Política

17 de fevereiro de 2018 08:53

Desistência de Teotonio Vilela abre novos espaços em disputa ao Senado em AL

Rodrigo Cunha e Maurício Quintella se fortalecem numa possível disputa eleitoral

↑ Teotonio Vilela desiste de ser candidato ao Senado e amplia espaço para o deputado Rodrigo Cunha e o ministro Maurício Quintella (Fotos: Sandro Lima / Montagem - Tribuna Independente)

A desistência do ex-governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB) em se candidatar a uma das vagas para o Senado este ano, muda completamente o xadrez eleitoral. O desenho das últimas pesquisas eleitorais mostrava que Vilela tinha grande chance de conseguir se tornar senador pelo quarto mandato.

Teotonio Vilela Filho utilizou a sua rede social para anunciar a desistência no último dia 12. Na postagem, ele diz que comunicou ao prefeito Rui Palmeira, presidente estadual do PSDB, sobre sua decisão, mas que estará firme no apoio a candidatura de Rui ao Governo do Estado. O ex-governador ainda agradeceu a população alagoana por conta dos resultados das pesquisas de opinião de votos.

Diante desse novo quadro, o cenário tende a favorecer a outros nomes considerados de peso numa eventual disputa ao Senado. Um deles é do deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Rodrigo também é cogitado a sair em campanha para uma das nove vagas para representar Alagoas na Câmara Federal.

Segundo Rodrigo Cunha, a desistência de Vilela é considerada um gesto de grandeza política.

“É algo que ele não tinha necessidade de fazer agora, mas pensando em todo o grupo, ele antecipou para que as situações sejam montadas. Então, não há nenhum martelo batido em qualquer posição que seja. Há uma expectativa grande para o anúncio da candidatura e do afastamento do atual prefeito de Maceió [Rui Palmeira]. O partido está focado nisso”, avalia.

Sem confirmar que pode ser o candidato ao Senado pelo partido na vaga deixada em aberto por Vilela, mas em um tom de despedida da Assembleia Legislativa, Rodrigo disse que está preparado para as oportunidades.

“Não é o meu foco principal. Meu foco é querer crescer com independência. Eu busquei me dedicar durante esse período todo para fazer tudo que eu tinha aqui na Assembleia Legislativa durante esse tempo. Chegou a hora de medir e saber se a população entendeu esse recado e qual o tamanho que tenho em Alagoas”.

SEM ÊXITO

A reportagem da Tribuna Independente ainda tentou ouvir os posicionamentos dos senadores Renan Calheiros (PMDB) e Benedito de Lira (PP). Ambos são candidatos naturais à reeleição para o Senado, no entanto, eles não atenderam as nossas ligações e não retornaram os contatos até o fechamento desta edição para repercutir a decisão de Vilela.

Oposição pode não sofrer grandes transtornos

O ministro dos Transportes, Maurício Quintella já deixou claro que é pré-candidato ao Senado. Ele avalia que no processo democrático, Alagoas perde com a desistência de Teotonio Vilela Filho.

“Com a sua experiência, ele contribuiria muito para o debate eleitoral. No entanto, mesmo fora da disputa, acredito que participará ativamente da campanha”, destaca o ministro, salientando que sem Vilela, existe uma facilidade maior na composição da chapa majoritária, abrindo oportunidades para outros nomes, a exemplo do seu.

No exercício do cargo de prefeito de Maceió por oito dias, Marcelo Palmeira (PP), disse ter ficado surpreso com a decisão do ex-governador.

“Esperamos que ele [Teotonio Vilela] não fique de fora do processo eleitoral. É lamentar a sua decisão, mas por outro lado, temos que trabalhar porque teremos uma eleição dura pela frente”, lembra Palmeira.

COBRANÇA POR RENOVAÇÃO

O presidente da Câmara de Vereadores de Maceió, Kelmann Vieira destaca que a população vem cobrando uma renovação ao citar que o partido e legendas aliadas têm bons quadros que podem disputar a vaga no Senado.

“Sei que o Téo foi um bom governador. É um nome conhecido nacionalmente e já ajudou muito Alagoas. Acho que nesse momento que se avizinha de o Rui ser candidato a governador, creio que temos bons quadros de jovens que possam fazer a renovação que a sociedade está precisando. Acho que o governador Teotonio deu uma demonstração de humildade”.

Para o líder da Prefeitura de Maceió Câmara de Vereadores, Eduardo Canuto (PSDB), a desistência de Teotonio Vilela tem ligação com os últimos acontecimentos, citando as investigações recentes contra ele.

“Provavelmente uma candidatura do Benedito de Lira e a outra era do Teotonio Vilela. Daí, ficaria fechado para outros nomes. Mas, agora pode ter a possibilidade da vinda do Marx Beltrão [MDB, ministro do Turismo], do Quintela [Ministro dos Transportes] que são nomes que despontam. Outro é do Rodrigo Cunha”, cita.

NÃO ATRAPALHA

Outro nome entrevistado pela reportagem da Tribuna Independente foi José Thomaz Nonô (DEM), que foi vice-governador de Teotonio Vilela entre 2010 e 2014. Ele acredita que a desistência do ex-governador abre um espaço para uma candidatura nova ao Senado dentro do arco de aliança que apoia o prefeito de Maceió, Rui Palmeira.

“O Téo Vilela já vinha anunciando que não estava madura a sua convicção de se candidatar ao Senado e não foi uma coisa surpreendente essa decisão. Sei que com isso vão surgir novas postulações”, analisa o presidente do Democratas.

Nonô avalia também que o fato de não se ter Vilela nas eleições não deve atrapalhar as pretensões da oposição para 2018.

“Não vejo grandes transtornos. De uma certa forma, o próprio Téo anunciou que continua firme com o PSDB e com o Rui. Não creio que isso atrapalhe. Mas, por outro lado, abre a oportunidade que outros partidos postulem o Senado, o DEM pode, o Quintela pode”.

Para uma análise de como vai se comportar a oposição após a decisão de Vilela, a reportagem da Tribuna entrevistou o cientista político, Ranulfo Paranhos. Ele lembrou que o desgaste que Vilela teve início no momento em que ele passou a presidência do partido para Rui Palmeira.

“O Teotonio ter passado a presidência estadual do partido para o Rui não era muito um aceno, era mesmo porque houve muita especulação de uma aliança branca entre Téo e o senador Renan Calheiros. Isso o deixou enfraquecido dentro do PSDB e aí o Rui assume. Não sei o que ele está alegando, mas desde o governo dele sempre se falava que o Téo já deveria se aposentar. Não sei se são questões pessoais ou se tem um desgaste aí da imagem dele”.

O cientista então pontuou algumas possibilidades que podem ter sido decisivas para a desistência de Vilela. A primeira é que poderia está cansado da vida política e decidiu se afastar. A segunda poderia ser a pressão interna do PSDB e do PP, para um acordo com o senador Benedito de Lira, juntamente ao ministro Maurício Quintella. E a terceira seria Teotonio sair da disputa para não entrar em desavença com o senador Renan Calheiros, pois eles, segundo Paranhos, sempre tiveram uma relação pessoal.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Carlos Victor Costa

Comentários

MAIS NO TH