Política

8 de agosto de 2018 07:39

Toledo repudia tentativa de intervir no Pros em Alagoas

Partido presidido pelo deputado estadual consta na ata de coligação com o MDB, do governador Renan Filho

↑ Bruno Toledo ressaltou que o Pros está forte politicamente e aguarda que o partido siga na oposição (Foto: Ascom/ALE)

A surpresa no último dia para a realização das convenções partidárias não ficou apenas no anúncio da candidatura do senador Fernando Collor de Mello (PTC) para o Governo de Alagoas, mas também devido à inclusão do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) na coligação do governador Renan Filho (MDB). O fato causou revolta no presidente estadual da legenda, o deputado Bruno Toledo, adversário político do atual chefe do Poder Executivo, que repudiou essa “aliança”.

Bruno Toledo faz parte do bloco de oposição capitaneada em Alagoas pelo PSDB e que conta ainda com partidos como o PP, DEM e PSB. A Executiva estadual do Pros, então, divulgou uma nota na última segunda-feira (6) alegando surpresa no fato de sua legenda ter sido citada na ata da convenção do MDB. O partido também enfatizou que repudia “toda tentativa de interferência indevida” em suas decisões.

Na ata divulgada no site da Justiça Eleitoral, o Pros aparece entre as coligações partidárias do MDB. Já na ata da legenda não há referência ao Movimento Democrático Brasileiro. Consta o seguinte: “Este partido se coligará com PTC, PSDB, PP, Democratas, PSB, PRB e PSC”. É a decisão tomada pelo colegiado do PROS e não apenas pelo deputado estadual Bruno Toledo.

Em contato com a reportagem da Tribuna Independente, Bruno Toledo disse que houve, na verdade, um equívoco por parte do MDB nesse processo político, acreditando que havendo intervenção da direção nacional poderia anular o deputado politicamente.

“No mínimo, eu deveria ter sido contatado, consultado. Fiquei sabendo quando tive acesso às atas depois de publicadas. Não dá para entender isso como natural. Espero que não tenha sido mesmo um grande equívoco, não sei por parte de quem”, informou Toledo.

Bruno Toledo, que neste pleito, irá em busca da permanência na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), explica ainda que  o Pros nacional tinha a expectativa de que ele poderia disputar a Câmara Federal e que pelo fato de a executiva estadual ter optado por mantê-lo candidato à reeleição, tenha havido uma tentativa de intervenção.

“Tive contato com o presidente nacional para informar que a convenção do Pros tinha aprovado como candidato a Assembleia. De fato, eu quero reconhecer que o meu partido tinha a expectativa de que eu disputasse a eleição de federal. Eu expliquei que na convenção não foi isso que foi determinado. Não acho razoável por apenas um membro não ter sido escolhido como candidato a uma eventual disputa que se haja uma tentativa de intervenção. O Pros permanece onde está”.

Senador diz que executiva nacional contatou o MDB

 

A reportagem da Tribuna Independente entrevistou o senador Renan Calheiros (MDB), que explicou a situação. Ele ressaltou que o Pros nacional procurou o MDB dizendo que queria fazer uma aliança no estado e que por isso a legenda emedebista fez apenas “uma previsão” com o Pros dentro da coligação governista.

“O Pros fez uma aliança nacional com o PT. Aí o cara [presidente nacional do Pros] ligou, pois tinha que entregar a ata às 15 horas e disse que queria fazer uma aliança em Alagoas. E a gente tinha que prever a aliança. Nós só fizemos uma previsão, mas a aliança só se confirma quando os dois lados decidem coligar, quando um só decide não tem eficácia. A decisão é do Pros não é nossa. É porque a turma fica querendo criar fato. Não tenho nada a ver com problema de Bruno Toledo com a direção nacional. A gente já tem partido demais”, destacou o senador Renan Calheiros ao mostrar a versão do MDB neste contexto das atas após a convenção.

NACIONAL

Para o site Diário do Poder, o presidente nacional do Pros, Eurípedes Júnior negou ter havido tentativa do MDB de intervir no Pros, justificando que o deputado estadual Bruno Toledo havia se comprometido em disputar o cargo de deputado federal desde o seu ingresso na legenda partidária, que ocorreu em 2016 e que esse acordo teria feito com que vários “bons quadros” da política de Alagoas não se filiassem ao partido.

“No entanto, no último dia para formalização das coligações, o deputado Bruno noticiou que seria candidato a reeleição de deputado estadual. Com isso, o Pros abriu conversas para verificar se existia alguma possibilidade de eleição para federal em outra chapa que acolhesse os projetos do partido. Contudo, isso não ocorreu e se manteve o status atual. No entanto, o partido fará uma profunda avaliação do desempenho da legenda em Alagoas e naturalmente as mudanças poderão ocorrer”, disse Eurípedes ao Diário do Poder.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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