Política

7 de agosto de 2018 07:52

Renan Filho e Collor iniciam embates da campanha eleitoral

Candidatos oficializados ao governo dispararam críticas um ao outro durante os discursos feitos nas respectivas convenções

↑ Renan Filho e Fernando Collor serão rivais na eleição deste ano ao disputarem o cargo de governador (Fotos: Edilson Omena e Sandro Lima/arquivo)

O domingo de convenções partidárias em Alagoas trouxe uma grande surpresa para o cenário da disputa ao cargo de governador quando o senador Fernando Collor (PTC) confirmou que seria candidato pela oposição a Renan Filho (MDB), também confirmado em convenção no último dia 5 de agosto. Com a chegada de Collor para a oposição, o grupo que tinha Pros e DEM, além de PSDB e PP, ganha o reforço dos partidos que estavam compondo a Frente Alagoana do Bem, capitaneada pelo PSB, de João Henrique Caldas, JHC.

A coligação da base oposicionista terá também PSC, Patriotas, PRB e PPL. Como vice, o nome apresentado foi o do presidente da Câmara de Maceió, vereador Kelmann Vieira (PSDB), que pelo visto deve ter resolvido os “problemas” com o PP, partido que havia vetado seu nome para a disputa governamental, após indicação do presidente do partido, o prefeito Rui Palmeira.

Após o veto o grupo oposicionista chegou a cogitar o nome do líder do prefeito Rui Palmeira na Câmara de Maceió, vereador Eduardo Canuto (PSDB), mas encontrou novamente objeção do PP do deputado federal Arthur Lira e do senador Benedito de Lira.

Ambos encontraram no senador Fernando Collor a solução por uma candidatura com viabilidade eleitoral e que faça frente a Renan Filho. Diversos membros do PSDB não estiveram presentes, entre eles o ex-governador Teotonio Vilela Filho, que nesta segunda-feira (6) emitiu uma nota dizendo respeitar a decisão, mas que não votará em Collor.

AFIANDO OS DISCURSOS

Em seu discurso já como candidato ao governo, Fernando Collor foi para o ataque e denunciou a perseguição sofrida pelos alagoanos que possuem a “cinquentinha” como meio de transporte, delatando também a demora do governador em garantir a continuidade do Programa do Leite. Collor disse ainda que vai continuar cobrando e denunciando as mazelas e se referiu a Renan Filho como o candidato virtual e ressaltou que Alagoas precisa de menos prepotência e mais visão social.

Do outro lado, o MDB referendou o nome de Renan Filho para disputar a reeleição ao governo. O governador não tirou por menos e mandou o recado para o senador Fernando Collor, agora ex-aliado.

Renan acusou Collor de traição, lembrando que o então senador já havia traído o seu pai, Renan Calheiros. Em sua fala, Renan se referiu a Collor como farsante, arrogante, falso moralista e traidor.

Com a ida do PTC para a base oposicionista, o governador decidiu exonerar Antônio Santiago do cargo de secretário da Agricultura. Ele foi indicado para o cargo pela presidente do PTC, Célia Rocha, com aval de Collor. Na convenção, o MDB confirmou ainda que a chapa será novamente “puro sangue”. Renan Filho terá Luciano Barbosa como vice, que já ocupa o cargo atualmente.

Ex-governador não vota no candidato do PTC

 

O ex-governador e ex-senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) divulgou nota ontem (6) em que afirma não votar em Fernando Collor (PTC) para o Governo do Estado. No texto, o líder tucano diz entender a necessidade da composição do grupo oposicionista e que vai se dedicar às campanhas proporcionais, à de Rodrigo Cunha ao Senado e à de Geraldo Alckimin à Presidência da República.

“Desde o primeiro instante, manifestei minha posição contrária a aliança do PSDB com o PTC de Collor, sobretudo pela forma impositiva como ela ocorreu. Os meus correligionários sabem que não voto em Collor em nenhuma hipótese. Entendo, também,  que o presidente Rui Palmeira, líder do nosso partido, não poderia deixar de atender à necessidade de uma coligação eleitoral viável para os nossos candidatos à Assembleia Legislativa. Continuarei trabalhando firme para elegermos as nossas candidaturas na eleição deste ano, as proporcionais, a de Rodrigo Cunha ao Senado e a de Geraldo Alckmin à presidência do Brasil” diz a nota do tucano.

NOVO CENÁRIO

Consultada pela reportagem da Tribuna Independente, a cientista política Luciana Santana foi questionada se a candidatura de Fernando Collor ao governo deixa de lado a sensação de “W.O.” que o governador Renan Filho poderia sentir sem nenhuma candidatura de peso.

“Não vejo a candidatura do senador Fernando Collor ao Governo de Alagoas como uma ameaça a Renan Filho. Avalio sim que é uma estratégia de sobrevivência eleitoral do partido em 2022 e isso passa por influenciar nomes para proporcionais. Esse deve ser o maior objetivo de Collor na disputa. Se for derrotado continuará senador até 2022, não perde poder. Basile [Christopoulos, PSOL] e Josan [Leite, PSL] são nomes importantes na disputa pelos contrapontos [em espectros ideológicos opostos] que apresentarão, mas as suas chances de vitória são baixas. Com o início da campanha teremos mais condições de avaliar o novo cenário”, analisa Santana. (Com Carlos Amaral)

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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