Política

11 de agosto de 2018 09:23

Senado segue como principal disputa em Alagoas

Avaliação é da cientista política Luciana Santana, que traz à tona um debate sobre as eleições para governo e Senado

↑ Luciana Santana lembra que ao iniciar a propaganda, o eleitor terá a ciência se a campanha eleitoral será propositiva ou negativa (Foto: Sandro Lima)

A campanha eleitoral, propriamente dita, começou nesta semana com o término das convenções partidárias. A disputa pelo Governo do Estado até então parecia fava contada, mas com a entrada do senador Fernando Collor (PTC) isso tende a mudar. As primeiras impressões da cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), são que, mesmo ainda sendo cedo para determinar o impacto da candidatura oposicionista, o embate principal será ao Senado, onde há quatro nomes fortes na concorrência.

Tribuna Independente – Com a definição de Fernando Collor como candidato, o que parecia ser uma eleição chocha ganhou ares de disputa mais acirrada. Como você vê esta eleição dentre os nomes postulados ao Governo do Estado que, além do senador e do governador Renan Filho, temos duas candidatura menores, uma à esquerda – Basile (PSOL) – e outra à direita – Josan Leite (PSL)?

Luciana Santana – A gente tem essa nova situação [candidatura de Fernando Collor], mas não diria que o quadro se alterou tanto. O que há de novidade é a presença de um candidato que, realmente, tenha mais capilaridade para fazer oposição, que consiga reunir mais requisitos, além de hoje ocupar um cargo importante. É senador por Alagoas e tem influência nos meios de comunicação do estado. Queira ou não, não se trata de qualquer um. Hoje se tem, pelo menos, alguém que faça oposição mais concreta. Dá para dizer que hoje existe uma oposição que possa ser um pouco competitiva. Ainda não dá para dizer qual será o nível de competitividade entre as duas principais chapas: liderada pelo Renan Filho e a pelo Collor. Quando começar a campanha no rádio e na tevê, teremos mais condições de análise nesse sentido porque eles terão um tempo considerável em relação aos outros dois [Basile e Josan]. O que vamos precisar perceber nessa propaganda é qual será o foco, se será uma campanha negativa ou propositiva.

Tribuna Independente – A senhora fala em oposição competitiva e o vice do Collor – Kelmann Vieira – é do PSDB, mas o partido não parece estar entusiasmado nesta disputa. O PSDB é um partido importante em Alagoas, pois tem o prefeito de Maceió e o de Arapiraca, além de dezenas de parlamentares. Até que ponto isso pode afetar essa candidatura?

Luciana Santana – Isso vai influenciar nas chances eleitorais dele [Collor]. Queira ou não, para ser eleito governador precisa ter uma base mais coesa, dialogar melhor e com as principais lideranças que fazem parte da chapa. E quem articulou essa chapa foi o PSDB. O partido é ainda, mesmo sem a cabeça de chapa, é o articulador da oposição. O que é o partido do Collor hoje? É ele e só. Não tem estrutura partidária, não tem prefeituras comandadas pelo partido. Se não há coerência entre os partidos, uma boa articulação entre a base, isso interfere nas chances eleitores do candidato majoritário. Isso é fato. Collor pode ter pretensões semelhantes a de 2006, quando ele foi um fenômeno eleitoral e conseguir, em pouco tempo, reverter uma situação adversa. Mas acredito que hoje a situação é outra, até pelo cargo em disputa. Governo e Senado são situações diferentes. Não dá para comparar. Agora, ele tem um desafio muito grande. Seu partido, por ser pequeno, tem de conseguir votos para os proporcionais, especialmente para a Câmara dos Deputados. Sua candidatura é uma forma de dar visibilidade a essas campanhas. Ele precisa se fortalecer para uma possível candidatura à reeleição ao Senado em 2022. Precisa ter estrutura partidária e acesso ao Fundo Partidário porque hoje os partidos que não fizerem nove deputados federais e não tiver uma porcentagem mínima de votos no país não terá acesso a esses recursos.

Tribuna Independente – E os outros dois candidatos ao governo, Basile e Josan, a senhora não acredita que eles consigam ter destaque por causa da disputa entre Renan Filho e Fernando Collor?

Luciana Santana – Acredito que não, apesar de considerá-las candidaturas importantes. Elas fazem um papel crítico importante, seja para a esquerda ou para a direita. A gente não pode negar que hoje existe sim um aumento considerável – pelo menos uma visibilidade – de um discurso mais conservador à direita, que precisa de algum tipo de vocalização. Assim como a esquerda precisa também. Acho que o PSOL vai cumprir esse papel. Estamos com um governo com boa avaliação, mesmo assim não podemos ter como princípio que nada precisa ser mudado ou que não há falhas no governo. Então, cabe a esses partidos fazer as críticas e apontar as fragilidades do atual governo. Inclusive, para que o candidato eleito ou, se for caso, o governador reeleito, possa tentar trabalhar em cima dessas fragilidades. Esses partidos são importantes, mas pelo perfil do eleitorado alagoano – como ele tem votado nas últimas eleições e como se dá a evolução dos partidos e seus desempenhos –, aponta tendências em relação ao sucesso ou não dos candidatos.

Tribuna Independente – E para o Senado, não tivemos surpresas nas convenções, qual a sua avaliação? Segundo Ibrape, Renan Calheiros e Benedito de Lira lideram as intenções de votos.

Luciana Santana – Vejo essa disputa continua sendo a principal, pois ainda não consigo perceber mudança substancial no cenário na eleição para o Governo do Estado. No caso do Senado, você tem dois atores buscando a reeleição e têm recursos – no sentido institucional – que lhes dão certa vantagem numa competição política. Quem está dentro das instituições acabam tendo essa vantagem. Mas é um tipo de campanha difícil de mensurar quando se tem dois cargos majoritários. O cálculo do eleitor não, necessariamente, é Renan versus Benedito. Não é isso que está em disputa. O eleitor vai escolher para a cadeira X e qual prefere para a cadeira Y. Hoje, o eleitor tende a pensar da seguinte forma: ‘se existe polarização entre Renan e Benedito, quem vota em um não vota no outro, mas vota em uma das outras opções’. Isso pode causar o efeito da eleição de 2010, quando o Benedito foi beneficiado. Existia polarização muito grande entre Heloísa Helena [à época PSOL, hoje REDE] e Renan Calheiros. Quem votava em um não votava no outro e acabou votando no Benedito.

Tribuna Independente – Mas também há quem vote em candidatos antagônicos…

Luciana Santana – Eu ainda não consegui perceber. O eleitor não tem clareza, ainda, que existe uma polarização. E existe, pois são chapas opositoras. Para o eleitor, isso ainda não está claro. São dois senadores que disputam a reeleição. O eleitor pode sim fazer esse movimento e, diante da polarização, escolher um em detrimento do outro. E aí acontece o que ocorreu em 2010 e, no cenário atual, acredito que o Rodrigo Cunha seria o principal beneficiário disso, se acontecer. Além da intenção de voto, é preciso olhar a rejeição. Se ela é considerável, tem de descartar esse potencial eleitor porque ele não votará em você. A chance é que esses votos sigam para a terceira via. Mas, na verdade, tem quatro candidatos com chance. Os demais não têm muita. Contudo, a eleição ainda é uma incógnita porque está muito cedo. São atores importantes em busca desse cargo e tudo pode acontecer numa eleição majoritária.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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