,9 milhões ou em sua Ferrari 458 Italia de R$ 1,95 milhão. Na disputa pelo Governo de Alagoas, não podia ser diferente. Desde o início da campanha, o senador e candidato do PTC tem percorrido os municípios carentes do Estado a bordo de um belíssimo Eurocopter/Aerosptiale AS-365 N3 Dauphin 2, avaliado em 8,9 milhões de dólares, algo em torno de R$ 35 milhões.

A despesa com o aluguel da aeronave, declarada por Collor na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, foi de R$ 120 mil, a segunda maior da campanha, perdendo apenas para os R$ 400 mil gastos com a produtora de vídeo responsável por seu guia eleitoral. No entanto, segundo apurado pela reportagem, o aluguel da aeronave estaria avaliado em R$ 10 mil por hora.

O helicóptero AS-365 N3 Dauphin 2 tem espaço para 12 passageiros, suficiente para a tropa de choque de Collor, seus principais assessores e para os candidatos ao Senado na chapa, Benedito de Lira e Rodrigo Cunha – mesmo que este ainda evite dividir palanque com o ex-presidente. Equipado com dois motores Arriel 2C de 730 SHP de potência, o AS-365 N3 apresenta baixo nível de ruído e todas as regalias necessárias para a trupe se recuperar das agendas de campanha.

Fernando Collor tem se deslocado com certo luxo durante a campanha eleitoral para chegar a regiões carentes.

Como grande parte de tudo que cerca a vida do senador do PTC, a origem do potente Eurocopter também levanta suspeitas. A aeronave estaria financiada junto ao Banco Safra e seu operador é uma empresa denominada Agropecuária Vale do Paraíso Ltda, fundada em 1999, com sede na Fazenda Vale do Paraíso, município de Bannach, no Estado do Pará, cuja atividade econômica principal é a criação de bovinos para corte.

A empresa tem capital social avaliado em R$ 12.219.475,00 e foi investigada pela Operação De Volta aos Trilhos, da Polícia Federal, um desdobramento da Operação Lava Jato na região Centro-Oeste, em 2017, acusada de crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Na ação, a empresa teve pelo menos uma aeronave apreendida, um Neiva Seneca III, prefixo PT-VOV, avaliada em R$ 400 mil.

Um dos sócios da Agropecuária Vale do Paraíso é Antônio Lucena Barros, o “Maranhense”, proprietário de mais de 30 mil cabeças de gado no Pará. Praticamente desconhecido em terras alagoanas, “Maranhense” chegou por aqui como sócio administrador da Construtora MSL, instalada na Fazenda Thormes de Pratagimirim, zona rural de Rio Largo. Em 2010, a MSL foi a responsável pela aquisição de uma área, em Rio Largo, de 2,5 milhões de m², cerca de 252,4 hectares, para construção de moradias populares que seriam destinadas às famílias desabrigadas pelas enchentes daquele ano, que devastaram o município.

Fonte: Tribuna Independente / Editoria de Política

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