Política

30 de março de 2018 09:23

Marx Beltrão não abre mão do Senado

Ministro do Turismo destaca que o desenvolvimento do seu trabalho lhe garante respaldo para a disputa em 2018

↑ Marx Beltrão ressalta que ainda é cedo para tratar sobre apoios na campanha para presidente (Foto: Edilson Omena)

Aos 38 anos de idade, o atual ministro do Turismo Marx Beltrão (MDB) finca o pé em sua candidatura ao Senado, independente de a ida de Maurício Quintella (PR) à base de apoio do governador Renan Filho (MDB) ter como acordo a condição de segundo senador na chapa, ao lado de Renan Calheiros (MDB). Segundo Marx, a ele também foi feito o convite para ocupar este espaço na coligação. Contudo, o ministro – que também é deputado federal – já vislumbra alternativas para garantir sua candidatura de senador.

Tribuna Independente – Com as recentes movimentações políticas, com destaque à adesão de Maurício Quintella (PR) à base de Renan Filho (MDB) com o anúncio de que ele seria o segundo senador da chapa de reeleição do governador, o senhor mantém sua candidatura ao Senado?

Marx Beltrão – Estou muito à vontade com isso. Sou amigo do ministro Maurício Quintella e sou daqueles que faz política somando e não subtraindo. Acho que se um grupo político quer obter vitória em eleições, deve sempre crescer, trazendo aliados e não tirar. Da mesma maneira que o ministro Maurício tem o convite para ser o segundo senador na chapa, eu também tenho. Inclusive com nota pela direção estadual do MDB, tanto se eu estiver no partido quanto em outro. Portanto, eu vejo isso como uma disputa muito democrática e acho, inclusive, bom para a população em ter mais opções de voto para o Senado. Política se ganha nas ruas, com o povo. Discutindo e conversando com a sociedade. Claro que não será uma eleição fácil, mas não tenho nenhum receio ou medo em disputar uma eleição. Quem quer concorrer a qualquer cargo público não tem de escolher adversário, enfrentar tudo com debate e amigável porque não precisa haver troca de agressões, até por ser o mesmo grupo. Vamos fazer isso de forma muito democrática. E, na atual conjuntura política, o candidato a governador pode ter mais de dois candidatos a senador, sem problema algum. Basta fazer as divisões dos partidos.

Tribuna Independente – A possibilidade de o senhor ocupar o espaço de vice na chapa do governador Renan Filho está descartada, então?

Marx Beltrão – Nunca escutei de ninguém qualquer discussão sobre espaço de vice. Nem do governador, nem de ninguém do grupo dele. Nunca recebi esse convite e não passa pela minha cabeça disputar o cargo de vice. Sempre disse, desde o início, que assumi o mandato de deputado federal – nem pensava à época que poderia chegar ao Ministério do Turismo – tenho dito que pretendo disputar o Senado. Inclusive, quando o MDB fez as convenções, eu disse na reunião, em alto e bom som, que pretendia disputar o cargo de senador. Nunca escondi da imprensa nem de ninguém. Desde o início, o presidente estadual do partido, o senador Renan Calheiros, sempre me disse que se eu quisesse, o partido daria o maior apoio a essa candidatura. Portanto, não vejo o Maurício como nenhum tipo de ameaça. Pelo contrário, acho que se for para trazer outro candidato a senador, não vejo nenhum problema.

Tribuna Independente – Tem uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2010, que limita a dois o número de candidatos ao Senado por chapa de governador. O senhor está disposto a deixar o MDB pela candidatura ao Senado?

Marx Beltrão – Resolução de TSE pode mudar a cada eleição. E até as eleições deste ano pode sair outra que mude essa limitação. Portanto, a gente não pode basear a eleição de 2018 numa resolução de 2010. Mas se valer a de 2010, a gente pode fazer uma coligação apenas com candidatos a senador e fazer a outra com candidato a governador e senador. Não tem nenhum tipo de dificuldade com isso, nenhum tipo de problema. Eu disse ao governador, ao Renan Calheiros, e digo publicamente que eu sou pré-candidato – ninguém é candidato ainda – ao Senado e acredito que todo o trabalho que tenho feito me deixa, de certa forma, respaldado e pronto para disputar as eleições.

Tribuna Independente – O senador Renan Calheiros tem batido na tese de que o MDB deve apoiar a candidatura do Lula (PT), mas o senhor é ministro do governo Temer, que anunciou a possibilidade de tentar a reeleição e deve contar com seu apoio. Como o senhor vê essa divisão no MDB?

Marx Beltrão – O MDB nunca foi unanimidade. Nem lá trás, nem hoje e não será amanhã. Por isso se chama Movimento Democrático Brasileiro. Democracia acima de tudo. Tanto que na eleição da Dilma em 2010, em que o MDB estava na chapa como vice, sua candidatura não foi consenso. Em nenhuma das duas eleições, na verdade. Assim que fui eleito deputado federal, antes do segundo turno, e vi claramente deputados do partido se manifestando em favor de Aécio e outros em favor de Dilma. Sempre foi claro que o MDB nunca foi de consenso. O partido prega a democracia e que cada grupo siga seus interesses. Portanto, a decisão do senador Renan Calheiros em apoiar o presidente Lula vem das razões dele. Eu respeito isso. Cada um tem de tomar a decisão que avalia que deve. Eu não conversei com o presidente Temer sobre sua candidatura. O que sei é através da imprensa porque ele nunca me disse se seria candidato. Eu, hoje, não conversei com ninguém sobre candidatura presidenciável, a não ser com o senador Fernando Collor [PTC]. Se ele for candidato a presidente, como ele é alagoano, acredito que será um bom nome para que possamos discutir a eleição presidencial. Claro que há outros nomes nacionais que se apresentam como candidatos, mas acho que ainda está cedo.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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