Política

19 de maio de 2018 08:55

Partido dos Trabalhadores ensaia retorno à base do governo Renan Filho

Cargos devem ser indicados para Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos

↑ Ricardo Barbosa destaca que no atual momento do PT-AL o importante é a composição eleitoral (Foto: Sandro Lima / Arquivo)

Após um período de debates sobre o retorno do PT-AL ao governo Renan Filho (MDB), tudo indica que a sigla volte a compor a base governista. No início da gestão, o partido comandou duas secretarias: a do Trabalho e a de Assistência Social. A saída se deu após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A justificativa dos petistas foi a de que o MDB foi um dos articuladores do “golpe” e que por esse motivo não poderia permanecer com os cargos no Poder Executivo.

No início do mês durante um congresso estadual do partido, a maioria aprovou a construção de uma ampla aliança com o grupo do governador.  A prioridade do PT em Alagoas com o acordo firmado é construir um palanque de apoio para a candidatura do ex-presidente Lula e a reeleição do deputado federal Paulão.

À reportagem da Tribuna Independente, o presidente estadual do PT, Ricardo Barbosa, confirmou que há uma discussão em torno do convite feito pelo governador Renan Filho para que o partido volte a compor a gestão do emedebista.

“Ao garantirmos apoio ao governador Renan Filho no processo eleitoral, abre-se também a possibilidade de discutir a composição no governo, porém até o momento, essa é uma discussão que foi colocada pelo governo nos convidando a fazer parte da gestão. Inclusive, colocando como uma proposta a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, porém em relação a isso não houve nenhuma resposta oficial do PT, nem do governo”, disse Barbosa.

Questionado se a oferta da secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos atende os anseios do partido, em questão de estrutura e área de atuação, Ricardo disse que essa discussão está minimizada no momento, pois o que interessa no momento é a composição eleitoral.

Corrente se opõe a coligar e indicar cargos

Enquanto o partido se organiza para retornar à base do governo alagoano, esse debate encontra resistência dentro da legenda. Membro da Democracia Socialista, Lenilda Lima explicou que a corrente partidária tem um posicionamento no estado de não constituir esse tipo de aliança.

“Analisando as figuras que compõem a aliança que circula agora no Palácio [República dos Palmares, sede do Governo de Alagoas], defendemos essa tese, perdemos e logicamente o PT está encaminhando aquilo que foi aprovado no congresso. Esse debate ainda vai continuar. Ele se estende agora devido ao período eleitoral. Nós estamos construindo um processo de diálogo e resistência em relação a esse projeto que está sendo desenvolvido no país e que tem a mão, infelizmente, do MDB e vários outros aliados. Todos aqueles que construíram a derrubada da presidente Dilma e que tem um projeto antagônico ao nosso, nós somos contra. Tanto que a Democracia Socialista [DS] não compactua com isso. Respeitamos posições e deliberações da maioria, mas somos contra”, explicou Lenilda Luna.

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Lenila Lima confirma que a Democracia Socialista já definiu em congresso ser contra as alianças (Foto: Sandro Lima)

A postura da corrente Democracia Socialista é tão clara que decidiram afastar o professor Gilberto Coutinho, após ele aceitar o cargo de assessor no Iteral no governo Renan Filho (MDB). Numa nota à imprensa, a tendência explica que a atitude de Coutinho “afronta as decisões do 6º Congresso PT e da DS”. O 6º Congresso decidiu que o PT não se aliaria a partidos que aceitaram o impeachment de Dilma Rousseff.

FLERTE

No final do ano passado, o PT já havia flertado com o governo sobre a possibilidade de retornar para a gestão. À época, também foi oferecida a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, no entanto não houve avanços.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

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