Política

13 de julho de 2018 08:13

Inquérito sobre morte de Neguinho Boiadeiro é concluído, porém sem mandantes

Polícia Civil ainda busca descobrir quem mandou matar vereador de Batalha

↑ Neguinho Boiadeiro foi assassinado há oito meses em Batalha (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil (PC) concluiu o inquérito sobre o assassinato do vereador por Batalha, município localizado no Sertão alagoano, Adelmo Rodrigues de Melo, o Neguinho Boiadeiro, morto em novembro do ano passado ao deixar a sessão da Câmara Municipal. A PC diz que sabe quem são os autores materiais, a origem da munição, a logística do crime, no entanto não conseguiu chegar aos autores intelectuais do crime.

Os autores materiais que chegaram a ser presos e logo após foram soltos são: o vereador Sandro Pinto (PMN); seu sobrinho Rafael Pinto; e uma terceira pessoa identificada como Maykel dos Santos.

No tocante aos mandantes, o delegado Cícero Lima, que preside a comissão de delegados responsável pelo caso, alega não ter provas para indiciar ninguém, mas os suspeitos existem. A investigação não deve ser concluída de imediato, apesar de já ter sido enviada para a Justiça.

O delegado pontuou algumas das dificuldades encontradas pela polícia, porém diz estar esperançoso para chegar aos mandantes do crime que completou oito meses no último dia 9 de julho. “Acreditamos que a perícia que ainda será realizada, com tecnologia avançada, pode nos revelar quem são os mandantes. Nós temos suspeitos, mas precisamos de provas para apontá-los à Justiça”, disse.

Em fevereiro, quando apresentou os suspeitos do assassinato de Neguinho Boiadeiro, em entrevista coletiva, a cúpula da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) já havia relevado a dificuldade de chegar aos nomes que encomendaram o crime por ter sido um plano bem sofisticado.

Ainda durante a coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Paulo Cerqueira, informou que os primeiros passos para chegar até os suspeitos foram os levantamentos com filmagens de câmeras de segurança e testemunhas. O que a polícia ainda não diz é qual a participação de cada um.

A polícia revelou também que o crime estava sendo planejado há pouco mais de dois meses quando um veículo Chevrolet Cobalt foi roubado em Cruz das Almas, em Maceió, por quatro homens. O carro não teria sido visto em nenhum crime, mas havia aparecido saindo de Major Izidoro no dia da morte de Neguinho e em seguida, queimado.

A Polícia Civil acredita que foi o carro usado no crime.

Família se manifestou nas redes sociais

 

À época das prisões, a família do vereador Sandro Pinto (PMN) procurou, via redes sociais, se manifestar em defesa do parlamentar. Na mensagem, os familiares alegam que Sandro está em seu quarto mandato e que nunca se envolveu em escândalos, sejam políticos ou de qualquer outra natureza.

A nota dizia ainda que a polícia está pretendendo apontar um bode expiatório para o crime, já que os próprios familiares de Neguinho Boiadeiro nunca disseram que Sandro Pinto estaria envolvido no crime e que sempre apontaram que a origem do assassinato seria de “outros responsáveis”, no caso a família Dantas (Paulo Dantas, Marina Dantas e Luiz Dantas). Vale lembrar que as famílias Dantas e Pinto são aliadas politicamente em Batalha.

Cícero Lima informou que o crime pode ter relação com a denúncia de servidores fantasmas na ALE (Foto: Ascom/PC)

Como desencadeamento das investigações, o delegado Cícero Lima, revelou para a imprensa em março, que as balas que mataram Neguinho Boiadeiro, haviam sido desviadas de um lote que era de propriedade de um batalhão do Exército Brasileiro no Rio de Janeiro. A origem da munição foi passada à Polícia Civil pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) responsável pela base de dados no país.

Outro fato confirmado pelo delegado Cícero Lima é de que o crime pode ter relação com o esquema de servidores fantasmas na folha da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), denúncia que segundo a família de Neguinho Boiadeiro, o vereador estava com toda a documentação pronta para fazer, mas acabou assassinado.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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