Política

14 de março de 2018 10:18

“Não há desistência porque nunca fui candidato”, diz Rui Palmeira

Prefeito garante nomes fortes de seu grupo de apoio para as eleições ao Governo do Estado e ao Senado

↑ Prefeito Rui Palmeira deixou aliados surpresos com a sua decisão de não disputar o governo estadual nas eleições deste ano contra o atual governador Renan Filho; PSDB tenta encontrar um nome para a campanha (Foto: Sandro Lima)

Um dia após anunciar que não disputaria a eleição deste ano, o prefeito Rui Palmeira (PSDB) concedeu entrevista coletiva na terça-feira (13) e ressaltou nunca ter afirmado ser candidato em outubro deste ano. Segundo ele, o grupo composto por PSDB, DEM, PP e PR irá lançar nomes competitivos ao Governo do Estado e ao Senado.

“Não há desistência porque nunca fui candidato. Sempre colocaram meu nome como possível candidato e sempre disse que teríamos candidatos ao Governo e ao Senado, mas nunca me coloquei como um. A gente continua com o mesmo grupo, com partidos e lideranças fortes e a gente, obviamente, está buscando nomes para disputar o Governo de Alagoas e o Senado Federal. Isso está mantido”, garante o prefeito da capital alagoana.

Segundo Rui Palmeira, antes de anunciar a sua decisão, todos os presidentes – e lideranças – dos partidos aliados foram informados.

“Conversei com o Maurício Quintella [ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, PR], com o Bruno Toledo [deputado estadual, Pros], com o senador Biu [Benedito de Lira, PP], com o Nonô [presidente do DEM e atual secretário Municipal de Saúde], com o prefeito de Arapiraca Rogério Teófilo [PSDB], com o ex-governador Teotonio [Vilela, PSDB]. A gente ficou de sentar para analisar possíveis nomes. Precisamos desse nome para agregar as chapas proporcionais para deputado estadual e deputado federal e esse trabalho já está sendo feito. Temos e buscar um nome de consenso que possa nos representar, um palanque de oposição ao atual Governo do Estado. Nós temos diversos nomes, não só no PSDB, mas também nos partidos aliados”, diz Rui Palmeira.

Ele reafirmou o motivo de não disputar o pleito de outubro: garantir os projetos em andamento na Prefeitura de Maceió.

“Não me sentiria confortável deixar a Prefeitura faltando dois anos e meio [fim do mandato], já que temos muitos projetos em andamento e alguns que a gente não conseguiu ainda iniciar. Projetos que vamos lutar até o fim por eles, como o ‘De Frente Para a Lagoa’, ‘o Nova Maceió’ e a UPA do Jacintinho”, afirma Rui Palmeira.

ESPECULADO

Durante a terça-feira, alguns vereadores propuseram o nome do presidente da Câmara Municipal de Maceió Kelmann Vieira (PSDB) para substituir o prefeito disputa  para o Governo do Estado. A sugestão foi realizada em plenário pelos vereadores Dudu Ronalsa e Eduardo Canuto, também do PSDB.

Vieira se esquivou e agradeceu aos colegas pela lembrança, mas disse “ter muito o que fazer na Câmara”.

SURPRESO

Usando a sua rede social nesta terça-feira, o presidente do Democratas. José Thomaz Nonô, declarou que “o mundo político alagoano foi surpreendido com a decisão do prefeito de Maceió.

“O prefeito teve a gentileza de me convidar enquanto presidente do DEM para explicar uma das razões dos seus gestos e anunciá-la. Acho que o fato vai repercutir no Estado. Precisamos aguardar. Essa decisão surpreendeu o mundo político alagoano”, informou Nonô.

Ainda em sua fala, Nonô assegurou a continuidade do apoio ao prefeito de Maceió para seguir ajudando nas demandas municipais. O atual secretário de Saúde de Maceió era um dos entusiastas para que Rui Palmeira fosse candidato ao governo este ano.

Ao final das eleições de 2016, no segundo turno em Maceió, Nonô havia falado à imprensa que a oposição saiu fortalecida do processo eleitoral que elegeu Rui, em Maceió, e Rogério Teófilo, em Arapiraca.

Cientista político aponta cenário de W.O. em outubro

Com o anúncio de segunda-feira de que não seria candidato neste ano, nem ao Governo do Estado nem ao Senado, o prefeito de Maceió Rui Palmeira deixou a oposição a Renan Filho numa situação complicada para impedir a reeleição do atual governador. Há quem aponte, a partir de agora, a eleição de outubro como W.O.

Para o cientista político Ranulfo Paranhos, este é atual cenário eleitoral.

“O cenário hoje é de W.O. Amanhã ou semana que vem, eu não sei. Não vejo nome forte para entrar em tão pouco tempo, sem pré-campanha estabelecida, que o grupo resolva apoiar. Que evite desacordo interno no grupo. E é difícil também porque o MDB hoje tem ao seu lado quase todo o espectro politico, da esquerda para a direita”, avalia Ranulfo Paranhos.

De acordo com ele, é possível que se repita neste ano o mesmo que ocorreu em 2014.

“Oposição ficou num mato sem cachorro porque Rui desistiu tarde. Pode acontecer o mesmo que em 2014, com o Júlio Cezar, e lançar um nome só para dizer que tem candidato. Isso é muito ruim para o grupo político porque fica sem uma proposta elaborada e fica com dificuldade para montar palanque proporcional. Alguns nomes podem conseguir contornar os efeitos dessa decisão tardia, mas não sei se será competitivo ou para cumprir tabela. Competitivo, a essa altura do campeonato, é difícil. Tem de estar disposto a entrar numa campanha com poucos recursos, em cima da hora, e a abrir mão da possibilidade de eleição em outro espaço”, destaca Ranulfo Paranhos.

BOM SENSO

Já para a cientista política Luciana Santana, o prefeito teve bom senso ao não se candidatar. Porém, ele cometeu um erro ao não trabalhar outros nomes para a disputa.

“Ao mesmo tempo em que houve bom senso por parte do Rui, em termos de deixar pública sua decisão, ele também cometeu um erro expressivo: não trabalhou outros nomes. Claro que não é impossível e pode acabar surgindo nome competitivo e com boa adesão, mas isso não é normal, rotineiro na política. O esperado é que as sinalizações sejam feitas antes”, pontua Luciana Santana.

“Os nomes que estão aí não deram sinais de que querem migrar para o Executivo. É importante que essas sinalizações sejam antes das eleições, até para a construção para a campanha”, completa a cientista política.

RENOVAÇÃO

Para Luciana Santana, a ausência de Rui Palmeira no pleito deste ano e dificuldade da oposição em apresentar um nome forte para a eleição evidenciam a necessidade de renovação nos partidos políticos.

“Os partidos precisam estar atentos às renovações internas. Eles têm investido em poucos nomes, e estes não dão conta da demanda do sistema político brasileiro. É preciso ter opções para além, no caso, do prefeito. Ou dos nomes na ALE e na Câmara dos Deputados”.

Para ela, a oposição teria os nomes do deputado federal Pedro Vilela e do Rodrigo Cunha, ambos do PSDB.

Parlamentares do MDB notam Renan Filho com reeleição mais fácil

Tanto para o vereador em Maceió, Silvânio Barbosa, quanto o deputado estadual Ricardo Nezinho – ambos do MDB – a decisão de Rui Palmeira facilitou a reeleição de Renan Filho ao Governo do Estado.

O vereador foi mais taxativo e cravou um W.O. em outurbro.

Vereador Silvânio Barbosa (Foto: Sandro Lima/arquivo)

“Essa eleição vai ser W.O. porque não tem candidatura. Mesmo respeitando os outros adversários, mas não tem ninguém à altura de uma grande disputa eleitoral como seria com o Rui. Acredito que a boa avaliação do governador pesou muito na decisão do prefeito. Isso também é fundamental para não ter candidatura de nível [competitivo] para enfrentar o atual governador numa eleição”, afirma Silvânio Barbosa.

Para o parlamentar da Casa de Mário Guimarães, a decisão de Rui Palmeira foi “sensata”.

“Até porque ele disse à população que cumpriria o mandato. Você se recorda que na campanha de 2016 ele foi perguntado e disse que governaria quatro anos. Foi sensato em continuar o mandato dele, como prometeu na campanha”, completa Silvânio Barbosa.

Já o deputado Ricardo Nezinho, líder do MDB na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), não há outro nome com condições políticas de disputar o pleito de outubro contra Renan filho.

“Numa reflexão de vários políticos, ele era única força que poderia disputar com o governador Renan Filho, haja vista que é o prefeito da capital e um nome em ascensão do PSDB. Poderia ter essa disputa. No mais, não vejo mais nenhum outro nome, sem desmerecer nenhuma liderança do partido. A forma como o governador tem pautado seu mandato, desde o início e até agora, é num ritmo acelerado, com obras em todas as secretarias. Por mais que a gente possa enxergar que ele era um franco favorito, o prefeito Rui Palmeira poderia, sim, ser o único com discurso de esperança para os eleitores da oposição”, afirma o deputado estadual.

Deputado estadual Ricardo Nezinho (Foto: Ascom/ALE)

Ainda de acordo com Ricardo Nezinho, Rui não ser candidato é bom para Alagoas.

“Vejo que isso é bom para Alagoas porque faz com que o próprio governador possa estar focado em sua administração e que, de forma nenhuma, possa arrefecer a gestão que vem fazendo. Queira ou não, num período político você, como qualquer candidato, arrefece sua administração porque tem de olhar para disputa e para a gestão”, completa o líder do MDB na Assembleia Legislativa.

CONTEXTO

Dos 27 deputados estaduais, o governador Renan Filho conta com o apoio da maioria deles e busca pelo segundo mandato. Os parlamentares, naturalmente, indicaram cargos e secretários no governo Renan e durante a campanha eleitoral, será a vez da reciprocidade.

Enquanto o governador Renan Filho tem anunciado obras nos municípios, o prefeito Rui Palmeira mantém as vistorias nas obras em Maceió.

Alguns aliados do gestor municipal postaram em redes sociais que o prefeito de Maceió não dava sinais de que disputaria o governo, pois sabia que enquanto Renan Filho vem atuando firmemente nas cidades, Palmeira não deixava Maceió para uma simples visitas às bases eleitorais no interior, principalmente naquelas onde o PSDB e PP elegeram prefeitos e vereadores.

Tucanos lamentam decisão de prefeito sobre candidatura

Na ALE, o anúncio de Rui Palmeira em não participar das eleições deste ano também gerou repercussão. Para os tucanos Gilvan Barros Filho e Rodrigo Cunha, a decisão do prefeito surpreendeu a todos.

Gilvan ressaltou ainda que a decisão não fragiliza o processo democrático, mas sim o partido.

“Acho que essa decisão enfraqueceu, sim, o partido, porque nós temos uma candidatura a presidente e, independentemente de eu estar ou não no PSDB, voto em Geraldo Alckmin para presidente. E para uma candidatura de presidente viável, um candidato de um nível de inteligência e de administração respeitadíssima, eu acho que Alagoas, sim, enfraqueceu o PSDB nacional”.

Deputado estadual Gilvan Barros (Foto: Ascom/ALE)

No centro das atenções antes mesmo da decisão de Rui Palmeira, o deputado Rodrigo Cunha voltou a ter seu nome especulado para ser o candidato do partido ao Governo do Estado. Ele ressaltou que diante dessa situação é uma felicidade ver seu nome cogitado.

“Todo mundo nesse estado, inclusive os políticos, sabem que não trabalho com toma lá, dá cá, com assistencialismo. Faço outro estilo de política. Então, isso para mim, de forma pessoal, é extremamente importante. É como se fosse uma tapa nas costas dizendo para que eu continue trabalhando dessa forma. Isso é motivante”, diz Cunha.

Para o parlamentar, é preciso esperar o grupo de apoio ao Rui se reunir para definir os nomes.

“Já o fato de ser candidato ou não ao governo do estado, acredito que não é o momento ainda, está muito recente a decisão do Rui. O grupo vai se reunir novamente para que se possa dá novos passos”, disse Cunha. Ele ressalta não aceitar pressão política para ser o candidato ao Governo do Estado. “Primeiramente, eu sempre trabalhei sem intermediários, então a única pressão que pode recair sobre o Rodrigo Cunha não é a dos políticos e sim a das pessoas. Entrei na política sem amarras e é isso que me move. Então jamais eu irei fazer algo que eu não quero”.

Deputado estadual Rodrigo Cunha (Foto: Sandro Lima/arquivo)

Cunha também lamentou o fato de que no estado faltam opções para serem postulados como candidatos, mas disse que a decisão do prefeito deve ser respeitada.

“Nós deveríamos estar lutando, no bom sentido, entre os candidatos para ver quem queria ser o candidato ao Governo do Estado, no entanto, faltam opções. Então, é um bom recado para a sociedade alagoana que precisa reagir contra esses fatos, querer se envolver politicamente, porque senão a política vai ficar sempre nas mãos das mesmas pessoas. A decisão de apenas uma pessoa, o Rui, em não disputar o cargo já gera uma quase certeza que Alagoas vai ter um único lado e isso é péssimo para democracia”, afirma Cunha.

EDUARDO CANUTO

A reportagem contatou o vereador Eduardo Canuto (PSDB), líder de Rui Palmeira na Câmara de Maceió, para saber sua avaliação sobre a decisão do prefeito em não disputar a eleição deste ano. O parlamentar disse que só comentaria o caso após se reunir o chefe do Executivo municipal. “Teríamos uma reunião no final da tarde, mas ele prefeito remarcou para amanhã [quarta-feira, 14] de manhã”, diz Eduardo Canuto.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral e Carlos Victor Costa

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